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«A Arte da Guerra»

Nas garras dos USA/NATO

| Roma (Itália)
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Este artigo deu origem a uma troca de correspondências: "Direito de resposta da NATO, réplica de Manlio Dinucci e comentário da Rede Voltaire", Rede Voltaire, 22 de Março de 2018.

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Estão em curso, simultaneamente, durante a primeira metade de Março, dois grandes exercícios de guerra - um no Mediterrâneo em frente à costa da Sicília, o outro em Israel – ambos orientados e apoiados pelos comandos e pelas bases dos USA/NATO, em Itália.

No Dynamic Manta 2018 - exercício de guerra submarina, apoiado pelas bases de Sigonella e Augusta e pelo porto de Catania - participam as Forças Navais dos Estados Unidos, Canadá, Itália, França, Bélgica, Alemanha, Grã-Bretanha, Espanha, Grécia e Turquia, com 5000 homens, navios de superfície, submarinos, aviões e helicópteros. O exercício é dirigido pelo Comando da NATO, de Lago Patria (JFC Nápoles), sob as ordens do Almirante dos EUA, James Foggo.

Nomeado pelo Pentágono, como os seus antecessores, comanda ao mesmo tempo as Forças Navais dos EUA na Europa e as Forças Navais dos EUA em África, cujo quartel general está em Nápoles Capodichino.

Para que serve o Dynamic Manta 2018 é explicado pelo próprio Almirante Foggo: começou a “Quarta Batalha do Atlântico, depois das duas guerras mundiais e da Guerra Fria. Está a ser conduzida contra “submarinos russos cada vez mais sofisticados, que ameaçam as linhas de comunicação marítima entre os Estados Unidos e a Europa, no Atlântico Norte”.

O Almirante acusa a Rússia de levar a cabo “uma actividade militar cada vez mais agressiva”, referindo como exemplo, os caças russos que sobrevoam, a baixa altitude, os navios dos EUA. No entanto, não diz que esses navios de guerra atravessam o Mar Báltico e o Mar Negro, perto do território russo. O mesmo fazem os drones de espionagem USA Global Hawk, que, partindo de Sigonella, voam duas a três vezes por semana, ao longo da linha de costa russa, no Mar Negro.

O Almirante Foggo, na qualidade de Comandante NATO, prepara em Itália, as forças navais aliadas contra a Rússia e como Comandante das Forças Navais dos EUA, na Europa, envia da Itália a Sexta Frota para Juniper Cobra 2018, um exercício conjunto entre os EUA e Israel, dirigido, principalmente, contra o Irão.

Da base de Gaeta, juntou-se ao Haifa, o Mount Whitney, o navio-almirante da Sexta Frota, acompanhado do navio de assalto anfíbio, Iwo Jima. O Mount Whitney é um quartel general flutuante, ligado à rede de comando e controlo global do Pentágono e também, através da estação MUOS, de Niscemi.

O Juniper Cobra 2018 – no qual participam 2.500 soldados dos EUA e outros tantos israelitas - começou em 4 de Março, quando o Primeiro Ministro Netanyahu, reunido com o Presidente Trump, afirmou que o Irão “não renunciou às suas ambições nucleares” (não dizendo que Israel é a única potência nuclear, no Médio Oriente) e concluiu que “o Irão deve ser bloqueado, esta é a nossa missão comum”.

O exercício simula a resposta israelita ao lançamento simultâneo de mísseis do Líbano, do Irão, da Síria e de Gaza. No entanto, o cenário real deve ser o de um lançamento de mísseis falsamente atribuído ao Hezbollah libanês, aliado ao Irão, como pretexto para atacar o Líbano, visando o Irão.

Após 72 horas no máximo - declaram as autoridades americanas e israelitas - forças dos EUA chegariam da Europa (em particular das bases americanas em Itália) para apoiarem as forças israelitas na guerra.

A presença no Juniper Cobra do General Scaparrotti, chefe do Comando Europeu dos Estados Unidos, confirma esse plano, que ele definiu numa reunião com o Estado Maior israelita, em 11 de Março. Como Scaparrotti é, também, o Comandante Supremo Aliado na Europa (cargo que pertence sempre a um general dos EUA), o plano prevê uma participação da NATO, sobretudo italiana, de apoio a Israel, numa guerra em larga escala no Médio Oriente.

Tradução
Maria Luísa de Vasconcellos

Fonte
Il Manifesto (Itália)

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