Rede Voltaire
Prémio Nobel de Economia 2005

Schelling e Aumann: para eles a guerra é um jogo

Schelling e Aumann: para eles a guerra é um jogo

Os dois agraciados com o Prémio Nobel de Economia em 2005, Thomas C. Schelling e Robert J. Aumann, foram premiados pela sua contribuição para a "teoria dos jogos". O primeiro foi de facto o teórico da escalada militar na guerra do Vietnam e justifica hoje a não-ratificação do protocolo de Quioto e o abandono dos objectivos da ONU para o milénio. O segundo é um esotérico talmudista que teorizou a utilização da punição colectiva para oprimir os palestinianos.

Rede Voltaire | Paris (França)
+
JPEG - 31.1 kb
Thomas C. Schelling e Robert Aumann.

O Prémio Nobel da economia 2005 foi atribuído pelo Banco da Suécia, em 10 de Outubro, a Robert J. Aumann e Thomas C. Schelling pelos seus trabalhos acerca da teoria dos jogos. O júri sublinha no seu comunicado que os trabalhos dos dois contribuíram para um conhecimento racional dos comportamentos humanos segundo um esquema aplicável tanto às negociações políticas como às económicas. Deste modo, contribuíram para aproximar a ciência económica às outras ciências sociais.

Provavelmente considerando que o Banco da Suécia é infalível como o papado, os medias internacionais transmitiram esta notícia e aplaudiram os laureados sem se preocuparem com o conteúdo exacto dos seus trabalhos e das suas aplicações, nem com as razões que puderam orientar a escolha dos juizes.

Robert J. Aumann, teôrico da opessão militar

Deixemos de lado o caso um tanto folclórico do matemático cabalista Robert J. Aumann, cuja contribuição principal para a humanidade terá sido aplicar a teoria dos jogos à leitura do Talmude, nomeadamente para resolver o cruel dilema da repartição da herança do homem às três viúvas. O laureado ilustrou-se igualmente por suas investigações esotéricas acerca dos códigos escondidos do Tora.

Mais prosaicamente, Robert J. Aumann teorizou o princípio da "cooperação forçada" pelo "medo da sanção" no tratamento infligido aos palestinianos, um método que, ao instituir punições colectivas, viola as convenções internacionais. Ele militar numa organização extremista, Professors for a Strong Israel, que contribuiu para sabotar os acordos de Oslo. Partidário do Grande Israel, numa base racial judia, ele opôs-se à criação de um Estado palestiniano e hoje faz campanha contra Ariel Sharon e pela anexação de Gaza.

Concentremo-nos no caso exemplar do seu co-laureado:

Thomas C. Schelling, toôrico da escalada militar

Nascido em 1921, Thomas C. Schelling fez os seus estudos de economia na Universidade de Berkeley durante a Segunda Guerra Mundial. Entra depois, em 1945, na Repartição Federal do Orçamento, enquanto preparava seu doutoramento em Harvard. Em 1948 incorpora-se à equipe do embaixador Averell Harriman na administração do Plano Marshall em Paris.

A família Harriman tornara-se uma das grandes fortunas dos Estados Unidos a partir da construção do caminho de ferro do Pacífico. Nos anos 30, Averell havia apoiado financeiramente a ascensão do chanceler Hitler na Alemanha, com o qual ele partilhava tanto as ideias eugenistas como a obsessão anti-comunista. Entretanto, em 1941, mudara de campo ao considerar que o imperialismo nazi punha em perigo a dominação anglo-saxónica dos mares. Seus negócios eram então dirigidos por Prescott Bush (avô de George W.) e defendidos pelo gabinete de advogados de Allen Dulles (futuro patrão da CIA).

O Plano Marshall era um projecto de reconstrução da Europa visando garantir os investimentos estadunidenses ao mesmo tempo que criava um mercado interno e enviesava os processos políticos para que os comunistas não pudessem aceder democraticamente ao poder.

