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A guerra de números da reforma agrária

Para pressionar o governo Lula a cumprir metas já firmadas com o movimento, MST vai manter a ocupação de prédios públicos e terras "improdutivas". Decisão foi anunciada após reunião com representantes do governo, que terminou, segundo os sem-terra, em “nada de concreto”. Ministro Miguel Rossetto criticou as ocupações.

| Fortaleza (Brasil)
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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) confirmou que vai manter a ocupação de prédios públicos e propriedades rurais consideradas por eles improdutivas. A decisão foi anunciada após reunião realizada na tarde desta terça-feira (27), em Brasília, entre ministros do governo Lula e lideranças do movimento, que terminou, segundo os sem-terra, em “nada de concreto”.

Desde a manhã de segunda-feira (26), quando desencadeou as ações da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, o MST já realizou a ocupação de 28 edifícios do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária (Incra), 9 agências do Banco do Brasil, 9 fazendas “improdutivas” e 7 praças de pedágios, conforme relatório da direção do movimento.

As mobilizações, que atingem 19 Estados brasileiros, têm o objetivo de pressionar o governo federal a cumprir acordos já firmados com o MST. Os sem-terra reivindicam o cumprimento de sete pontos acordados pelo governo federal em dois momentos: na divulgação do Plano Nacional de Reforma Agrária, em novembro de 2003, e na Marcha Nacional pela Reforma Agrária, em maio deste ano.

Para 2005, ficou acertado que 115 mil famílias seriam assentadas. No entanto, segundo dados do próprio governo, até agora apenas 50 mil foram contempladas. Os sem-terra reclamam que há 130 mil famílias em acampamentos ligados ao MST, das quais apenas 4 mil foram assentadas neste ano. O governo tem garantido que cumprirá a meta, mas o MST desconfia.

“O governo ouviu nossas preocupações, mas apresentou propostas muito genéricas, nada de concreto”, afirmou João Paulo Rodrigues, membro da Direção Nacional do MST. Segundo os sem-terra, participaram do encontro a ministra da Dilma Roussef (Casa Civil), o ministro Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário), o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, e o secretário-executivo do Ministério do Planejamento João Bernardo de Azevedo Bringel.

Diante do impasse, os representantes do MST afirmaram que pediram a suspensão da reunião. Um outro encontro ficou de ser agendado. “Reafirmamos para o governo que as sedes do Incra nos Estados continuam ocupadas e as mobilizações seguem em todas as regiões”, disse Rodrigues.

Antes de se encontrar com o MST, Miguel Rossetto concedeu uma entrevista à Radiobrás, órgão oficial de imprensa ligado ao governo federal, e condenou as ocupações organizadas pelo MST.

"Obviamente nós não podemos concordar com a ocupação do Incra, e tomaremos todas as medidas necessárias. É evidente que isso atrapalha a reforma agrária, na medida em que impede ou dificulta que os servidores do Incra possam trabalhar para garantir o cumprimento de metas", disse ele. "As sedes do Incra devem ser liberadas, o Incra deve ter condições de trabalho exatamente para cumprir essas metas".

Além de mais assentamentos, o MST pede mais agilidade dos processos de desapropriação, revisão dos índices de produtividade, mais linhas de crédito para os assentados, reestruturação do Incra e cestas básicas para os acampamentos de sem terra.

Carta Maior

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