JPEG - 18.7 kb
Bráulio Alvarez

Bráulio Alvarez, um dos mais importantes líderes camponeses da Venezuela, foi vítima de um atentado, no dia 23 de junho. Alvarez regressava de uma reunião com cooperativistas produtores de café quando foi interceptado em uma rodovia no interior do Estado de Yaracuy por dois homens encapuzados, que lhe dispararam dois tiros à queima-roupa.

Ainda hospitalizado, ferido na perna e no ombro, o líder camponês contou à reportagem do Brasil de Fato que há meses recebia ameaças de morte dos dois principais latifundiários da região. Para Alvarez, integrante da Coordenadora Agrária Nacional Ezequiel Zamora (Canez), a ofensiva dos latifundiários é uma tentativa de frear a organização dos camponeses e, principalmente, intimidar as ações do governo no que se refere ao resgate de terras improdutivas.

A partir de 2001, quando foi outorgada a Lei de Terras, a violência contra os camponeses recrudesceu. Segundo a Canez, 138 camponeses foram assassinados desde então. O sicariato (versão venezuelana dos nossos jagunços) tem vitimado, em média, um trabalhador rural por semana.

Na avaliação de Miguel Angel Nuñez, assessor do despacho presidencial para temas agrícolas, a violência dos latifundiários, a desorganização dos camponeses e a leniência do Estado são uma combinação capaz de armar o "inimigo" e os setores contra-revolucionários que pretendem aniquilar, ainda que sem possibilidades reais, uma reeleição de Chávez em 2006. Para conseguir reduzir a popularidade do presidente, que hoje ultrapassa os 70%, setores da oposição representando os interesses de Washington tentam inviabilizar iniciativas reais de transformação social.

Nuñez alerta que paramilitares colombianos estão sendo infiltrados em organizações camponesas para impedir o avanço da reforma agrária.

A ausência do Estado - no que se refere à seguranca no campo - e a lentidão na entrega de terras às cooperativas agrícolas também geram descontentamento. Está previsto para 10 de julho uma marcha nacional camponesa até a capital Caracas para exigir o avanço da "revolução agrária" proposta por Chávez.