Quando Harriman foi nomeado secretário do Comércio pelo presidente Truman, Schelling seguiu-o a Washington. Ele foi afectado à esquipe presidencial para ali acompanhar as questões do comércio internacional. Perdeu o seu posto com a derrota dos democratas na eleição presidencial e dedica-se então, durante alguns anos, ao ensino na Universidade de Yale.

Em 1958 é recrutado pela Rand Corporation, o think tank que o presidente Eisenhower ainda não qualificara como "complexo militar-industrial". Este instituto, que até então dedicava-se ao estudo das armas novas, começa a elaborar um pensamento estratégico em torno de intelectuais como Herman Khan e Albert Wohlstetter (o sogro de Richard Perle). Dentro em breve ele encontrará ali o matemático israelense Robert J. Aumann, com o qual muito mais tarde partilhará o seu Prémio Nobel.

Schelling encontra-se imediatamente mergulhado nas negociações sobre o desarmamento, em Genebra. Elas são dirigidas por Paul Nitze, o mestre da Guerra Fria, assistido por Wohlstetter. A sua ideia é que a bomba atómica é insuficientemente dissuasora se a URSS tiver a possibilidade de efectuar um ataque relâmpago que destruiria a capacidade de resposta estadunidense.

. É preciso, portanto, desenvolver um arsenal nuclear disperso no mundo e negociar simultaneamente com os soviéticos a destruição dos seus lançadores mais rápidos e das suas bases mais próximas. A Rand Corporation procura racionalizar a negociação apoiando-se na teoria dos jogos do matemático John von Neuman (que participa na criação da bomba atómica estadunidense) e do economista Oskar Morgenstern. Schelling põe-se a estudar a aplicação desta teoria a esta circunstância particular e dedica-lhe um livro: The Strategy of Conflict. [1]

Segundo ele, a dissuasão não deve ser um jogo de soma zero, no qual cada um teme perder tanto quanto o outro, mas uma mistura de competição e de cooperação tácita. Assim como, na estrada, pode-se tentar ultrapassar um carro sem em contrapartida lançá-lo na margem, no decorrer da Guerra Fria pode-se ganhar em teatros de operação periféricos sem em contrapartida provocar o apocalipse nuclear. Uma teoria que, para grande felicidade dos industriais do sector, leva a imaginar uma estratégia de resposta graduada e não mais de destruição total de todas as grandes cidades do adversário, portanto a dotar-se de uma gama variada de armamento além do stock já existente de grandes bombas.

Entretanto, naquela época, o pensamento dominante em Washington continuava a ser o da "resposta maciça". Para convencer da eficácia da sua teoria, Thomas C. Schelling recorreu ao seu amigo John McNaughton, que se tornara o conselheiro principal do secretário da Defesa Robert McNamara. Foi organizado um jogo de papel em Camp David, em dois fins de semana de Setembro de 1961, em que duas equipes, os Azuis e os Vermelhos, se enfrentaram. Vários altos dirigentes participaram desta simulação, como Henry Kissinger e McGeorge Bundy.

Seja como for, em 1964 o conselho de segurança nacional McGeorge Bundy, que se inquietava com a possibilidade de oficiais estadunidenses repetirem no Vietnam os delírios do general Douglas MacArthur na Coreia (o qual propunha-se a "vitrificar" o país para acabar de uma vez por todas com os comunistas), pede a John McNaughton e a Thomas C. Schelling para planearem uma estratégia graduada, ou seja, um cenário incluindo provocações e permitindo uma escalada até que os norte-vietnamitas dobrassem. Eles aconselharam a proceder campanhas de bombardeamento com duração crescente. A primeira, conhecida com o nome de operação Estrondo rolante (Rolling Thunder), foi lançada de 2 a 24 de Março de 1965. Não tendo qualquer influência sobre a determinação do povo vietnamita, ela foi seguida de várias outras, até se tornar um dilúvio de fogo sobre o país e seus vizinhos. Seis milhões de toneladas de bombas mais tarde, a teoria dos jogos de Thomas C. Schelling havia feito 2 milhões de mortos [2] . Robert McNamara demite-se das suas funções para se consagrar à presidência do Banco Mundial, enquanto Averell Harriman foi chamado como reforço para negociar a paz.

