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As pesquisas indicam que o colega favorito da criançada durante o tempo de folga não é seu irmão, nem o vizinho, nem a bola de futebol, e sim a televisão. Desenhos animados, seriados, filmes, programas infantis, vídeos musicais e eventos esportivos fazem o cardápio favorito e o controle remoto vira a melhor ferramenta para curtir a variedade.

Não é nova a discussão sobre a interação criança/televisão. Alguns dizem que é má; outros, consideram-na enriquecedora, dependendo do conteúdo. Mas todos concordam que o consumo de televisão - e da tecnologia audiovisual em geral, faz-se mais forte.

Enquanto isso, apreciadores compulsivos dos programas de TV, as crianças passam ao longe dos livros, e se privam do combustível valioso que é a imaginação que um livro sempre consegue passar. Já foi dito que tudo o que ultrapassa os limites da moderação termina sendo prejudicial, tanto à saúde física quanto à saúde mental. Uma boa dica é levar os filhos para uma livraria, mostrar a eles este ou aquele livro, enfim, quebrar o gelo, apresentando ao seu filho ou a sua filha um livro que cative seu interesse!

"Água mole em pedra dura tanto bate até que fura". O ditado popular tem sido empregado em várias situações do nosso cotidiano. Cresce o número de jornais e revistas que fazem matérias sobre a baixa qualidade de nossos programas de TV. Estão sendo, inclusive, reportagens de capa de algumas revistas semanais. A mobilização de toda a sociedade para elevar o nível de nossa programação televisiva é indispensável para que possamos, em breve, ter uma agenda positiva em nossa "telinha mágica".

Que sejam desativados os circos de horrores, os bate-bocas nas periferias de nossas cidades, as tais pegadinhas infames - que sempre ridicularizam pessoas de pouca instrução -, o uso e abuso de expressões pejorativas, de armações apresentadas como se fossem reais, espontâneas. Enquanto as coisas não melhoram nessa área, dispomos de uma forma eficiente para influir nessa questão. Trata-se do uso mais freqüente do controle remoto. Criar o hábito de alternar de um canal para outro é uma forma de pressionar por mudanças nas grades de programação.

Mas há que se convir que o gradual processo de insensibilização decorrente da banalização da violência é preocupante. Como diz Cristopher Lasch, os meios de comunicação em massa facilitam "a aceitação do inaceitável". Eles terminam por amortecer o impacto emocional dos acontecimentos, neutralizando a crítica e os comentários.

A violência ganha cada vez mais ares de normalidade e naturalidade, além de estar alcançando uma crescente "aceitabilidade" social. A inevitabilidade tem gerado atitudes do tipo: "deixa rolar"; "não tem jeito mesmo"; "super normal"; "deixa assim para ver como é que fica". Dessa forma, podemos constatar que a saturação de programas violentos provoca perda de sensibilidade, "brutalizando" as pessoas a longo prazo.

A psicanalista Raquel Soiler alerta que as crianças podem estar sofrendo de "televisiosis". O principal distúrbio desse mal seria uma síndrome de neurose, cujos sintomas são a mania de perseguição, a fobia e a desordem mental. Cada vez mais é intransferível a responsabilidade dos pais sobre o que seus filhos assistem diariamente na TV.

Adital