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Liderados por Richard Stalmann, o pai da tecnologia GNU-Linux, representantes de Argentina, Brasil, Espanha, Espanha, Estados Unidos, Venezuela e Uruguai, debateram sobre o desenvolvimento e a importância do software livre, o conceito de copyleft e propriedade intelectual.

Para o coordenador do Fórum, Ricardo Strusberg, discutir a liberdade no uso de tecnologias e de software é necessariamnete discutir soberania dos países. "Temos que cortar todos os caminhos que possam interferir na nossa soberania. Manter as empresas que monopolizam os sistemas de informação é um ataque à Constituição de nosso país". afirma. A seu ver, o acesso ao software livre é o caminho mais curto para romper com a barreira da exclusão digital.

Um estudo da Câmara Venezuelana de Comércio Eletrônico (Cavecom-e) revela que no país existem apenas apenas 1,78 milhões de usuários ( 6,8% da população) e que 47% dos venezuelanos nunca tiveram acesso à rede.

De acordo com Antonio Albuquerque, representante brasileiro do Ministério de Comunicações, Brasil e Venezuela firmarão um convênio de cooperação para a ampliar a criação de infocentros nas comunidades das periferias de ambos países. "Temos que começar a desenvolver tecnologias voltadas para solucionar os problemas do nosso povo baseado na soberania e deixar de olhar para o 1º mundo como único caminho", afirma.

Política pública

Para Albuquerque é tarefa dos governos estabelecerem políticas públicas para criar a tecnologia independente patra confrontar ao que chama de "interesses de mercado" em benefício da população. "A discussão passa pela democracia. A tecnologia pode levar à liberdade ou à marginalidade do povo. É uma decisão do Estado", afirma. Há dois anos o governo brasileiro adotou o uso do software livre na administração pública.

A Venezuela caminha para o mesmo caminho. No início de outubro o presidente Hugo Chávez anunciou como política de Estado o uso de software livre em todo o país. O projeto de lei tramita na Assembléia Nacional. Por enquanto os infocentros que estão sendo criados pelo governo ainda mantém um sistema “misto” de softwares, entre o privado, a partir de um acordo com a Microsoft e o programa livre. Outro resultado do Fórum que segue na esteira da integração Sul-Sul adotada por Chávez e por seu homólogo Luiz Ignácio Lula da Silva, os dois países acordaram em levar o modelo de criação de infocentros para a India. De acordo com Ricardo Strusberg, os projetos devem ser implementados até maio de 2005.

Ao que tudo indica o próximo Fórum Mundial de Tecnologia Livre ocorrerá no Brasil no próximo ano. De acordo com os organizadores é preciso avançar em parcerias e convênios que possam ultrapassar as políticas de Estado, já que somente Brasil e Venezuela puderam firmar acordos por terem representação governamental no encontro. "Pretendemos estabelecer uma dinâmica de discussão para avançar neste processo, que sabemos, não tem mais volta", afirmou Corinto Meffe, representante da delegação brasileira.