JPEG - 22.1 kb

Assim como José Mindlin, o Presidente Lula e a maioria da população do planeta, acredito que, ainda que eles estivessem indubitavelmente certos sobre as "armas de destruição em massa" de Saddam Hussein (não estavam, como ficou comprovado), nada justifica tal ato e, portanto, a única atitude correta seria a que a agressão tivesse sido evitada. Vou me deter a discutir aqui alguns dos pontos menos debatidos deste conflito, suas possíveis repercussões, e os termos que têm sido usados indiscriminadamente para justificar tais ações.

Estamos vivendo mais uma crise mundial. Esta não é sem precedentes, pois outras igualmente graves já ocorreram na nossa curta história sobre a terra. Esta é, no entanto, diferente das outras. Pelo seu tamanho, pela sua forma, e por suas possíveis repercussões. Por isso, é importante apresentar perspectivas concretas sobre o assunto. Apresento as minhas não como expert em guerra, ou particularmente treinado ou pós-graduado em nenhum dos assuntos acima. Mas como ativista, estudioso das relações humanas, observador de política e habitante deste planeta, que só tem a perder com este conflito.

Recentemente Noam Chomsky disse algo que já me havia ocorrido, mas que eu hesitava em expressar. Chomsky, cidadão nato nos EUA, expressou que talvez a Coréia do Norte seja a única coisa que nos separa da escravidão completa ao sistema de ditadura mundial que o seu país ora nos querem impor. É incrível imaginar hoje, mas a guerra fria, parece, trazia consigo algum beneficio afinal. Ela trazia um equilíbrio demente onde as aspirações expansionistas dos malucos de plantão no poder como Krushov, Brejnev, Mão Tsétung, Deng Xiaoping, Nixon, e George Bush sênior eram limitadas pela perspectiva de que nenhum iria deixar o outro avançar além das suas fronteiras pelo poder das armas, porque este poder estava razoavelmente igualmente dividido.

Hoje isso não existe mais e a potência suprema pode, com o apertar de um botão, detonar quem quiser, em qualquer lugar do planeta sem que ninguém possa, de fato, dizer não. Em recente entrevista o Ex-secretário geral da ONU, Boutrus Boutrus Ghali, disse que o poder absoluto corrompe de forma absoluta. Nada expressa mais adequadamente este momento. O poder da ONU era o poder do equilíbrio de forças militares. Quando o equilíbrio acabou, também acabou seu poder. O resultado disso é o unilateralismo que presenciamos na tomada do Afeganistão e na invasão do Iraque, uma demonstração de poder de destruição sem paralelo na história.

Os EUA e seu aliado chamam de guerra um evento de ocupação militar de um país que não tem um milésimo de sua capacidade bélica. É importante observar que durante os últimos doze anos, esses países insistiram no desarmamento do Iraque e quando ele esta quase completamente desarmado eles decidem que é tempo de atacá-lo. É como o bandido que mantém um refém, diz ao policial que abaixe sua arma, que ele só quer viver, e quando este o faz o bandido o mata a sangue frio. Em nenhum país do mundo isto seria considerado menos que um crime hediondo, no entanto, quando é praticado por duas nações contra uma outra isto é chamado de guerra.

Então o que é uma guerra afinal? Os EUA jamais admitiram que o que se passou na Coréia ou no Vietnã foram guerras, as revoltas dos Mujahadins contra os russos não foi por eles considerada uma guerra, e na última guerra mundial, havia um equilíbrio infinitamente maior entre as forças beligerantes do que neste chamado período pós-guerra-fria. Seguindo esta linha histórica, no caso do Iraque não há guerra, há invasão pura e simples. Há tomada de poder, há derrubada de governo -eleito, diga-se de passagem-, há terrorismo. Só que este praticado por um estado contra outro. A própria campanha militar levou Terror no seu nome, conforme divulgado pelo Pentágono na imprensa mundial.

E o que é terrorismo? Há inúmeras definições, a própria ONU tem várias. Porém, até agora não há consenso internacional sobre o significado e a aplicação deste termo. Obviamente sua definição depende do ponto de vista do observador ou do interessado. Novamente, uma olhada na história nos mostra alguns fatos interessantes. Caso já existisse o termo na época, Jesus Cristo e Barrabás poderiam ter sido considerados terroristas. Ambos eram considerados inimigos do estado romano e das elites judaicas dominantes e ambos, em algum momento, usaram a força para exprimir seus propósitos (afinal o episódio de Jesus expulsado os vendedores do mercado foi um ato de violência contra civis, e Barrabás era um notório, violento, fora-da-lei).

