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Na abertura da 18ª cúpula do Grupo do Rio, dia 4, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convocou os países da América Latina e do Caribe a atuarem "conjuntamente" na reconstrução do Haiti, pela reforma do Conselho de Segurança da ONU e contra "práticas discriminatórias" do comércio mundial. De acordo com o presidente brasileiro o país acredita na renovação e fortalecimento do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Nossa região tem um histórico compromisso com a solução pacífica de controvérsias. A presença de países em desenvolvimento entre seus membros permanentes é fundamental para assegurar a legitimidade e representatividade dos órgãos dedicados à segurança coletiva" discursou o presidente brasileiro. Lula lembrou que "estabilização e reconciliação são tarefas complexas, como a história do Haiti nos ensina". Em junho, as tropas brasileiras assumiram o controle da missão de paz enviada ao país como parte das ações do Itamarati para conquistar a cadeira no Conselho de Segurança.

"Queremos um consenso político. Não pode é continuar como está, com a economia devastada e instituições políticas frágeis. Os países doadores querem investir US$ 1,2 bilhão, mas no passado o Haiti recebeu verba e ela sumiu. Hoje pedem garantias e é preciso de projetos, de estabilidade", avaliou o assessor especial da presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, que viaja para o Haiti nas próximas horas para avaliar a situação do país. Apesar de ser tema consensual de preocupação dos chefes de Estado presentes no encontro, a estratégia das Nações Unidas para ajudar a reestabelecer a paz no país foi criticada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. A se ver, a ONU "repete esquemas já fracassados anteriormente no mundo".

"Eu apoio a invasão no Haiti. Apoio uma invasão de médicos, de professores para dar a eles (haitianos) as ferramentas para fortalecer sua própria democracia", disse o presidente venezuelano. Chávez propôs a convocação de uma assembléia constituinte para refundação do Estado haitiano. "O único caminho para dar soberania ao povo haitiano é através de um processo constituinte (...) o governo atual carece de legitimidade por ter sido imposto pelos Estados Unidos", afirmou Chávez, se referindo ao derrocamento de Jean Bertrand.

A declaração final da cúpula tratará de um termo de cooperação com o Haiti, o multilateralismo e consolidação da democracia nos países latinos e caribenhos, apoio ao combate à fome e à miséria e às conturbadas situações políticas atuais no Equador e na Nicarágua.