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O mosaico étnico e cultural, composto por arábes, estadunidenses, europeus e latino-americanos representando movimentos sociais, políticos e a comunidade estrangeira erradicada no país, atribuiu ao povo venezuelano a possibilidade de mudar os rumos do continente durante a consulta popular.

"Está em jogo o destino da América Latina. Aqui está a vanguarda da resistência, onde o poder está sendo construído pelas bases. Não podemos permitir que isso se acabe", afirmou Leonidas Iza, presidente da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie).

O artista plástico, Pave Eqüez, lembrou que a luta que se estabelece na Venezuela frente as pressões dos Estados Unidos não é algo novo. "Isso acontece com todos os países que ousam seguir uma outra via que não a da agenda neoliberal imposta pelos EUA". Para ele, se trata de uma batalha desigual. "Ameaçam a um governo que a única coisa que faz é tentar se desenvolver e defender sua soberania", avaliou o equatoriano, muralista do movimento latinoamericano Grito dos Excluídos.

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Militarização

Um dos pontos consensuais para no discurso dos representantes latinoamericanos é que além de comandar o quarto maior produtor mundial de petróleo e ser um dos principais exportadores para os EUA, Chávez têm significado uma das barreiras no continente à expansão do plano militarização do continente iniciado com o plano Colombia. "Sabemos que esse é um problema para os EUA. Ampliá-lo para Venezuela e Equador é uma das estratégias para deter o controle militar desses países, junto com a assinatura de acordos de livre comércio", analisou Pavé Eqüez.

Para fortalecer os países contra os planos de intervenção econômica e política, um dos líderes piqueteiros da Argentina, Luís Délia, fez um chamado às centrais camponesas e operárias para que negociem com os principais líderes do continente a conformação de nova aliança. "Vamos chamar Chávez, Kirchner, Lula, Evo Morales e Fidel para construir um novo caminho". Para ele, em 15 de agosto, "toda à América Latina terá que escolher entre Bush e Chávez".

Bush ou Kerry?

Para a sindicalista estadunidense Brenda Stokely, o resultado das eleições presidenciais nos EUA não sinalizam mudanças à política de Estado dos EUA para a América Latina. Para a sindicalista, os estadunidenses ainda não criaram condições para que mudanças significativas ocorram. "Não podemos eleger Bush nem Kerry. Temos que criar um outro governo que tenha uma nova agenda, que respeite a soberania dos povos, mas ainda não criamos esta alternativa. Aqui os venezuelanos sabem o que podem fazer em 15 de agosto".

Brenda denunciou a política segregacionista praticada nos EUA para com os latinoamericanos e com os negros e ironizou os ataques estadunidenses à Venezuela, quando acusam Chávez de desrespeitar os direitos humanos. "No Bronx a taxa de mortalidade infantil é igual ao Haiti, país mais pobre do continente. Não temos acesso a saúde, a educação e 75% dos trabalhadores não têm seguridade social. O que Bush combate aqui é o direito à liberdade, à democracia e o respeito aos direitos humanos, que não temos. O mesmo massacre promovido a povos de diversos países pretende ser feito com o povo venezuelano", afirmou.

"Ditadura midiática"

No encontro em que se intercalaram apresentações folclóricas das principais comunidades estrangeiras residentes no país, a deputada da Esquerda Unida Espanhola, Izaura Navarro, criticou a cobertura midiática realizada pelos meios de comunicação internacionais que a seu ver trabalham para que se desconheça a realidade venezuelana.

"Neste país existe democracia e já nos demos conta disso. É preciso enxergar o que a oposição não quer e não pretende ver. Ninguém pode duvidar que este governo é legitimo. Está nas mãos do povo ir à frente ou retroceder", disse a deputada espanhola.

O cenário criado pelos meios de comunicação que acusam o governo de arquitetar uma fraude eleitoral também foi denunciado pelo presidente venezuelano ao final do evento. Para Chávez, o poder midiático será a principal fortaleza da oposição durante a campanha eleitoral. Parafraseando o escritor uruguaio Eduardo Galeano, sintetizou: "Nunca tão poucos enganaram a tantos". Galeano, não pode participar do evento, mas enviou uma nota em solidariedade ao governo venezuelano.

Chávez lembrou que o Papa João Paulo II tem sido um dos poucos líderes que ousaram apontar a "ditadura midiática" que se estabelece no mundo. "Aqui temos assumido essa batalha, mas isso não retira a força dos adversários", enfatizou. Há cerca de um mês, João Paulo II disse no Vaticano que os meios de comunicação deveriam ser regulamentados. Para o Papa, estariam contribuindo para a destruição do mundo, da moral e do respeito à dignidade do ser humano.

Após atacar as políticas neoliberais impostas pelo governo Bush em todo o mundo, Chávez disse que o povo venezuelano "está disposto a pagar com sua própria vida" para que a Venezuela se mantenha livre.