As lutas de todos os revolucionários, incluindo Spartacus, William Wallace, Washington, Adams, Lênin, Ghandi, Máo, Che, Fidel e outros também poderiam ser consideradas lutas terroristas visto que esses usavam de todos os meios possíveis e disponíveis, de desobediência civil a sabotagem de instalações militares e navios, e ataques a alvos civis, para atingir seus propósitos de independência e o que eles consideravam liberdade. No final, todas as batalhas travadas por nativos asiáticos, africanos ou latino americanos contra os seus opressores coloniais, também poderiam ser chamadas lutas terroristas, uma vez que muito mais civis do que militares morreram nelas, e os países oprimidos e dominados sequer tinham um exército para se defender.

Em que isso é diferente da luta dos palestinos pelo direito a terra, vida e liberdade? Ou dos Tibetanos contra os Chineses, ou das milícias domésticas dos EUA contra o seu governo? Afinal o que é terrorismo? É a revolta contra o poder estabelecido? É a revolta contra o opressor (independente de como este seja entendido)?, É a luta pelo direito de ter sua própria maneira de ver o mundo? Hoje, terrorismo é tudo que se levante contra o interesse do capital selvagem e seus representantes, é tudo o que se impõe contra o direito de poucos enriquecerem as custas das mortes de milhões, é tudo o que desagrada Bush Jr. e seus assessores.

Por quê os massacres de civis palestinos por Israel não é terrorismo? Por que o massacre de somalis pelas forças de ocupação dos EUA não é terrorismo? Por que a matança dos Mujahadin pelos russos não era terrorismo? E por quê as mortes de milhares de civis iraquianos durante a invasão anglo-americana não é terrorismo? Por que impor sanções econômicas a um país arrasado e indefeso e matar de fome suas crianças não é terrorismo? Por que impor taxas de juros extorsivas a países miseráveis não é terrorismo? Por que terrorismo é só o que mata as pessoas dos países ricos e dominantes? Por que não é terrorismo atacar cidades indefesas, em países miseráveis, com armas poderosíssimas e matar centenas civis que sequer sabem porque estão sendo atacados? Quem tem o poder para definir o que é e o que não é terrorismo?

Por falar em armas, gostaria de comentar algo sobre as chamadas Armas de Destruição em Massa. Assim como terrorismo este é um termo completamente sujeito a interpretações e usos políticos. O que é uma massa de gente? Dois, cinco, vinte, cem, mil, um milhão? Que diferença faz? Afinal, quanto vale uma vida? Qual a importância da vida de um homem, de uma mulher ou de uma criança afegã, iraquiana, canadense, somali, brasileira ou japonesa?

As armas que os agressores hoje consideram de destruição em massa são apenas aquelas químicas e biológicas que eles mesmos deram aos Iraquianos e outros ex-parceiros, e/ou os ajudaram a desenvolver. Há poucos anos atrás Saddam foi agraciado com medalhas por Donald Rumsfeld por combater, com armas de destruição em massa (armas químicas), os Iranianos, e Bin Ladden recebeu milhões de dólares dos cofres da CIA para que seus guerreiros Mujahadins/Talibans combatessem, inclusive com táticas hoje chamadas de terroristas, os russos que invadiram o Afeganistão na década de 1980. Mas isso sequer é mencionado pela mídia ou discutido nas conferências de imprensa.

No entanto uma arma chamada "a bomba mãe de todas as bombas" ou outra chamada "arrasa quarteirão" (nomes de algumas das bombas jogadas durante os ataques iniciais) não são consideradas pelos EUA, que as utilizaram no Iraque, como armas de destruição em massa. As centenas de toneladas de armas de urânio empobrecido usadas desde 1991 não são consideradas armas de destruição em massa. A privação de milhões de pessoas de alimentos e remédios não é considerada uma arma de destruição em massa.

