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Milhares de franceses realizaram nesta terça-feira (5) uma ampla greve contra a política econômica do governo e em defesa de melhorias salariais. Os setores mais atingidos foram o transporte público e a educação.

Os grevistas divulgaram pesadas críticas contra o primeiro-ministro, Dominique de Villepin, lembrando que o desemprego no país já atinge 9,9% da população economicamente ativa. Para realizar a mobilização, as centrais sindicais acordaram uma frente única.

À tarde, houve uma manifestação na capital francesa, convocada também pelas forças políticas de esquerda. Segundo os organizadores, 150 mil pessoas participaram da mobilização. A polícia não confirmou esse número, o que não reduziu a imagem de sucesso da mobilização.

"Ofensiva liberal e repressiva" foi a denúncia das organizações de trabalhadores que são contra o desemprego e o novo sistema de contratação que permite ao empregador despedir um trabalhador sem justificativa.

Cerca de 150 manifestações ocorreram no país, das quais participou também a principal força de oposição ao governo do presidente Jacques Chirac, o Partido Socialista. Para o líder socialista Laurent Fabius, a resposta dos franceses à convocação é um indicativo de sanção social ao atual governo.

A greve prejudicou o funcionamento do transporte público e das escolas. Metade dos educadores do primeiro e segundo níveis se juntaram à greve, segundo um comunicado dos sindicatos. Esse dado foi rejeitado pelo Ministério da Educação. Em Paris, os serviços do metrô operaram de forma irregular, com atrasos, e no resto da região parisiense ocorreram alterações no tráfego dos trens.

Em Lyon, nenhuma linha de metrô circulou. Em Marsella, operaram apenas as linhas automáticas que não dependem de motoristas e, entre os ônibus, só linhas itinerários foram mantidos em funcionamento.

A empresa pública SNCF de transporte ferroviário afirmou que 60% dos trens de alta velocidade circularam, 40% dos trens de grandes linhas ou inter-regionais e 35% dos trens dos subúrbios na região parisiense.

A greve nos aeroportos obrigou o cancelamento de 223 vôos que deviam partir do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, o principal do país. E 189 vôos foram cancelados em Orly, segundo a direção de aviação civil. Nos dois aeroportos, os atrasos foram de 15 a 90 minutos, respectivamente. O Centro Nacional de Informação de Rotas mostrou que os problemas nos transportes geraram um trânsito muito difícil nas proximidades dos centros urbanos.

O primeiro-ministro Dominique de Villepin, ao declarar que o combate ao desemprego é sua prioridade, disse ao Parlamento que está ouvindo "a mensagem enviada pelos franceses". A greve nacional é a primeira desde que Villepin assumiu a chefia do governo, há quatro meses.