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Biodiversidade e novo paradigma
por Leonardo Boff*, Adital*

Três são os inimigos principais da biodiversidade: o modelo de producão e consumo imperante, a monocultura e a espécie humana.



7 de Abril de 2006

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Porto Alegre (Brésil)

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 Venezuela

O modelo imperante, é imperioso repeti-lo, é devastador dos recursos naturais e é consumista. A Terra não aguenta mais esta sistemática agressão e dá sinais claros de estresse. Ela já está se vingando como o tem mostrado James Lovelock no seu recente e alarmante apelo"A vingança de Gaia". Haja vista o aquecimento do Planeta, as perturbações climáticas e a escassez de água potável.

A monocultura é contrária à lógica da natureza que sempre consorcia todo tipo de formas de vida, permitindo que uma espécie ajude a outra a sobreviver e, ao mesmo tempo, se mantenha o equilibrio dinâmico de todo o processo natural. O mundo é dominado pela monocutura do arroz, do trigo, da soja, do milho, do eucalipto, dos cítricos, do gado, das galinhas e outros. Cada implantação de uma monocultura significa um verdadeiro assassinato de espécies vivas, de insetos e microorganismos.

Junto com a monocultura vêm os agrotóxicos para garantir e aumentar a produtividade.O terceiro inimigo é a espécie humana. Ela é uma entre milhares de outras. Mas seu triunfo foi o de disseminar-se sobre todo o Planeta, como uma verdadeira praga, adaptando-se a todos os ecossistemas e submetendo a seus interesses todas as demais. Ocupou 83% do Planeta mas de forma destruidora. Fez do Jardim do Eden um matadouro como disse o mestre da biodiversidade Edward Wilson. As religiões, os tabus, os preceitos éticos e a ciência foram até hoje insuficientes para impedir e limitar a violência humana contra a natureza. O meteoro rasante hoje se chama ser humano.

"As atividades antrópicas estão mudando fundamentalmente e, em muitos casos, de forma irreversível, a diversidade da vida no planeta Terra. Tudo indica que esse processo vai continuar ou ainda se acelerar no futuro". É o que constata o "Relatório da Avaliação Ecosistêmica do Milênio" feito sob os auspícios da ONU e divulgado em 2005.

Preocupante é que as centenas de medidas sugeridas pela Convenção sobre a Diversidade Biológica, seguramente necessárias, são feitas ainda dentro do paradigma antrópico de dominação da natureza. Elas não resolvem a questão básica da devastação. É como, se ao limarmos os dentes do lobo, lhe tiraríamos a ferocidade. Precisamos de outro paradigma civilizatório que tenha uma relação não destrutiva com a natureza, que atenda nossas necessidades, portanto que seja sustentável. Caso contrário não teremos mais futuro.

É neste contexto que se torna importante a Carta da Terra do ano 2000. Ela parte desta possível tragédia. Mas confia que podemos evitá-la. Para isso precisamos de outra ótica que fundará uma nova ética. A ótica é que somos parte do vasto universo em evolução, filhos e filhas da Terra que é viva e somos um dos membros da grande comunidade de vida. O sentido de interdependência e de parentesco nos torna os cuidadores naturais de todas as formas de vida. Há que satisfazer nossas necessidades, de forma justa e equitativa, com um manejo respeitoso da generosidade da Terra, mas sem devastá-la e sempre procurando repôr o que tiramos. Isso exige novos valores, diferentes instituições e modos de vida. Esse é o "modo sustentável de vida" que nos salvará.

 Leonardo Boff
Théologien de la libération et ancien prêtre brésilien, Leonardo Boff fut condamné par l’Église catholique pour ses prises de position. En 1985, il fut condamné à un an de « silence obséquieux ».
Os artigos deste autor


Adital
Agencia de Información Frei Tito para América Latina
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