Qual a diferença? A diferença é quem detém o poder e pode ditar o que é certo ou errado de acordo com seus próprios interesses. Quem usa as tais armas de destruição em massa está sujeito a ser acusado de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade. Mas por que os EUA (que usou Agente laranja e outras armas químicas no Vietnam) e Israel (que usa armas com projéteis feitos de material radioativo, importadas dos EUA) nunca foram condenados por crimes de guerra ou contra a humanidade? Porque eles sempre tiveram o poder de veto nos tribunais e sempre manipularam os seus resultados.

Os EUA usou seu poder de veto cerca de 70 vezes no conselho de segurança da ONU, mas não admitiu ser vetado nenhuma vez sequer, e fez como os políticos corruptos do Brasil, preferindo sair pela tangente a ser condenado por um crime que ele sabe que cometeu (ou neste caso viria cometer, atacar o Iraque).

Por que as chamadas armas de destruição em massa do Iraque são mais perigosas para o mundo que aquelas da Rússia, da Índia, do Paquistão, da China, da Coréia, de Israel, dos EUA que são todos países que nem sequer se atrevem a negar que tem e continuam a investir pesadamente no desenvolvimento de armas químicas, biológicas, nucleares, eletromagnéticas, e outras ainda mais traiçoeiras e letais? Porque os arsenais nucleares não são considerados armas de destruição em massa, e banidos? A hipocrisia do atual governo dos EUA e alguns aliados deveria fazer soar bem alto os alarmes do mundo.

Recentemente um importante historiador e advogado disse que os EUA está em há tempos em guerra com o mundo. O país é campeão de não assinar tratados de controle internacional de armas (como o de mísseis balísticos, o de minas terrestres, e o controle de produção de armas de mão), de controle internacional de poluição (como o Protocolo de Kioto), de tarifas comerciais justas (instaurou em 2002 a Farmer’s Bill), e de promoção de acordos multilaterais honestos e abertos (vide as propostas para desarticular a ALCA). Os EUA apóiam e sempre apoiaram revoluções e ditaduras sangrentas nos quatro cantos do mundo, inclusive todas as ditaduras militares latino americanas, e não reconhecem a jurisprudência do Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra sobre seus cidadãos.

O governo dos EUA agora promove tal ditadura até em casa, marcando estrangeiros, aprisionando aleatoriamente quem não se parece com o seu perfil ideal de cidadão, vigiando, ameaçando e isolando intelectuais dissidentes, vigiando todas as formas de comunicação, reportando quem lê o que e quando nas bibliotecas públicas, negando aos seus próprios cidadãos o direito de ir e vir, o direito a informação honesta e verdadeira via meios de comunicação, censurando informações do front da invasão. Enfim manifestando-se como um verdadeiro estado policial que sempre foi, mas que agora aflora sua verdadeira face e mostra seu verdadeiro eu. Como a Alemanha nazista, se apoiando em propaganda para enganar seus cidadãos, e oprimindo-os quando a propaganda não bastava.

Nos tribunais domésticos mundiais se aplica punições tanto a quem comete fisicamente um crime como a quem o ordena ou é cúmplice dele. Também está sujeito as penas da lei quem sabendo de sua existência, poderia tê-lo impedido, e nada fez. Se esta mesma regra se aplicasse a países, todas as potências atuais estariam condenadas e encarceradas pela matança de milhões de civis inocentes, pois suas políticas externas, direta e indiretamente, respondem por esses milhões de mortes.

Quando não se acaba com a industria bélica, quando não se assina tratados de não proliferação e de eliminação de minas terrestres, quando os recursos gastos anualmente para se manter as forças militares de apenas um país são mais do que o dobro do necessário para matar a fome de todas as famílias do planeta por décadas, se é tão responsável pelas mortes por desnutrição e doenças quanto quem puxa o gatilho de um revolver, ou de uma bomba presa ao corpo, contra um ou uma multidão de civis.

Mas as irresponsabilidades da última potência dominante do mundo e seus aliados não param por aí. Elas avançam sobre todo o planeta também na forma de poluição. As duas grandes guerras mundiais (1914-18, 1939-45), as duas bombas nucleares disparadas no Japão, os testes nucleares em várias partes do mundo durante a após a II guerra ampliaram significativamente a capacidade humana de causar destruição e poluição em escala global. As potências capitanearam o processo. Qual será o impacto dos milhões de toneladas de partículas sólidas altamente contaminadas que são liberados na atmosfera pelas bombas jogadas contra o Iraque?