. Na sequência deste desastre, Thomas C. Schelling volta a ensinar em Harvard, ao mesmo tempo que assegurava um trabalho de consultor para a CIA. É neste período que ele começa a aplicar a teoria dos jogos às negociações comerciais internacionais e que publica Micromotives and Macrobehavior (1978), seguido de Choice and Consequences (1984).

Em 1990, após a sua aposentadoria da universidade, Thomas C. Schelling une-se à Albert Einstein Institution, um instituto de investigação que se tornara o gabinete da CIA encarregado de organizar derrubadas de regime por meios "não-violentos" [3] . Ele participa ali na organização de pseudo-revoluções nos Estados da antiga zona de influência soviética, as últimas das quais até à data foram aquelas de Georgia e da Ucrânia.

Thomas C. Schelling retorna ao palco em Junho de 2002, quando publica um artigo com impacto na revista do Council of Foreign Relations, Foreign Affairs, para justificar a recusa do presidente George W. Bush em ratificar o Protocolo de Quioto [4] . Segundo ele, a ligação entre as emissões de gás com efeito serra e o buraco da camada de ozono não estaria claramente demonstrado e nenhum Estado encararia seriamente fazer esforços custosos para reduzi-los. Além disso, o mecanismo do Protocolo seria baseado na adesão a princípios generosos enunciados por Prémios Nobel, mas não sobre um sistema de concessões recíprocas. E o professor prossegue afirmando que não existem senão três experiências com êxito de empenhamento económico multinacional: o Plano Marshall, a NATO e a Organização Mundial de Comércio. Em todos os casos, os Estados Unidos haviam fixado as regras previamente, depois haviam instituído sistemas de regulação nos quais cada Estado membro justifica-se perante os outros e vigia os outros, de modo que Washington impõe uma regra sem ter de fazer de polícia.

Na primavera de 2003, Thomas C. Schelling foi um dos oito peritos reunidos por Bjorn Lomborg em Copenhagen para avaliar os objectivos do milénio, ou seja, os programas avançados pela ONU, aquando de uma reunião patrocinada por The Economist e financiada pela Fundação Sasakawa [5] . O documento final, dito Consenso de Copenhagen, relega a diminuição do gás com efeito estufa ao 17º lugar e concentra-se em assuntos mais lucrativos como: (1) a produção sob licença de medicamentos contra o VIH/Sida; (2) a difusão de OGMs (organismos geneticamente modificados) para lutar contra a desnutrição e (3) a abolição das barreiras alfandegárias.

Se a obra teórica de Thomas C. Scelling verificou-se ser experimentalmente inoperante, portanto cientificamente errónea, não é menos verdadeiro que ele deu uma contribuição significativa para o nosso tempo: mostrou que as autoridades estadunidenses abordam com as mesmas ferramentas cognitivas a guerra e o comércio internacional. Pelo seu lado, o seu antigo colega que se tornou co-laureado, Robert J. Aumann, depois de haver sonhado com a numerologia bíblica, mostrou que os colonos israelenses podiam oprimir os palestinianos desumanizando os seus crimes a ponto de transformá-los em fórmulas matemáticas. Não é seguro que o Banco da Suécia se haja honrado ao honrá-los.

Tradução
Resistir.info

[1] The Strategy of Conflict por Thomas C. Schelling, Harvard University Press, 1960. Versão francesa: La Stratégie du conflit, Presses universitaires de France, 1986.

[2] Para os pormenores da planificação desta carnificina ver os documentos revelados ilegalmente por Daniel Ellsberg, conhecidos sob o nome de The Pentagon Papers.

[3] Ver nosso inquérito, "L’Albert Einstein Institution: la non-violence version CIA" por Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 4 janvier 2005.

[4] "What Makes Greenhouse Sense?" por Thomas C. Schelling, Foreign Affairs, Mai-juin 2002.

