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A insatisfação popular na Bolívia continua empurrando diversos setores sociais para a mobilização. Dia 23 de maio, o principal dirigente da oposição, Evo Morales, liderou uma marcha pela unidade do país e contra qualquer tentativa de golpe de Estado. Cerca de 15 mil camponeses indígenas caminharam 200 quilômetros até chegar à capital. O Movimento Ao Socialismo (MAS) deu prazo de até o próximo dia 30 para o Congresso convocar uma Assembléia Constituinte.

"Quando se trata dos problemas da oligarquia, o Congresso resolve a questão em um dia, mas o mesmo não ocorre quando falamos de modificações profundas, com princípios de equilíbrio", avaliou Morales sobre a demora dos parlamentares em convocar a Assembléia - compromisso assumido com o povo em outubro de 2003, na derrubada do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada.

Houve, também, outra manifestação numerosa em La Paz, detonada por vendedores ambulantes, sindicalistas e mineiros que reivindicaram a nacionalização dos hidrocarbonetos. Em El Alto, porção pobre da capital boliviana, o sindicato dos comerciantes iniciou uma paralisação temporária e, junto com professores em greve por melhores salários, mantém um bloqueio das principais vias que cortam La Paz.

Demandas

O estopim desse novo levante popular foi a aprovação de uma lei que eleva para 18% a cobrança de royalties (direito de licença) sobre os lucros das petrolíferas, como a estatal brasileira Petrobras, e para 32% os impostos cobrados. Setores da esquerda bolivana, como o MAS, defendem que os royalties sejam de 50%. Já a Central Obrera Boliviana (COB) quer a nacionalização do negócio do gás e do petróleo. Há também divergências sobre que estratégia seguir. O MAS é a favor da pressão sobre o Congresso, enquanto a COB exige o fechamento do Parlamento e a expulsão do presidente Carlos Mesa.

As Forças Armadas, por sua vez, rejeitaram os boatos de que estaria sendo articulado um golpe militar contra o presidente Carlos Mesa. Ativistas de El Alto afirmam que Hormando Vaca Diez, presidente do Congresso, seria um dos responsáveis da trama. Em comunicado, os militares disseram ainda que não vão permitir nenhuma decisão que viole a Constituição.

Foi um recado a outro expediente da direita para manter seus benefícios. A elite de Santa Cruz, os cruceños, convocou um referendo sobre a autonomia da província para 12 de agosto. A oligarquia de Tarija, onde fica a mais importante reserva de gás da América do Sul, também fez o mesmo. Ambas as iniciativas tentam aprovar uma legislação que garanta autonomia às províncias e não as obrigue a adotarem possíveis conquistas que os movimentos sociais possam ter em uma Assembléia Constituinte, como o direito dos indígenas de se beneficiarem da extração do gás.

Brasil de Fato