A mais nova sensação da vida política nacional é a transmissão, aos domingos, pela TV Comunitária de Brasília, do Alô Presidente, programa semanal de seis horas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Nele, Chávez discute, de maneira franca e humorada, todos os problemas do seu país e de todos os países sul-americanos. Virou pauta obrigatória da mídia brasileira.

No domingo, 24 de abril, por exemplo, suas declarações levadas ao ar pela TV Comunitária chamaram a atenção da classe política. A TV Globo, no Bom Dia Brasil, de segunda, 25, repetiu as imagens do presidente venezuelano, que disse que investigava possíveis ações de espionagem de militares estadunidenses. Se confirmadas as suspeitas, ele não titubearia e expulsaria os militares dos Estados Unidos, o que acabou acontecendo.

Diplomaticamente, Hugo Chávez debateu com os ouvintes a queda do presidente do Equador, Lucio Guitiérrez. Que explicou como "quartelada" parlamentar, que se traduziu na retirada de apoio das Forças Armadas ao presidente eleito. Irritado, Chávez bradou que, em uma democracia, os militares não têm o direito de subtrair o apoio a um presidente da República Dispõe de tal direito somente o povo, razão pela qual as Forças Armadas devem estar a serviço do povo.
Nesse sentido, Chávez reiterou sua decisão de formar um exército popular sob coordenação das Forças Armadas da Venezuela. É uma alternativa para proteger os interesses do país, destacou, e representa um novo fato político na América Latina, a união das Forças Armadas com o povo.

Ao colocar Chávez e suas opiniões em noticiário nacional, a Rede Globo não apenas acusou a importância da TV Comunitária de Brasília, crítica ao governo Lula, mas obrigou-se a transmitir opiniões divergentes para o embate de idéias. Assim, Chávez acabou levando a Globo a democratizar a sua própria cobertura.

Brasil de Fato