[5] Ver "Sasakawa, un criminel de guerre respecté" por Denis Boneau, Réseau Voltaire, 17 mai 2004.

<span lang='fr'>Thierry Meyssan</span>

Thierry Meyssan Intelectual francês, presidente fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. Publica análises de política estrangeira na imprensa árabe, latino-americana e russa. Último livro publicado: L’Effroyable imposture : Tome 2, Manipulations et désinformations (éd. JP Bertand, 2007).

 
O Massacre de Sorman
O Massacre de Sorman
Testemunho
 

Este artigo encontra-se sob licença creative commons

Poderá reproduzir livremente os artigos da Rede Voltaire desde que cite a fonte, não modifique o conteúdo e não os utilize para fins comerciais (licença CC BY-NC-ND).

Apoiar a Rede Voltaire

Utilizando este site poderá encontrar análises de elevada qualidade que o ajudarão a formar a sua compreensão do mundo. Para continuar com este trabalho necessitamos da sua colaboração.
Ajude-nos através de uma contribuição.

Como participar na Rede Voltaire?

Os participantes na rede são todos voluntários.
Autores: diplomatas, economistas, geógrafos, historiadores, jornalistas, militares, filósofos, sociólogos ... poderá enviar-nos seus artigos.
Tradutores de nível profissional: pode participar na tradução de artigos.

Edição internacional
français
English
Español
italiano
عربي
русский
Deutsch
 
99 <span lang='fr'>articles cette semaine dans toutes les langues</span>
Señal de Alerta
El “después”, “Dios proveerá” y dejadez arruinan al Perú
por Herbert Mujica Rojas, Socios, 14 de febrero de 2012
 
Qatar buys General al-Dhabi's resignation Qatar buys General al-Dhabi’s resignation
Voltaire Network, 14 February 2012
 
Many Americans gave up hope last year – 2012 will be worse Many Americans gave up hope last year – 2012 will be worse
by Joseph Stiglitz, Voltaire Network, 14 February 2012
 
La Gran Bretagna "riconfeziona" al-Qaida La Gran Bretagna "riconfeziona" al-Qaida
Rete Voltaire, 14 febbraio 2012
 
End of game in the Middle East End of game in the Middle East
by Thierry Meyssan, Voltaire Network, 14 February 2012
 
Sergej Lavrov accolto da eroe a Damasco Sergej Lavrov accolto da eroe a Damasco
Rete Voltaire, 14 febbraio 2012
 
Syria's Uprising in Context Syria’s Uprising in Context
by Stephen Gowans, Voltaire Network, 14 February 2012
 
US war games in South East Asia US war games in South East Asia
Voltaire Network, 14 February 2012
 
Francois Hollande negozia con l'emiro del Qatar Francois Hollande negozia con l’emiro del Qatar
Rete Voltaire, 14 febbraio 2012
 
Europei prime vittime di sanzioni contro l'Iran Europei prime vittime di sanzioni contro l’Iran
Rete Voltaire, 14 febbraio 2012
 
Syrien: Fünf Fragen an Thierry Meyssan Syrien: Fünf Fragen an Thierry Meyssan
Voltaire Netzwerk, 14. Februar 2012
 
Сирия сегодня Сирия сегодня
Борис ДОЛГОВ, Сеть Вольтер, 14 февраля 2012
 
Vidéo : 5 questions à Thierry Meyssan sur la Syrie Vidéo : 5 questions à Thierry Meyssan sur la Syrie
Réseau Voltaire, 14 février 2012
 
Das Ende der Partie im Nahen Osten Das Ende der Partie im Nahen Osten
von Thierry Meyssan, Voltaire Netzwerk, 14. Februar 2012
 
Se termina la partida en el Medio Oriente Se termina la partida en el Medio Oriente
por Thierry Meyssan, Red Voltaire, 14 de febrero de 2012
 
Fin de partie au Proche-Orient
En direct
Fin de partie au Proche-Orient
par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 14 février 2012
 