Quem vai medir o impacto sobre a saúde das pessoas, das plantas e animais do planeta, da detonação de milhões de quilotons de explosivos nas imediações dos rios Tigres e Eufrates, os berços da civilização humana? A televisão mostrou diariamente as gigantescas nuvens cinza que pairavam nos céus após os bombardeios das cidades iraquianas. Por que essas coisas não são discutidas? Quais as implicações para efeito estufa e para o equilíbrio biológico do planeta destas explosões e das inúmeras outras que têm se seguido?

A quantos quilômetros de distância as pessoas serão afetadas pelas nuvens de partículas tóxicas levantadas pelas balas, bombas e mísseis feitos com material radioativo? E os efeitos desses artefatos a longo prazo nos frágeis ecossistemas da região, como nos remanescentes de pântanos na confluência do Tigres com o Eufrates? É interessante como em 1991 toda a imprensa mundial condenou os iraquianos por queimarem os poços de petróleo do Kuwait e com isso causar "enormes ondas de fumaça" que se espalhariam e provocariam doenças por todo o oriente médio e Ásia, mas ninguém se preocupou com os efeitos dos bombardeios anglo-americanos na atmosfera.

Na segunda guerra do Iraque a história se repetiu. Mostraram os poços de petróleo incendiados, mas não as gigantescas nuvens de gases levantadas pela bomba "arrasa quarteirão" e pelos inúmeros mísseis de longo alcance. Quem será condenado por esses crimes ambientais? Provavelmente, todos nós.

Para os brasileiros e latino-americanos, e também para o resto do mundo que assiste estático ao conflito interminável, que já ceifou cerca de 3 mil Norte Americanos, mais de 30 mil Iraquianos, um número desconhecido de estrangeiros de várias nacionalidades, e se estendeu à Inglaterra, com os ataques de julho deste ano, há ainda preocupações adicionais com o futuro desta onda de agressão.

A próxima pergunta é: Para onde os canhões com projéteis radioativos dos EUA e aliados se voltarão após a agressão ao Iraque? Quem será o próximo alvo? Armas são continuamente desenvolvidas e se tornam obsoletas, elas precisam ser testadas e usadas antes que expirem, elas precisam continuar sendo fabricadas já que os recursos do seu lucro vão engordar os bolsos do capital internacional e manter a economia mundial aquecida. Portanto, após esta "guerra" outras virão, independente de que haja ou não razão para tal. Como temos visto nestes últimos anos, quando se detém todo o poderio bélico do mundo, parece mais fácil criar as razões para se atacar alguém, do que respeitar qualquer lei nacional ou internacional.

Eis um possível cenário: acredito que por sua situação estratégica geopoliticamente e em termos de recursos, um forte candidato a próximo alvo da sana da superpotência pode ser a Amazônia. Vejamos as razões: A Amazônia tem as maiores reservas de água doce facilmente acessíveis do planeta, tem a maior biodiversidade ainda não prospectada do globo, tem em seu subsolo milhões de toneladas de minerais estratégicos ainda não explorados, tem uma enorme área geográfica ainda esparsamente povoada e completamente subdesenvolvida do ponto de vista industrial, está no território de países que não têm condições de oferecer nenhuma resistência militar a um ataque, e onde as populações pobres, desinformadas, e extremamente carentes receberiam invasores ricos e trazendo promessas de futuro melhor, e comida como heróis.

Os motivos também estão dados: A Amazônia é reconhecidamente um corredor ao narcotráfico e o tráfico vem sendo considerado um dos maiores inimigos dos EUA; a região tem sido mal explorada ambientalmente por seus donos; é um vazio demográfico e político composto de centenas de povos e povoados com muito pouca conexão histórica entre si, semi-isolados uns dos outros e, portanto, de fácil controle; e é ainda um sorvedouro de gases do efeito estufa e detém a mais vasta quantidade de recursos naturais intocados do planeta.

Assim, "sanear e proteger" a Amazônia pode ser uma missão tão suprema para os novos policiais do mundo quanto derrubar um ditador sanguinário e liberar seu povo, para continuar sendo escravo, embora de outros senhores. E mais, creio que a missão aqui seria ainda mais simples e fácil de executar que no Iraque. Aqui não temos a união da religião para lutarmos uma guerra santa contra o invasor, e nossas tradições históricas nos tornam ainda mais vulneráveis a propaganda ideológica.

