JPEG - 18.4 kb

O mandato de Hugo Chávez foi ratificado por 4.991.483 (58,25% ) de votos pelo "não", contra 3.576.517 votos (41,74%) para o "sim" da oposição em uma parcial de 8,568 milhões de eleitores no que foi considerada a eleição com maior participação da história do país.

Enquanto Chávez esperava o anúncio oficial do CNE para falar à nação, milhares de pessoas comemoravam a vitória do presidente dentro e fora do Palácio Miraflores, que esteve cercado pela população durante todo o dia.

"A partir de hoje começa uma nova etapa que implica aprofundar a luta contra a pobreza, com a construção de um novo modelo econômico", assegurou o presidente após entoar junto com seus apoiadores o contudente hino nacional.

Em tom reconciliador, Chávez pediu um reconhecimento aos venezuelanos que optaram pelo "sim" porque manifestaram a sua vontade e convidou a todos a "tomar consciência que o projeto que avança no país não os exclui (...) A Venezuela mudou para sempre, não há passo para tráz ".

Para acalmar os mercados internacionais que foram abrigados a torcer por uma vitória de Chávez temendo um desestabilização nos preços do petróleo, o presidente do quarto maior exportador de petróleo mundial anunciou que seguirá enviando suas cotas do produto, regularmente.

Fraude para evitar desmoralização

Imediatamente ao anúncio do CNE a oposição afrimou que não reconheceria os resultados e acusou o governo de fraude. De acordo com seus números, o "sim" ganhou por 59,4% contra 40,6% para o "não". "A presença da multidão nas filas e a alegria delas dá para saber para quem votariam", afirmou o porta-voz da CD, Henry Ramos Allup

Esse é um dos reflexos da tentativa de deslegitimar o poder do órgão eleitoral. Durante todo o dia, a oposição acusou o CNE de ser respionsável pelas quilétricas filas e questionou sua capacidade de condução do processo eleitoral.

Chávez por sua vez, após votar no bairro popular 23 de janeiro, disse que aceitaria os resultados do arbitro eleitoral, independente do resultado

O Centro Carter e a Organização dos Estados Americanos (OEA) ainda não se pronunciaram. As informações que circulam entre os setores da oposição é que a Coodenadora Democrática está negociando com o secretário-geral da OEA, César Gavíria, para intermediar um suposto acordo com o governo.

A oposição resiste a aceitar mais uma derrota e sua última cartada constitucional para tentar tirar do comando do país o presidente eleito em 1998, que segurá no comando do país até 2006.

Vitória popular

A maioria dos venezuelanos que ficaram até 9 horas na fila para votar foi brindada com a vitória comemorada com a intensidade de quem se sente parte da história, de mais uma página escrita pelo povo.

"Batalhamos para manter o nosso governo e conseguimos. As pessoas saíram a votar porque agora vêm os resultados de nossa democracia participativa", afirma o operário Luiz Roberto Gonzalez. Para ele, a vitória de Chávez é a vitória de "toda" a América Latina.

Enquanto Chávez falava sobre a expectativa de que a partir de agora o governo dos Estados Unidos interrompa sua ingerência no país e "respeite a soberania venezuelana", uma forte chuva se misturava às lágrimas dos apoiadores do presidente, gente visivelmente simples, que vêm nesse governo a esperança de inclusão.

O dia clareou e os chavistas que estão despertos à mais de 24 horas seguiram pelas ruas comemorando ao som do cantor Ali Primera. "Vamos comemorar uma semana, como fazem os brasileiros no carnaval", comentou a estudante Janaína Cortez