Al-Qaida frappe à Alep
« Revue de presse Syrie » #50
Al-Qaida frappe à Alep
Partenaires, 13 février 2012
 
Páginas Libres
Con magia y mano negra Movistar repara y avería mi teléfono
por Guillermo Olivera Díaz, Socios, 13 de febrero de 2012
 
Le Qatar achète la démission du général al-Dabi Le Qatar achète la démission du général al-Dabi
Réseau Voltaire, 13 février 2012
 
2012, année de tous les périls ? 2012, année de tous les périls ?
par Joseph Stiglitz, Réseau Voltaire, 13 février 2012
 
Jeux de guerre états-uniens dans le Sud-Est asiatique Jeux de guerre états-uniens dans le Sud-Est asiatique
Réseau Voltaire, 13 février 2012
 
256. Petite leçon suisse d'instruction civique à l'intention de l'Europe
« Horizons et débats », 12e année, n° 6, 13 février 2012
Petite leçon suisse d’instruction civique à l’intention de l’Europe
Partenaires, 13 février 2012
 
مجلس التعاون الخليجي والناتو يفقدان زمام القيادة
الفيتو المزدوج لمنع حرب الإمبراطوريات على سوريا
مجلس التعاون الخليجي والناتو يفقدان زمام القيادة
بقلم ثييري ميسان, Shabakat Voltaire, 13 شباط (فبراير) 2012
 
الصين تصبح الشريك التجاري الأول لألمانيا الصين تصبح الشريك التجاري الأول لألمانيا
Shabakat Voltaire, 13 شباط (فبراير) 2012
 
Iran's Historic Anniversary Iran’s Historic Anniversary
by Stephen Lendman, Voltaire Network, 13 February 2012
 
Al-Qaeda strikes in Aleppo
« SYRIA PRESS REVIEW » #50
Al-Qaeda strikes in Aleppo
Partners, 13 February 2012
 
Páginas Libres
Mafia de complicidad y reacción en el Apra
por Jesús Guzmán Gallardo, Socios, 12 de febrero de 2012
 
Syria 2011-2012, a rematch of Israel's 2006 war on Lebanon Syria 2011-2012, a rematch of Israel’s 2006 war on Lebanon
by Mahdi Darius Nazemroaya, Voltaire Network, 12 February 2012
 
Páginas Libres
¿Se incrementa riesgo personal con este gobierno?
por Guillermo Olivera Díaz, Socios, 12 de febrero de 2012
 
Ante la competencia de la OCS, ¿escogerá la OTAN la diplomacia o las armas?
« Revista de prensa sobre Siria » #49
Ante la competencia de la OCS, ¿escogerá la OTAN la diplomacia o las armas?
Socios, 12 de febrero de 2012
 
Wladimir Putin tritt als Beschützer der Orient-Christen auf Wladimir Putin tritt als Beschützer der Orient-Christen auf
Voltaire Netzwerk, 12. Februar 2012
 
Großbritannien „verpackt“ die Al-Qaida neu Großbritannien „verpackt“ die Al-Qaida neu
Voltaire Netzwerk, 12. Februar 2012
 
Moscow and the formation of The New World System Moscow and the formation of The New World System
by Imad Fawzi Shueibi, Voltaire Network, 11 February 2012
 
Assassinats anonymes
« L’art de la guerre »
Assassinats anonymes
par Manlio Dinucci , Réseau Voltaire, 11 février 2012
 
Sergei Lavrov von Damaskus als Held empfangen Sergei Lavrov von Damaskus als Held empfangen
Voltaire Netzwerk, 11. Februar 2012
 
Al-Qaeda refashioned by the UK Al-Qaeda refashioned by the UK
Voltaire Network, 11 February 2012
 
الإرهاب في سورية
إغلاق السفارات والارهاب في حلب
بقلم مازن بلال, Partners, 11 شباط (فبراير) 2012
 
حلب تستفيق على الإرهاب...
وتصعيد دبلوماسي إعلامي وإرهابي
بقلم سورية الغد, Partners, 11 شباط (فبراير) 2012
 
