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Com faixas e cartazes onde se lia «Bush: Tire suas mãos da Venezuela» , «Por um mundo sem terrorismo» e ao som de canções da argentina Mercedes Sosa e do venezuelano Ali Primera, milhares de pessoas percorreram cerca de 12 quilometros pelas ruas da capital contra a ingerencia dos EUA no país. De acordo com o governo venezuelano, os paramilitares presos no dia 9, estavam sendo treinados por grupos opositores, com ajuda de dissidentes cubanos, com o apoio estadunidense, para tentar mais um golpe de Estado. O presidente Hugo Chávez afirma que os paramilitares pretendiam assassiná-lo.

Diante desse cenário, mesmo sob o lema da Paz e de resgate da soberania nacional, a oposição não participou do protesto. «Quero a Paz, mas não me misturo com eles», afirmou o empresário Ezequiel Pereira, que junto aos soldados da Guarda Nacional, vigiavam para que os chavistas não entrassem na Praça Altamira, local de encontros diários da oposição venezuelana.

«Se não há país nao há família, não há nada. Temos que proteger nossa nação. A oposição também perde com isso, eles não deixam o presidente governar», comenta Reinaldo Castro, técnico agrícola no interior do país. «Agora estamos nas ruas contra o imperialismo porque aquí se despertou a consciência», reitera Castro que seguia com a família pelas ruas caraquenhas.

Etapa antiimperialista

Após percorrer toda a avenda Bolívar, em carro aberto, Chávez falou sobre os efeitos desastrosos que as políticas neoliberais tem provocado nos países pobres e nos últimos anos e enfatizou a necessidade de trazer novamente para o debate político em todo o mundo o tema do imperialismo: «É imprescindível falar do imperialismo que vem sendo retirado dos discursos, inclusive do debate da esquerda latinoamericana. Não se pode esquecer que de novo o imperialismo vem atropelando a vida e a dignidade dos povos», reiterou o presidente venezuelano, ao se referir a invasão estadunidense no Afeganistão e Iraque.

Com esta tônica, Chávez inaugurou uma nova etapa do governo definido por ele como revolucão bolivariana, em curso há 5 anos: «Entramos na etapa antiimperialista». O enfrentamento as ameacas estadunidenses havia sido antecipado pelo vice-presidente José Vicente Rangel, que ao lembrar o discurso de Fidel Castro, em Havana, disse que os venezuelanos vão fazer o mesmo que Cuba: «Fazer frente a qualquer agressão. Vamos lutar pela vida», enfatizou.