Aqui nossos exércitos são ainda mais fracos e mal treinados, nossos representantes mais corruptos e nosso povo mais ignorante. E não me refiro apenas ao Brasil, mas a todos os países da bacia Amazônica. Será que veremos o dia em que as FARC, que um dia tiveram inspiração Marxista, e que hoje controla o narcotráfico na região, serão o único grupo capaz de se levantar para lutar contra a invasão?

Estrategicamente, também, a tomada da Amazônia não demandaria muitas forças militares. Basta ancorar um dos mega porta-aviões que agora estão no golfo pérsico, nas proximidades do porto de Belém, no Pará, e toda a Amazônia poderá ser controlada e monitorada sem que sequer um tiro seja disparado. Após a sua chegada para "libertar as florestas e proteger os recursos naturais da humanidade" e quem sabe até para "garantir a liberdade e os direitos dos povos nativos e indígenas que são continuamente massacrados pelas sociedades nacionais" o USS Constellation, por exemplo, se instalará nas águas calmas da Baía do Guajará e seus tentáculos se espalharão pela região monitorando da nascente a foz do Amazonas, sendo tudo cuidadosamente acompanhado pelos satélites de vigilância e telecomunicações, alguns já em plena atividade há vários anos, e apoiado pelas Forças Especiais ora em atividade na Colômbia e pelas bases Norte Americanas instaladas estrategicamente em Cuba (Guantánamo), no Equador e no Paraguai. Qualquer tentativa de resistência será vista como terrorismo, e será sumariamente eliminada.

Afinal, como pode alguém se levantar contra propósitos tão nobres quanto salvar o ar que a humanidade respira e os milhares de remédios e alternativas tecnológicas que podem sair das plantas e do solo da região protegida por alguma nova coalizão de países do "eixo do bem". Como disse Collin Powell, ainda que não de maneira tão direta, se os governos locais, venais, corruptos e endividados não conseguem proteger adequadamente seus recursos para que os filhos dos EUA possam desfrutá-los no futuro, então isto pode ser considerado uma ameaça à sua segurança nacional, e algo será feito para que estes bens da humanidade não sejam espoliados. Para isso, nada melhor do que tê-los sob o controle da nação-mãe do planeta, da única superpotência viva, como diz Bush todos os dias. A nós restará esperar que esta Era passe, que o império caia, rezar que a queda aconteça mais cedo que mais tarde.

O cenário é sombrio, porém factível. A exploração dos recursos minerais do Alaska já começou sem nenhum respeito pela natureza lá, o mesmo acontece agora com os desertos do Uzbequistão, do Afeganistão e acontecerá com o Iraque. Os pesquisadores do assunto e as principais mentes intelectuais vivas reconhecem que as próximas guerras do planeta serão travadas pelo recurso mais precioso do planeta: A água. Apesar da crise aguda causada pelo Furacão Katrina, o aprofundamento da crise econômica e política dos EUA aponta para uma guinada cada vez maior na direção de ocupar as mentes dos Americanos com questões externas, para que estes não se preocupem com as questões domésticas e se sublevem contra os crescentes índices de desemprego, a queda das bolsas, a diminuição do seu poder aquisitivo, a maior repressão e coerção interna, a perda das liberdades civis, o crescimento da disparidade econômica interna etc.

A necessidade de manter satisfeitos os interesses dos grandes banqueiros e especuladores mundiais e das fortunas transnacionais requer monitoramento cada vez mais próximo das dissidências e potenciais oposições. O decréscimo do PIB requer gastos cada vez maiores com a industria bélica e seu aparato, uma das poucas que continua a crescer com o aprofundamento da crise do modelo econômico mundial. Tudo isso justifica a criação de novos fronts militares e de novas guerras e invasões.

A doutrina da atual Casa Branca não tem moral nem escrúpulos, a doutrina Bush só enxerga seu plano grandioso de controle de tudo o que lhe interessa no mundo, e a condenação de qualquer oposição a este desejo com a alcunha de terrorismo. A menos que esta doutrina seja abortada pela comunidade internacional (talvez esta sim seja a ultima verdadeira chance de atuação da ONU), o mundo todo sofrerá as conseqüências de sua tolerância para com o caubói intolerante.

Adital