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Quem comercializa o petróleo roubado pelo Daesh?

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No seguimento das provas fornecidas pelo Estado-maior russo atestando a implicação do Estado turco na comercialização de petróleo roubado pelo Daesh [1], as autoridades maltesas iniciaram uma investigação sobre os barcos do grupo BMZ, de Necmettin Bilal Erdoğan, que arvoram todos o pavilhão maltês.

Parece que esses navios (Mecid Aslanov, Begim Aslanova, Poeta Qabil, Armada Brisa e Shovket Alekperova) foram todos comprados a uma das numerosas filiais maltesas da Palmali Sipping & Agency JSC, cuja sede está localizada em Istambul (Turquia).

Ora, num artigo da Rede Voltaire, datado de Junho de 2014, e numa crónica de Mikhail Leontiev para o Primeiro canal de televisão russo, de Novembro de 2015, Thierry Meyssan afirmava que o proprietário desta empresa, o bilionário turco-azeri Mubariz Mansimov-Gurbanoğlu (foto), organizara a colocação no mercado do petróleo roubado pelo Daesh [2]; uma responsabilidade, que ele teria mantido até à votação, em fevereiro de 2015, pelo Conselho de Segurança, da Resolução 2199 proibindo o comércio com organizações terroristas, depois transferida para a família Erdoğan [3].

No mesmo artigo, Thierry Meyssan acusava explicitamente a Exxon-Mobil de comprar esse petróleo a Mubariz Mansimov-Gurbanoğlu e de o escoar ; uma segunda imputação até ao momento não retomada pelos média(mídia-br) internacionais. Além disso, em várias ocasiões, ele acusou a companhia transnacional Exxon-Mobil de ser um dos principais apoios, financeiro e militar, do Daesh [4].

As autoridades maltesas buscam, pois, saber se Mubariz Mansimov-Gurbanoğlu parou realmente de trabalhar com o Daesh, ou se ele, simplesmente, repartiu o negócio com a família Erdoğan.

Ainda de acordo com Thierry Meyssan, o Mecid Aslanov (agora propriedade de Necmettin Bilal Erdoğan) descarregou petróleo roubado pelo Daesh, em Fos-sur-Mer (França), em Novembro de 2015, o que invalidaria as declarações públicas do presidente François Hollande contra a organização terrorista [5]. Ele declarou também que não só a França, mas Chipre, Israel, Itália e a Ucrânia utilizam actualmente petróleo roubado pelo Daesh.

“Maltese ships owned by Turkish president’s son being implicated in ISIS oil trade”(«Navios Malteses detidos pelo filho do presidente Turco estão implicados no comércio de petróleo do DAESH»- ndT), David Lindsay, Malta Independent, December 13, 2015.

Tradução
Alva

[1] « La Russie expose les preuves du trafic de pétrole de Daesh via la Turquie », par Valentin Vasilescu, Traduction Avic, Réseau Voltaire, 3 décembre 2015.

[2] “Jihadismo e indústria petrolífera”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Al-Watan (Síria), Rede Voltaire, 23 de Junho de 2014. « Аналитическая программа "Однако" с Михаилом Леонтьевым », Михаи́л Лео́нтьев , 1tv (Россия), Сеть Вольтер, 30 ноября 2015.

[3] “O papel da família Erdoğan no seio do Daesh”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 3 de Agosto de 2015.

[4] « Exxon-Mobil, fournisseur officiel de l’Empire » («Exxon-Mobil, fornecedora oficial do Império». ndT), par Arthur Lepic, Réseau Voltaire, 26 août 2004.

[5] “As operações militares que se preparam na Síria e arredores”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 14 de Dezembro de 2015.

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