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Em 2001 foi Nova York, em 2004 Madri. E agora Londres. Parece que a agenda do terror ainda tem longa lista de espera macabra, da qual constam Dinamarca, Itália e outros países da Europa. Parece que o terror resolveu não dar mais um minuto de paz e sossego ao Ocidente.

Um a um vão saltando pelos ares capitais de países que apoiaram a invasão do Iraque, o ataque ao Afeganistão etc. E novamente a Al Qaeda e a figura misteriosa e inencontrável de Osama Bin Laden assumem a autoria do atentado. Parece que, realmente, como disse o Presidente francês, Jacques Chirac, ao comemorar o 14 de julho, data da queda da Bastilha, "nenhuma nação do mundo está livre de sofrer atentados terroristas como os deflagrados na semana passada em Londres."

Na comemoração da data nacional francesa, foram feitos dois minutos de silêncio em homenagem às vítimas do atentado. Em Londres, uma multidão fez silêncio e reverenciou as vítimas que já somam 54, sem contar os mais de 700 feridos graves que ainda se encontram hospitalizados. Exatamente ao meio-dia, por dois minutos, as pessoas deixaram seus escritórios e ocuparam as ruas em silêncio, e táxis e ônibus paravam. Nos aeroportos, os aviões desligaram seus motores e retardaram as decolagens. Em meio à dor e à consternação dos cidadãos britânicos que choravam seus mortos, cartazes se levantavam como uma maré branca, pedindo paz.

Centenas de pessoas se reuniram na estação King’s Cross, local de uma das explosões provocadas por um grupo de jovens muçulmanos, todos britânicos de famílias paquistanesas que vivem no Norte da Inglaterra.

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, observou o momento de silêncio no jardim do seu gabinete, no número 10 de Downing Street. A rainha Elizabeth II estava no seu palácio de Buckingham e fez o mesmo. Na Escócia, os golfistas do 134º. Torneio Aberto da Grã-Bretanha fizeram uma pausa nos gramados do campo de Saint Andrews. Também houve homenagens em Madri e Bali, lugares atingidos por graves atentados da Al-Qaeda nos últimos anos, e em cidades de toda a Europa. O Papa Bento XVI, de férias nos Alpes italianos, rezou pela paz.

O que mais se pode fazer a não ser rezar? A quem mais se pode dirigir o olhar dolorido e perplexo senão ao Criador de todas as coisas, esperando de sua parte um sinal que, se não explicar o inexplicável, ao menos ajude a suportá-lo? A quem mais suplicar, de quem mais esperar?

Enquanto as bandeiras e cartazes que imploram paz se levantam em Londres e o mundo faz silêncio pensando nas vítimas, os explosivos do terror se perfilam e alinham para mais um atentado. Mais uma vez, em algum momento que não sabemos qual será, bombas explodirão atirando ao ar pedaços de corpos humanos destruídos e vidas destroçadas. Mais uma vez a Al Qaeda e Osama Bin Laden assumirão a responsabilidade dos atentados declarando estar lutando contra o Grande Satã e sendo fiéis a Alá. Mais uma vez o culto ao Deus verdadeiro será invocado para legitimar a barbárie e a morte.

Enquanto espera, crispada, onde será o próximo atentado, o Ocidente se encolhe e vigia. Os serviços de informação não dormem, as medidas de segurança triplicam, decuplicam, em aeroportos, estações ferroviárias, cruzamentos...Todos esperam a qualquer momento o esperado atentado que, no fundo, sempre será inesperado. Todos esperam e sabem que virá... e esperam ser poupados. Que não atinja meus filhos, meus parentes, meus amigos. Que não atinja a mim.

Enquanto isso, os sinos dobram e não param de dobrar, avisando que mais vítimas serão enterradas sob a violência do terror cego e insano que a nada poupa. E as grandes potências continuarão a fazer reuniões onde tomarão decisões de retaliação sem dar-se conta de que todas as nações do mundo estão ameaçadas. Que ninguém mais pode dormir tranqüilo, pois a serpente da violência está solta pelo mundo e nenhum ser humano, nenhum país, nenhum grupo está livre de sua mortífera ação.

Todos voltam o olhar para as vítimas dessa vez e por elas fazem silencio. Mas não sei se todos ou mesmo muitos se dão conta de que, embora estejam vivos, já podem ser contados entre as vítimas. Não se dão conta de que, como no poema de John Donne "os sinos dobram por ti". Dobram por nós, por nós todos, que de repente nos vemos sem amanhã e não somos capazes de investir no hoje para que o amanhã possa nascer para outros.