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Merecem atenção dois fatos da política externa brasileira: a concessão do refúgio ao ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez, uma tradição da diplomacia latino-americana, e a visita ao Brasil da secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, que, além da fala mansa, traz o big stick na bagagem.

A semana é marcada por dois fatos de política externa: o asilo concedido ao ex-presidente do Equador e a visita da Sra. Condoleeza Rice a Brasília. Houve quem criticasse a atitude do Brasil e há mesmo rumores de que o governo argentino queria ser ouvido, antes da concessão do refúgio a Gutiérrez. Ora, o direito de asilo, na tradição política latino-americana, tem sido sagrado - e respeitado.

Em um continente em formação, com Estados nacionais ainda indecisos institucionalmente, o direito de asilo é uma espécie de seguro coletivo. Nós, os brasileiros, dele temos sido beneficiados, ao longo do tempo. As inquietações políticas da Independência levaram a sua maior figura - José Bonifácio, ao exílio na França. A República começa com o banimento da família real e de um estadista da altura de Gaspar da Silveira Martins. D. Pedro II e o grande parlamentar gaúcho encontraram asilo na mesma França que acolhera José Bonifácio.

Todas as gerações republicanas conheceram o exílio. Houve exilados da Revolução da Armada, dos movimentos de rebeldia dos anos 20, da Revolução de 30, do Estado Novo e, de forma mais extensa e mais grave, durante os 21 anos de regime militar. O mesmo Brasil, que concedeu o asilo a Gutiérrez, concedeu-o antes a Stroessner. A mesma Argentina que, aparentemente, se encontra melindrada por não ter sido ouvida, foi o destino de centenas de exilados brasileiros, entre eles o presidente João Goulart, que ali morreu.

A visita de Condoleeza Rice, que chega nesta terça (26) ao Brasil, é assunto mais importante. A secretária de Estado vem com um discurso brando, em que nos lisonjeia com a declaração de que somos responsáveis e saberemos usar a energia nuclear apenas para fins pacíficos.

Mas, cem anos depois do presidente Theodore Roosevelt, a dirigente norte-americana segue a sua orientação clássica: vem com a palavra mansa e o big stick na bagagem. Entre outras coisas, a secretária de Estado, cujo nome dizem vir do italiano “Condolcezza”, ou seja, “com doçura”, cobrará do governo maior firmeza no combate a supostas atividades terroristas em Foz do Iguaçu, e reclamará ações internas preventivas contra a emigração clandestina para os Estados Unidos.

Não é mera coincidência com a visita da Sra. Rice a prisão maciça de brasileiros na fronteira com o México e a informação, “vazada”, de que entre eles se infiltram supostos terroristas da Al Qaeda.

A adúltera afegã

Os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, e o ocupam até hoje, entre outros pretextos, para libertar o seu povo do fundamentalismo dos talebãs, que cortavam a mão dos ladrões e matavam a pedrada os adúlteros. Noticia-se que uma adúltera afegã, de 29 anos, foi apedrejada até a morte no interior do país.

Agéncia Carta Maior