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Em meio a manifestações ocorridas nas principais cidades dos Estados Unidos e da Venezuela, um tribunal de imigração estadunidense postergou para 24 de junho a audiência que decidirá se o terrorista Luis Posada Carriles poderá aguardar em liberdade o seu julgamento, previsto para 29 de agosto.

O advogado de defesa Eduardo Soto solicita a transferência do acusado para ser julgado por um júri em Miami, centro de concentração da direita cubano-estadunidense.

O cubano anticastrista, acusado de ser o responsável pela explosão de um avião cubano que causou a morte de 73 pessoas, em 1976, será julgado pelos tribunais estadunidenses por violar as leis de imigração e não por terrorismo, como exigem os governos de Cuba e da Venezuela. Se o tribunal o considerar culpado pelo ingresso ilegal nos EUA por meio da fronteira do México, Carriles poderá ser deportado. A dúvida é se o governo estadunidense considerará o pedido de extradição à Venezuela, solicitado pelo presidente Hugo Chávez.

O governo George W. Bush qualificou como "mal fundamentada" a solicitação de Caracas para a extradição de Carriles e já negou um primeiro pedido. Outro argumento utilizado pelo governo estadunidense é de que a Venezuela poderia entregar Carriles aos tribunais cubanos depois da sua extradição. Para garantir imparcialidade e justiça no julgamento, o governo de Cuba já afirmou que se nega a receber o terrorista.

Enquanto isso, em várias cidades estadunidenses, centenas de manifestantes convocados pelo Comitê Contra a Guerra e o Racismo saíram às ruas em várias cidades do país exigindo do governo dos EUA: "Extraditem Posada Carriles para a Venezuela", "Para um assassino em massa, asilo não" e "Parem com a guerra de 45 anos contra Cuba".

Na Venezuela, centenas de manifestantes se reuniram em frente do Ministério de Relações Exteriores para entregar mais de 50 mil assinaturas recolhidas em todo o país em um campanha pela extradição de Carriles.

Um grupo de deputados venezuelanos viaja esta semana a Washington para entregar às autoridades uma resolução da Assembléia Nacional exigindo a extradição de Carriles. Os parlamentares entregarão um documento à Organização dos Estados Americanos (OEA), no Congresso e no Departamento de Estado, exigindo o cumprimento de um acordo de extradição firmado em 1922, entre os dois países.

Para proteger o anticastrista, o governo de Bush opta por não aplicar a Lei Patriótica, criada após os atentados de 11 de setembro, a qual proíbe a entrada nos EUA de pessoas vinculadas ao terrorismo. Criticada pelos cidadãos estadunidenses como uma ferramenta de cerceamento da liberdade, a lei é apenas um dos instrumentos utilizados interna e externamente para justificar as invasões e ingerências dos EUA nos demais países, em nome do combate ao terrorismo.

A história de Carrilles traz à tona as práticas promovidas pelos EUA para controlar a América Latina e derrocar governos populares na região. Um dos temores do governo estadunidense para não extraditar o anticastrista é de que Carriles poderia fazer importantes revelações sobre a atuação da CIA e a ligação dos Estados Unidos com o período das ditaduras latino-americanas e das operações anticuba.