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É notória a inconformidade doentia de George W. Bush - ou "Mr. Danger", como o presidente Hugo Chávez perspicazmente o nominou durante a sessão de lançamento da ALBA em Cuba em abril passado - com a legitimação crescente de Chávez na sociedade venezuelana, assim como em relação às políticas que o governo Chávez está implementando tanto em âmbito interno quanto no contexto internacional.

A política externa norte-americana em relação à Venezuela é tratada cuidadosamente como uma questão de Estado conduzida de modo prioritário pelo governo Bush. Tanto que a participação de órgãos, agentes e instituições estadunidenses em episódios marcantes da vida política e institucional da Venezuela é reconhecida e comprovada fartamente. A começar pelo fracassado golpe de estado de abril de 2002, que fora apoiado financeira, material e operacionalmente pela embaixada norte-americana em Caracas e monitorado diretamente em Washington.

Desde então, com a restauração da ordem constitucional e o retorno de Chávez ao poder, o governo norte-americano não cessa os ataques, ameaças, táticas e ações sistemáticas que visam desestabilizar aquele país e criar um clima artificial de caos político e institucional, o que justificaria, obviamente, sua intervenção "salvacionista" ou uma intromissão indevida naquele país através da OEA. Bush tampouco oculta a hostilidade que nutre em relação a Chavez e a disposição (ou obsessão) política, militar, econômica ou diplomática em interromper a continuidade do processo bolivariano, que cada vez mais se afirma como importante referência da luta anti-imperialista e anti-neoliberal no mundo.

A campanha anti-Chávez é escancarada: Condollezza Rice e Donald Rumsfield incursionam pelo mundo fazendo proselitismo contra o presidente venezuelano, contra a revolução bolivariana e contra as políticas soberanas adotadas pelo país. A qualquer crise ocorrida em qualquer país do hemisfério, como recentemente na Bolívia e no Equador, Bush apressadamente e paranoicamente acusa o governo Chávez de responsabilidade nas revoltas populares e também de estar exportando a revolução bolivariana no continente.

Estes discursos e práticas emboloradas, típicas do período macarthista, encontram explicação na conjuntura política do continente e no papel jogado pela Venezuela no atual contexto. A paisagem geopolítica se alterou substancialmente nos últimos anos com a eleição de governos que diminuíram em muito a influência geopolítica norte-americana na região, diferentemente dos anos 90, quando havia uma incontestável hegemonia de governos neoliberais e dóceis aos interesses e projetos imperialistas.

E é evidente que a Venezuela desempenha um papel chave em toda esta nova dinâmica continental, pois além de exercer forte liderança e estimular a integração solidária entre as nações latino-americanas, é a experiência que melhor expressa a aplicação de um ideário diametralmente oposto ao neoliberalismo e de enfrentamento à dominação unipolar e imperial exercida pelos EUA.

E o governo venezuelano toma medidas essenciais nesta direção, sendo que a criação da Telesur, em consórcio com a Argentina, Cuba e Uruguai, é um passo fundamental para fortalecer a identidade latino-americana, para colaborar com uma verdadeira e humana integração regional, assim como permitirá a democratização da informação em contraposição ao controle monopólico exercido pelos grandes conglomerados de comunicação.

A reação não só do Poder Executivo, como do congresso norte-americano - por isso uma questão de Estado! - a este projeto da Telesur foi imediata. Está tramitando no parlamento um projeto que prevê a emissão de “sons e imagens especiais” para a Venezuela com o objetivo de fazer “um contraponto à propaganda antiamericana de Chávez”. Seriam 30 minutos de uma programação especial destinada a tentar “neutralizar” a programação da Telesur.

É um escândalo. É, efetivamente, a prática de um terrorismo virtual, de um terrorismo de ciberespaço que tem um sentido estratégico e semiótico, pois visa atacar exatamente o que há de mais fundamental na formação de consciência pública em sociedades massificadas e complexas como as atuais, que são os sistemas de comunicação. Este terrorismo semiótico visa impedir a liberdade de informação e a construção da cultura e da identidade latino-americana por fora da pasteurização estadudinense e dos valores pobres da globalização neoliberal.

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