الإرهاب في سورية
أغفو في وطني
بقلم نضال الخضري, Partners, 11 شباط (فبراير) 2012
 
الإرهاب في سورية
التحرك الخليجي إلى أين...
بقلم مازن بلال, Partners, 11 شباط (فبراير) 2012
 
Páginas Libres
¿Sófero retroceso post marcha por el agua?
por Guillermo Olivera Díaz, Socios, 11 de febrero de 2012
 
Face à la concurrence de l'OCS, l'OTAN choisira t-elle la diplomatie ou les armes ?
« Revue de presse Syrie » #49
Face à la concurrence de l’OCS, l’OTAN choisira t-elle la diplomatie ou les armes ?
Partenaires, 10 février 2012
 
 Im Wettstreit mit der SCO, wird die NATO Diplomatie oder Waffen wählen?
« Presseschau Syrien » #49
Im Wettstreit mit der SCO, wird die NATO Diplomatie oder Waffen wählen?
Partner, 10. Februar 2012
 
U.S. Prepares Georgia for New Wars in Caucasus and Iran
"NATO’s favorite despot"
U.S. Prepares Georgia for New Wars in Caucasus and Iran
by Rick Rozoff, Voltaire Network, 10 February 2012
 
La Grande-Bretagne « reconditionne » Al-Qaïda La Grande-Bretagne « reconditionne » Al-Qaïda
Réseau Voltaire, 10 février 2012
 
Faced with competition from the SCO, will NATO choose diplomacy or arms?
« SYRIA PRESS REVIEW » #49
Faced with competition from the SCO, will NATO choose diplomacy or arms?
Partners, 10 February 2012
 
Señal de Alerta
Risas inexplicables en la radio
por Herbert Mujica Rojas, Socios, 10 de febrero de 2012
 
Vladimir Putin emerges as protector of Eastern Christians Vladimir Putin emerges as protector of Eastern Christians
Voltaire Network, 9 February 2012
 
Censura británica: cómo seguir viendo Press TV Censura británica: cómo seguir viendo Press TV
Red Voltaire, 9 de febrero de 2012
 
El CCG y la OTAN pierden su liderazgo
El doble veto prohíbe la guerra imperial contra Siria
El CCG y la OTAN pierden su liderazgo
por Thierry Meyssan, Red Voltaire, 9 de febrero de 2012
 
Westerners looking for a "Plan B"
« SYRIA PRESS REVIEW » #48
Westerners looking for a "Plan B"
Partners, 9 February 2012
 
 Der Westen sucht den « B » Plan
« Presseschau Syrien » #48
Der Westen sucht den « B » Plan
Partner, 9. Februar 2012
 
Páginas Libres
¡Yo voto por el agua, el oro ni me va ni me viene!
por Guillermo Olivera Díaz, Socios, 9 de febrero de 2012
 
Les Occidentaux à la recherche d'un “Plan B”
« Revue de presse Syrie » #48
Les Occidentaux à la recherche d’un “Plan B”
Partenaires, 9 février 2012
 
Los occidentales buscan un “Plan B”
« Revista de prensa sobre Siria » #48
Los occidentales buscan un “Plan B”
Socios, 9 de febrero de 2012
 
Sergey Lavrov accueilli en héros à Damas Sergey Lavrov accueilli en héros à Damas
Réseau Voltaire, 8 février 2012
 
Russia's popularity in Syria confounds the West
« SYRIA PRESS REVIEW » #47
Russia’s popularity in Syria confounds the West
Partners, 8 February 2012
 
China becomes German's first trading partner China becomes German’s first trading partner
Voltaire Network, 8 February 2012
 
China wird erster Wirtschaftspartner von Deutschland China wird erster Wirtschaftspartner von Deutschland
Voltaire Netzwerk, 8. Februar 2012
 
Señal de Alerta
Etica bananera
por Herbert Mujica Rojas, Socios, 8 de febrero de 2012
 
