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Depois da invasão do Iraque, em 2003, o colunista Thomas Friedman, do New York Times, recebeu na sucursal do jornal, em Washington, o jornalista israelense Ari Shavit, do Ha’aretz. "Esta é a guerra que os neocons queriam", disse ao visitante. "É a guerra para a qual fizeram marketing. Tinham uma idéia para vender. Graças ao 11 de setembro, puderam vendê-la". Foi "a guerra de uma elite", segundo Friedman: "Eu podia dar a você nomes de 25 pessoas que estão aqui perto, num raio de cinco quarteirões desta sala. Se há um ano e meio elas tivessem sido exiladas numa ilha deserta, não teria havido esta guerra".

Talvez sejam mais de 25, mas o grupinho é numericamente inexpressivo. São os neoconservadores - ou neocons, neologismo criado para eles. Joseph Cirincione, diretor do Projeto de Não-Proliferação do Carnegie Endowment for International Peace, discorda deles, mas declarou-se impressionado pela obstinação, capacidade de organização e ação articulada do grupo. E viu na ação dos neocons um manual prático de como é possível a um grupo pequeno e organizado, mesmo depois de ter sido motivo de chacota entre autoridades e especialistas do establishment de política externa, impor a política de uma superpotência.

II

Integrantes destacados do grupo já tinham estado no poder nos quatro anos do primeiro George Bush, o pai, que deixou a presidência em janeiro de 1993. Não se conformaram então com o desfecho da primeira guerra do Golfo. O secretário da Defesa era o neocon Dick Cheney. Fora chefe de gabinete do presidente Gerald Ford (1974-77) quando o amigo (e ex-colega na Câmara dos Deputados) Donald Rumsfeld dirigia o Pentágono. Arquiteto da guerra de 1991, teve de submeter-se à ordem do velho Bush - em seguida à expulsão dos iraquianos do Kuwait - e desistir da marcha sobre Bagdá. Opunham-se à marcha, desejada por ele e seu sub-secretário da Defesa, Paul Wolfowitz, o poderoso secretário de Estado James Baker e o chefe do Estado Maior Conjunto, Colin Powell.

Cheney estava cercado por seus neocons prediletos. Wolfowitz, então número três no Pentágono, produziu meses depois, com a ajuda de I. Lewis ("Scooter") Libby, um documento interno na forma de DPG (Defense Policy Guidance; Orientação de Política de Defesa). Como outros neocons conspícuos (Richard Perle, Douglas Feith, Jeane Kirkpatrick e Eliot Abrams entre eles), Wolfowitz começara a carreira sob a proteção do senador Henry ("Scoop") Jackson, democrata liberal e anti-comunista linha-dura (contrário à détente) ao tempo da "ameaça vermelha", além de aliado intransigente de Israel.

Irving Kristol, primeiro intelectual a dizer-se neoconservador, definiu certa vez os neocons: "são liberais assaltados pela realidade". Críticos preferem vê-los como liberais que se bandearam para o conservadorismo com medo da caça às bruxas do senador Joe McCarthy na década de 1950. Bush I herdou alguns do antecessor Ronald Reagan. A ambição e apetite dos neocons na década de 1990 eram enormes, mas o país ainda estava despreparado para os excessos deles. Muita gente sonhava com efeitos potenciais positivos do fim da guerra fria e do confronto EUA-URSS, que desviara trilhões de dólares para a defesa, impondo orçamentos militares multibilionários a cada ano da corrida armamentista depois da II Guerra Mundial.

O secretário Baker, presença forte junto a Bush I, e o assessor de Segurança Nacional Brent Scowcroft eram vozes vigorosas no governo. Ficaram contra a DPG de Cheney & Wolfowitz em março de 1992, depois que o conteúdo dela, publicado no New York Times, causou escândalo. Embora fosse mero esboço, não oficializado, a visão de dominação militar unilateral dos EUA no mundo chocou. Em setembro de 1990, na revista Foreign Affairs, o colunista neocon Charles Krauthammer já defendera um "momento unipolar" no lugar da bipolaridade EUA-URSS, rejeitando a multipolaridade - vista então como rumo natural.

A reação à estratégia neocon para substituir a da guerra fria surpreendeu os autores da DPG. Na sua ousadia, que assustou aliados tradicionais na Europa, eles expunham até um conjunto de sete cenários, com hipóteses de guerras no fim do século - para defender a Lituânia e a Polônia de invasão russa, atacar Iraque e Coréia do Norte (contra agressões deles a vizinhos), e intervenções em menor escala no Panamá e nas Filipinas. Críticas indignadas vieram dos dois partidos. O senador Joseph Biden, democrata envolvido em política externa e questões militares, horrorizou-se: "É literalmente uma Pax Americana". Restou ao Pentágono bater em retirada, alegando que o “esboço” inicial sequer tinha sido aprovado por Cheney - ou Wolfowitz.

