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O ex-presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, está hospedado desde ontem no Hotel de Trânsito de Oficiais do Quartel General do Exército Brasileiro, em Brasília, até o seu visto ser regularizado. Está acompanhado da mulher Ximena Bohórquez e da filha mais nova do casal, Viviana Estefanía, de 15 anos. Hoje deverá ser recebido pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para tratar da formalização do pedido de asilo político.

No Brasil, o asilo é concedido por um período de dois anos com possibilidade de prorrogação. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tenha concedido previamente o aval, o requerimento formal ao Ministério da Justiça ainda é imprescindível. Segundo o ministério, o Brasil abriga atualmente dois asilados políticos: o ex-presidente do Paraguai general Alfredo Stroessner, que vive em Brasília, e o ex-chefe da Polícia Secreta do Haiti, coronel Albert Pierre, que está em São Paulo.

Porém ainda há possibilidade de extradição a qualquer momento. O salvo-conduto concedido pelo governo do Equador para garantir a integridade física até o aeroporto e autorizar o ex-presidente Lucio Gutiérrez a deixar o país prevê, em seu último parágrafo, o direito do solicitar a imediata extradição do político. O documento foi concedido ainda na sexta-feira, mas foi mantido em sigilo para evitar manifestações de cerca de 120 equatorianos que estavam em vigília defronte à embaixada brasileira.

E a estratégia deu certo. O percurso de 80 quilômetros entre a embaixada brasileira em Quito e a base aérea de Latacunga foi realizado de madrugada e com muita tranqüilidade.

OEA envia missão

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) vai enviar uma missão ao Equador para ajudar na consolidação da democracia no país. A decisão foi tomada com base na Carta Democrática Interamericana e em convite feito pela delegação equatoriana durante a sessão realizada na capital norte-americana, Washington. A missão será composta pelo secretário-geral interino, embaixador Luigi R. Einaudi, o presidente do Conselho Permanente e embaixador do Peru na organização, Alberto Borea, e representantes dos grupos sub-regionais.

Gutiérrez está sendo acusado pela população equatoriana de ter autorizado o endurecimento da ação policial contra manifestantes que pediam a sua saída nos últimos dias. Centenas de equatorianos ficaram feridos durante os confrontos com os policiais, e pelo menos uma morte foi registrada - a do fotógrafo Julio Garcia.

Lucio Gutiérrez foi o terceiro chefe de Estado em menos de dez anos a ser deposto no Equador. Além de Jamil Mahuad, que foi destituído em 2000, em 1997, o ex-presidente Abdalá Bucaram também foi deposto seis meses antes de terminar o mandato, depois de sofrer impeachment do Congresso.

Adital