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Enquanto seus países registravam protestos e marchas, os presidentes de seis nações da América Central cumpriram uma missão pouco soberana: foram aos Estados Unidos pressionar os congressistas locais a aprovarem o Tratado de Livre Comércio da América Central (Cafta, na sigla em inglês).

Participaram da excursão Abel Pacheco (Costa Rica), Oscar Berger (Guatemala), Ricardo Maduro (Honduras), Enrique Bolaños (Nicarágua), Elías Antonio Saca (El Salvador) e Leonel Fernandez. (República Dominicana).

A negociação para implantar na região o mesmo projeto neoliberal da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) segue avançada, mas longe de ser concluída. O acordo já foi assinado pelos presidentes dos países envolvidos, mas apenas os deputados de El Salvador, Honduras e Guatemala ratificaram a decisão.

A viagem foi idealizada pelo presidente estadunidense, George W. Bush, que enfrenta dificuldades para aprovar o Cafta no Congresso. A correlação de forças é desfavorável ao republicano, pois tem a oposição dos deputados democratas e da bancada ruralista que teme perder se os Estados Unidos reduzirem impostos para produtos como o açúcar. Segundo estimativas publicadas na imprensa estadunidense, 255 congressistas se opõem ao Cafta. Para aprová-lo, Bush precisa de 218 votos em um universo de 435 deputados.

Impactos

Para convencer os parlamentares, o presidente estadunidense discursou dizendo que o Cafta é "uma oportunidade histórica, um mercado de 44 milhões de consumidores que compra mais produtos dos Estados Unidos do que a Austrália ou o Brasil". A oposição reagiu. Sindicatos locais e membros do Partido Democrata afirmaram, em protestos, que a iniciativa "aumentaria a pobreza e faria mais ricas as transnacionais". A ONG Public Citizen, que participa de campanhas contra o livre-comércio, divulgou que o Cafta terá o mesmo efeito negativo do Tratado de Livre Comércio do Atlântico Norte (Nafta). Esse acordo arruinou 28 mil pequenas empresas e fechou 2,5 milhões de postos de trabalho nos Estados Unidos. A maior central sindical do país, a AFL-CIO, também está contra o acordo.

Na Nicarágua, organizações sociais, sindicatos e até empresários planejaram intervenções públicas para manifestar seu descontentamento. "A igualdade comercial do acordo será similar à que existe entre um tigre solto (Estados Unidos) e um burro amarrado (o povo)", comparou o sociólogo Orlando Nuñez para o endereço eletrônico Prensa Latina. Na Costa Rica, dia 16, houve uma massiva manifestação nas ruas da capital. Já na República Dominicana, o Fórum Social Alternativo organizou mobilizações contra o presidente Leonel Fernández e preparam, para 14 de junho, uma jornada simultânea de protestos por mudanças na economia do país.

Já na Guatemala, os movimentos sociais acusam o presidente Oscar Berger de reprimir os protestos contra o Cafta. A novidade, agora, são as ordens de busca e apreensão na sede das organizações. Em 7 de maio, invadiram a Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (CNOC) e levaram 15 computadores e documentos internos. Outras três entidades também sofreram a mesma ação. Em 17 de março, um cidadão foi morto pela polícia durante os protestos contra a assinatura do Cafta. (Com agências internacionais).

Brasil de Fato