III

Não fora capitulação, só um recuo tático dos neocons. As posições do documento eram de Cheney, Wolfowitz e Libby, mas Bush I, instado por Baker & Scowcroft, mandou Cheney rever o "esboço" de 46 páginas. O projeto surgira um ano depois da guerra do Golfo, na ressaca das paradas militares que elevaram a mais de 90% o apoio ao presidente. O país estava despreparado para a receita radical, que só iria reaparecer, para tornar-se Estratégia de Segurança Nacional (NSS) do segundo Bush, graças à histeria patrioteira que se seguiu ao 11/9.

A meta número um da estratégia política e militar do “esboço” de DPG era o veto a qualquer potência rival. Havia aspectos adicionais para se chegar aos objetivos. Os EUA, na liderança inconteste, tinham de criar e proteger a nova ordem, convencendo competidores potenciais a não buscar papel maior - a pretexto de que seus interesses legítimos estariam protegidos. Fora da área de defesa prometia-se zelo dos EUA em favor dos interesses dos países industriais avançados, aos quais cabia conformar-se com a liderança e a nova ordem política e econômica. Mecanismos vários deteriam rivais potenciais ou candidatos a papel maior, regional ou global.

Outro objetivo destacado era a salvaguarda dos "valores americanos". A violência internacional seria detida, encorajando-se ao mesmo tempo a disseminação de formas democráticas de governo, livre comércio, sistemas econômicos abertos. Aí apareciam os cenários de intervenções em pontos turbulentos, contra ameaças de conflitos a interesses dos EUA - acesso à matéria prima vital, primariamente o petróleo do Golfo, proliferação de armas de destruição em massa e mísseis balísticos, ameaças a cidadãos americanos (terrorismo, conflitos regionais e locais, narcotráfico).

Contemplavam-se ações unilaterais dos EUA, mas não ação coletiva através da ONU. Contornava-se o sistema multilateral com a promessa de "coalizões" para "promover ação coletiva". As coalizões seriam “assembléias ad hoc" formadas para tratar de crises específicas. Resolvida uma crise, a coalizão respectiva deixaria de existir. Estava explícito que a sustentação definitiva era do governo americano - instância última da ordem mundial -, que estaria preparado para agir unilateralmente "se a ação coletiva não pudesse ser orquestrada "ou a crise exigisse resposta rápida.

A DPG era direta e explícita, mas a NSS, uma década depois, levou em conta o questionamento público anterior e as dificuldades potenciais na área diplomática. A impressão inicial deixada pelas 35 páginas da NSS, em setembro de 2002, foi de uma embalagem de relações públicas para proteger a aparência - ênfase em democracia, direitos humanos, sociedades abertas, cooperação econômica, livre mercado, etc. Só se acrescentou o combate feroz ao terrorismo.

Autor em 1992 de textos no Washington Post sobre a controvérsia, Barton Gellman viu diferença apenas na apresentação. A DPG era mais vigorosa e contundente. Seria pouco diplomático e insensível dizer em 2002: "não admitimos dividir nossa posição com ninguém". Os EUA evitaram-no mas continuaram a achar indesejáveis os passos nessa direção, mesmo da parte de aliados como Alemanha e Japão, sem falar na Rússia, Índia e potências regionais, competidores potenciais.

Na DPG o primeiro objetivo era sufocar aspiração desse tipo. Gellman destacou ainda a disposição dos EUA de agir preventivamente para impedir o uso por qualquer nação de armas nucleares, biológicas e químicas, mesmo sem estarem em causa outros interesses americanos. A palavra "preempt" era usada no sentido de antecipar, prevenir.

Em 2003, depois da NSS, William (Bill) Kristol, editor da Weekly Standard, porta-voz do pensamento neocon, exaltou o triunfo de Wolfowitz, a quem atribuiu o texto de 1992. Declarou-o vingado pela história e criticou o recuo de Bush I. "Depois do 11/9 o texto de Wolfowitz, feito nove anos antes, passou a ser visto como profético", disse Kristol. Bush II aproveitara o 11/9 e oficializara as idéias na NSS.