Un avion cargo suspect saisi par la sécurité libanaise Un avion cargo suspect saisi par la sécurité libanaise
Réseau Voltaire, 8 février 2012
 
فرنسوا هولند يفاوض أمير قطر فرنسوا هولند يفاوض أمير قطر
Shabakat Voltaire, 8 شباط (فبراير) 2012
 
 الدبلوماسيات الغاضبة وسيناريوهات الحلول الدبلوماسيات الغاضبة وسيناريوهات الحلول
بقلم عيسى الأيوبي, Shabakat Voltaire, 8 شباط (فبراير) 2012
 
أبعد من انتصار نيويورك..اللعبة انتهت أبعد من انتصار نيويورك..اللعبة انتهت
بقلم عيسى الأيوبي, Shabakat Voltaire, 8 شباط (فبراير) 2012
 
جلسة الكذب المفتوح جلسة الكذب المفتوح
بقلم عيسى الأيوبي, Shabakat Voltaire, 8 شباط (فبراير) 2012
 
Egypt and Syria
Orient Tendencies
Egypt and Syria
by Wassim Raad, Partners, 8 February 2012
 
Les Occidentaux choqués par la popularité russe en Syrie
« Revue de presse Syrie » #47
Les Occidentaux choqués par la popularité russe en Syrie
Partenaires, 8 février 2012
 
كسر إرادات
عروبة ((الشاطئ)) الآخر
بقلم نضال الخضري, Partners, 8 شباط (فبراير) 2012
 
كسر إرادات
زيارة لافروف ... ودول الخليج تضغط
بقلم سورية الغد, Partners, 8 شباط (فبراير) 2012
 
كسر إرادات
مواقف في لحظات الترقب
بقلم سورية الغد, Partners, 8 شباط (فبراير) 2012
 
كسر إرادات
التكتيك الخليجي
بقلم مازن بلال, Partners, 8 شباط (فبراير) 2012
 
 Der Westen über die russische Beliebtheit in Syrien schockiert
« Presseschau Syrien » #47
Der Westen über die russische Beliebtheit in Syrien schockiert
Partner, 8. Februar 2012
 
Disgusto de los occidentales ante la popularidad rusa en Siria
« Revista de prensa sobre Siria » #47
Disgusto de los occidentales ante la popularidad rusa en Siria
Socios, 8 de febrero de 2012
 
Moscou et Pékin ont surtout voulu protéger Téhéran
« Revue de presse Syrie » #46
Moscou et Pékin ont surtout voulu protéger Téhéran
Partenaires, 7 février 2012
 
Páginas Libres
MOVADEF y SL: reflexiones estudiantiles
por Luis Alberto Pacheco Mandujano, Socios, 7 de febrero de 2012
 
Páginas Libres
Gran Marcha por el Agua: viernes 10, 2 pm
por Guillermo Olivera Díaz, Socios, 7 de febrero de 2012
 
Moscow and Beijing acted primarily to shield Tehran
« SYRIA PRESS REVIEW » #46
Moscow and Beijing acted primarily to shield Tehran
Partners, 7 February 2012
 
 Der GCC und die NATO verlieren ihre Vorherrschaft
Doppeltes Veto um den imperialen Krieg gegen Syrien zu verbieten
Der GCC und die NATO verlieren ihre Vorherrschaft
von Thierry Meyssan, Voltaire Netzwerk, 7. Februar 2012
 
Páginas Libres
¡Luz roja al solmáforo!
por Héctor Guillén Tamayo, Socios, 7 de febrero de 2012
 
Más que todo, Moscú y Pekín quisieron proteger a Teherán
« Revista de prensa sobre Siria » #46
Más que todo, Moscú y Pekín quisieron proteger a Teherán
Socios, 7 de febrero de 2012
 
 Moskau und Beijing wollten hauptsächlich Teheran schützen
« Presseschau Syrien » #46
Moskau und Beijing wollten hauptsächlich Teheran schützen
Partner, 7. Februar 2012