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O presidente Fidel Castro afirmou nesta sexta (29) que é "ridícula" a acusação americana de que Cuba e Venezuela estariam "desestabilizando" a região por avançar no projeto de integração regional Alba, e disse que esse acordo deixará uma "marca na história". Castro e Chavez participaram, na noite de quinta, do ato de encerramento da Primeira reunião para a aplicação da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), o projeto integralista que se opõe à ALCA.

“É ridículo dizer que estamos desestabilizando outros países da América Latina. Em que estamos desestabilizando? Fazer algo bom é desestabilizar? Os que estão se desestabilizando são os que nos qualificam de desestabilizadores porque viram que não somos esse jardim traseiro, que não somos uma etnia inferiorNestes anos, a ALCA não fez nada ou fez o que devia fazer: desaparecer. O que fica são pedaços, retalhos, acordos bilaterais. O que a Alba fez em quatro meses já deixará uma marca na história para sempre", afirmou Fidel.

O governante respondeu a declarações do ex-Secretário de Estado adjunto dos EUA para a América Latina, Otto Reich, que propôs que os Estados Unidos "detenham" o "eixo" Havana-Caracas que "ameaça a estabilidade" da região. "Se há algo que se pareça ao fascismo, a políticas genocidas, não são as do presidente Chávez nem de Castro, não são da Venezuela nem de Cuba", acrescentou o presidente cubano.

No primeiro dia do encontro entre Chávez e Fidel, os dois governos assinaram 49 acordos, cartas de intenção, memorandos de entendimento, contratos e acordos bilaterais. Os convênios incluem a abertura de mais de 600 salas médicas na Venezuela ainda este ano, que fornecerão serviços gratuitos de saúde, e a formação de 40 mil médicos e cinco mil especialistas venezuelanos com apoio do governo de Cuba, que também fornecerá apoio através do envio de cerca de 30 mil médicos e trabalhadores da saúde à Venezuela.

Por outro lado, a Venezuela está enviando entre 80 e 90 mil barris diários de petróleo a preços preferências a Cuba, número superior aos 53 mil acertados no acordo de 2000. Chávez, que termina hoje sua atividade oficial em Cuba, participa com Fidel em uma jornada do Encontro da Luta contra a ALCA, da qual participam mais de 900 delegados de 36 países.