Voltairenet.org
 Réseau de presse non-alignée

PAZ E PROSPERIDADE
por Agence Cubaine de Nouvelles*

O Papa Bento XVI destronou Brown, Primeiro-Ministro inglês, que substituiu Blair, a quem conheci e com quem falei alguns minutos há 10 anos durante um recesso da Segunda Conferência da OMC em Genebra, após o seu discurso, expressando-lhe a minha discrepância por causa duma falsa frase que ele expressou a respeito do estado social das crianças inglesas. Pela voz, os seus argumentos e o tom que usou na sua conferência de imprensa na qual esteve presente Bush, Brown pareceu-me tão auto-suficiente mesmo como o seu antecessor na direcção do Partido Trabalhista. A actividade do novo Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, ao coincidir com a visita do Papa, era igual à do chefe de governo duma república bananeira.



22 de Abril de 2008

Outils

 Imprimer
 Envoyer

Bento XVI referiu-se especialmente ao dia 13 de Abril, quando há 65 anos no povo de Gardelegen foram incinerados mais de mil prisioneiros, convertendo-se no dia que recorda o martirológio sofrido pelo povo judeu na Alemanha nazista, uma tragédia humana que durou anos.

Foi recebido por Bush na Base Andrews da Força Aérea norte-americana, gesto inusual. Bento XVI, durante toda a sua actividade como Bispo alemão, foi conservador e alérgico às mudanças na política social e nas normas internas que regem a sua igreja. A grande imprensa dos Estados Unidos foi inicialmente implacável, a partir das indisciplinas contra as normas estabelecidas para os crentes, qualificando a Igreja Católica como religião decadente.

A sua visita coincidiu também com o 81º aniversário do seu nascimento. Bush, solícito e complacente, cantou-lhe “Las mañanitas” (Cántigas) no próprio dia 16.

O Papa foi sem dúvida inteligente. Contra-atacou desde o início da visita. Apesar dos 81 anos que completaria horas depois, desceu do avião deslizando apenas as suas mãos pelos corrimãos das inclinadas escadas, e nos últimos degraus nem fez isso. É baixinho, e a simples vistas, pesa a metade de Bush. Caminha ligeiro. Não deixou de sorrir um minuto, também não perdeu o brilho dos seus olhos, e dedicou-se logo a cumprir um programa que com 18 anos de idade qualquer visitante ficaria exausto. Os meios de televisão fizeram o que quiseram.

O Papa visitou universidades, um centro cultural católico construído especialmente para a ocasião; reuniu-se com representantes de centenas de escolas e universidades católicas desse enorme país. O chefe do império não se atreveria a exigir ao Estado do Vaticano “nova constituição e eleições livre” como ele as concebe para Cuba.

Como líder duma igreja em meio da guerra desencadeada pelos Estados Unidos contra os muçulmanos, a sua mensagem foi ecuménica e em favor da paz.

Reuniu-se com representantes de cultos cujas igrejas influem em biliões de pessoas. Os líderes da religião judaica receberam-no calorosamente. Logicamente, eles idealizaram o sistema capitalista dos Estados Unidos. Um dos rabinos de Miami asseverou que 90 por cento dos judeus de Cuba se deslocaram para essa cidade; teve que esclarecer que não aconteceu assim, porque os perseguíssemos o lhes tivessem dado visto nos Estados Unidos, mas sim porque optaram pelo direito de viajar utilizando uma via segura que abriu a Revolução e — mesmo como muito cubanos de outras origens étnicas — procuravam vantagens materiais que não puderam alcançar na Cuba colonizada.

Aqui permaneceu aberta e respeitada a sinagoga judaica, e os seus representantes reúnem-se, junto às outras igrejas, com os líderes do partido e do Governo Revolucionário, incluídos os seus níveis mais altos.

Nos Estados Unidos foi muito salientada a visita do Papa à sinagoga. Esta é a terceira vez que tem lugar uma visita papal a esses centros religiosos judaicos. A primeira foi a de João Paulo II a uma sinagoga da Polônia; depois, a de Bento XVI a uma na Alemanha; e esta, à de Nova Iorque, que é pela sua vez a primeira nesse país.

Particular importância tem demandar, em nome do direito a acreditar, o direito a viver. Na sua condição de líder religioso de uma igreja poderosa e fortemente enraizada em muitos povos do mundo, Bento XVI falou perante a Organização das Nações Unidas:

“ …o desejo da paz, a procura da justiça, o respeito à dignidade da pessoa, a cooperação e a assistência humanitária, expressam as justas aspirações do espírito humano.”

“…os objectivos do desenvolvimento, a redução das desigualdades locais e globais, a protecção do entorno, dos recursos e do clima, precisam que todos os responsáveis internacionais actuem conjuntamente e demonstrem uma disponibilidade para actuar de boa fé, respeitando a lei e promovendo a solidariedade com as regiões mais fracas do planeta.”

“O nosso pensamento está dirigido à maneira em que às vezes foram aplicados os resultados dos descobertas da pesquisa científica e tecnológica.”

“…estes direitos estão baseados na lei natural inscrita no coração do homem e presente nas diferentes culturas e civilizações.”

“…o ditado diz: não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti, de modo nenhum pode variar, apesar da diversidade das nações.”

“ A minha presença nesta Assembléia é uma mostra de estimação pelas Nações Unidas e é considerada como a expressão da esperança em que a Organização seja útil cada vez mais como sinal de unidade entre os Estados e como instrumento ao serviço de toda a família humana.”

Ao concluir, expressou em inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo: “¡Paz e prosperidade com a ajuda de Deus!”

Ainda que não é fácil desentranhar o pensamento do Vaticano sobre os espinhosos temas que são tratados num mundo onde o Presidente dos Estados Unidos e os seus aliados ricos e desenvolvidos tem imposto uma guerra sangrenta contra a cultura e a religião de mais de um bilião de pessoas em nome da luta contra o terrorismo, e impera a tortura, o saqueio e a conquista pela força dos hidrocarbonetos e as matérias primas, o que disse o Papa é a antítese da política de brutalidade e força que aplica o cantor de “Las Mañanitas”(Cántigas)..

Nos próximos dias, os povos da América Latina estarão a um triz de encarar duas tragédias: a de Paraguai e a da Bolívia. Uma delas, pelas eleições que têm lugar hoje domingo 20 de Abril, onde um antigo Bispo católico conta com a maioria esmagadora do povo, conforme as enquetes sérias, e há certeza do rechaço a um fraude eleitoral; outra, pela ameaça de desintegração real do seu território, que conduziria a lutas fratricidas no sofrido país.

Bento XVI regressa hoje a Roma. As belas e impressionantes cantigas cessaram nos templos. Agora continuar-se-á a escutar o odioso e incessante estrondo das armas.

 Agence Cubaine de Nouvelles
Agence Cubaine de Nouvelles (ACN) c’est une division de l’Agence d’information nationale (AIN) de Cuba fondée le 21 mai 1974.
Os artigos deste autor




 

 



Thèmes
Occupation de l’Irak
001. Occupation de l'Irak
- + + +


 

À propos du Réseau Voltaire - Contacts - RSS

  

Top