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O Pentágono faz a volta ao mundo

| Roma (Itália)
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Chega hoje (13 de dezembro) à Itália o chefe do Pentágono, Ash Carter, que, em nome da administração cessante de Obama, está fazendo “a volta ao mundo para agradecer às tropas dos EUA instaladas na Ásia, Oriente Médio e Europa e se encontrar com importantes parceiros e aliados”.

O giro começou no dia 3 de dezembro a partir da Califórnia, onde Carter fez o discurso de encerramento do “Forum Reagan”, que lhe conferiu o prêmio “A paz através da força”.

Em seguida, Carter partiu ao Japão, onde passou em revista as tropas dos EUA e se encontrou com o ministro da Defesa, Inada. O Japão, que contribui com 1,6 bilhão de dólares anuais para a permanência de 50 mil soldados estadunidenses em seu próprio território, é particularmente importante como base avançada dos sistemas de mísseis dos Estados Unidos instalados contra a China com “escopo defensivo” e, precisa o Pentágono, é um aliado “em condições de defender outros países que possam ser atacados”.

Do Japão, Carter voou à Índia, que se tornou o segundo comprador mundial de armas dos EUA depois da Arábia Saudita: um resultato da estratégia de Washington que visa a debilitar as relações da Índia com a Rússia, minando o grupo dos Brics atacado ao mesmo tempo através do golpe “institucional” no Brasil.

O chefe do Pentágono foi em seguida ao Bahrein, onde participou no “Diálogo de Manama” organizado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, influente think tank britânico financiado pelo emirado com mais de 38 milhões de dólares. Intervindo sobre a “lógica da estratégia norte-americana no Oriente Médio”, Carter precisou que nesta região estão instalados mais de 58 mil militares dos EUA, entre os quais mais de cinco mil no terreno no Iraque e na Síria, “não só para lutar contra os terroristas como os do chamado Estado Islâmico (Isis, na sigla em inglês), mas também para proteger os nossos interesses e os dos aliados” (razão pela qual os EUA e as monarquias do Golfo, como amplamente documentado, apoiaram secretamente o Isis, funcional à sua estratégia na Síria e no Iraque).

Carter acusou a Rússia de não combater o Isis na Síria, mas de ter somente “inflamado a guerra civil e prolongado o sofrimento do povo sírio”. Em seguida, acrescentou que como “o Irã continua a instalar mísseis”, os EUA estão realizando com os aliados “uma defesa regional de mísseis”, compreendendo um potente radar no Catar, mísseis Thaad nos Emirados e outros sistemas de mísseis (na realidade, não de defesa mas de ofensiva, uma vez que os mesmos tubos de lançamento podem ser usados para mísseis de ataque também nuclear).

Do Bahrein, Carter foi a Israel, onde ontem (12 de dezembro) participou com o ministro da Defesa, Lieberman, na cerimônia da chegada dos primeiros dois caças F-35 para a aeronáutica israelense, símbolo da cada vez mais estreita parceria militar com os EUA, “levada a níveis sem precedentes pelo acordo decenal de assistência assinado em setembro último”.

De Israel o chefe do Pentágono chega hoje na Itália, para uma visita de dois dias às tropas estadunidenses com o escopo – declara um documento oficial – de “apoiar as operações dos EUA e da sua coalizão em escala mundial, entre as quais a contenção da agressão russa na Europa oriental e o fortaleciemnto do flanco sul da Otan”.

A volta ao mundo, que se encerra em Londres em 15 de dezembro, com uma reunião da “coalizão anti-Isis”, tem um escopo político bem preciso: reafirmar na véspera da entrega do governo a estratégia da administração Obama, que a democrata Clinton teria prosseguido, para que permaneçam abertas as frentes de tensão e guerra no Sul e no Leste que o democrata Obama deixa como herança ao republicano Trump. Que ao menos não tem o mérito de não ser Prêmio Nobel da Paz.

Tradução
José Reinaldo Carvalho
Editor do site Resistência

Fonte
Il Manifesto (Itália)

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