Cheney, antes chefe do Pentágono, era o vice-presidente mais poderoso da história; Wolfowitz, sub-secretário para políticas no passado, virou secretário assistente (sob Rumsfeld) e pensador militar de plantão; Libby, adjunto de Wolfowitz antes, tornou-se chefe do gabinete do vice - visto por Powell, conforme contou Bob Woodward em “Plano de Ataque”, como “covil dos neocons”, junto com o escritório (no Pentágono) de Douglas E. Feith, "Gestapo" do "governo paralelo" obcecado em lançar a guerra preventiva no Iraque.

IV

Durante os 10 anos entre o recuo de Bush I e o início do mandato de Bush II, o grupo esteve ativo em think tanks conservadores (AEI - American Enterprise Institute, Heritage Foundation e outros) e na oposição ao governo Clinton. Na volta ao poder em janeiro de 2001, chegou com seu projeto. Nada a ver com o conservadorismo isolacionista de Henry Cabot Lodge (inimigo da Liga das Nações de Woodrow Wilson) ou mesmo com Barry Goldwater, esmagado em 1964 por Lyndon Johnson. A extração neocon nascera à sombra do macarthismo. Expoentes dela eram liberais arrependidos que conclamaram intelectuais a se purificarem com delações.

O ex-trotskista Irving Kristol, celebrizado naquelas guerras culturais, foi escolhido pela CIA para dirigir a Encounter, revista financiada através de artifícios tortuosos para mascarar a origem do dinheiro. Embora visto pelos críticos como líder de uma nova direita, dizia-se "neoconservador". Usou a palavra em 1983 no título de um livro, Reflections of a neoconservative: Looking Back, Looking Ahead. Em 1995 seu filho Bill homenageou os 75 anos do pai em The neoconservative Imagination: Essays in Honor of Irving Kristol, com textos de vários neocons. O momento maior deles foi mais da geração de Bill do que da de Irving, mas as relações pessoais e familiares tinham papel especial na atividade deles.

A mulher de Irving (e mãe de Bill), Gertrude Himmelfarb, destacou-se no grupo, como ainda o amigo Norman Podhoretz (diretor durante anos da Commentary, do Comitê Judaico Americano) e sua mulher Midge Decter, pais de Rachel Decter, que se casou com Eliot Abrams, figura notória do escândalo Irã-Contras (hoje no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca), e irmã de John Podhoretz, colunista do New York Post (do império de mídia do australiano Rupert Murdoch). Todo o grupo neocon atual parece originário do núcleo do velho Kristol no Congresso pela Liberdade Cultural (CCF - Congress for Cultural Freedom), instrumento da espionagem na guerra fria. Midge Decter e o velho Podhoretz ajudaram a fundar depois o Committee on the Present Danger (final da década de 1970) e o Committee for the Free World (início da de 1980), este com Midge dividindo a presidência com Donald Rumsfeld.

O velho Kristol deixaria a Encounter, conspurcada pelo escândalo da ligação com a CIA, para criar em 1965, em meio à agitação da nova esquerda e protestos antiguerra (Vietnã), a revista The Public Interest , primeira a assumir o pensamento neocon. E influía na página de opinião do Wall Street Journal, ainda hoje sob controle neocon.

Esta foi tão extremista que chegou a acusar o presidente Clinton de ter assassinado o advogado Vince Foster - seu auxiliar que se matou (conclusão de quatro investigações) após ser alvo de ataques do Journal. A campanha anti-Clinton, centralizada nos casos de sexo, era mais dos theocons (conservadores teocráticos) da Direita religiosa, liderada pelos pastores Pat Robertson (Coalizão Cristã) e Jerry Falwell (Maioria Moral), mas os neocons foram seus aliados próximos. Até porque o filósofo inspirador do movimento, Leo Strauss (morto em 1973), considerava a religião a "cola" para manter a sociedade unida.

V

Biógrafa e estudiosa de Strauss, a professora canadense de teoria política Shadia Drury nega que esse filósofo tenha sido liberal ou democrata - como foi apresentado por Allan Bloom em Closing of the American Mind, que expôs o pensamento de Strauss em 1987 à larga influência sobre os neocons. "Na visão dele, a trapaça perpétua praticada contra os cidadãos pelos que estão no poder é fundamental porque aqueles precisam ser liderados e ter governantes fortes para lhes dizer o que é bom para eles".

Como Platão, achava que nas sociedades alguns estão aptos a liderar e os outros são liderados. Mas ao contrário de Platão, para quem os líderes tinham de ter padrões morais elevados, a fim de resistir às tentações do poder, Strauss achava que "os aptos a governar são os que percebem não haver moralidade, mas um direito natural do superior de impor-se ao inferior". E a religião é a cola - o que levou Irving Kristol a condenar a separação Estado-Igreja como o maior erro dos pais fundadores da república.

Drury também ressaltou que Strauss, sob influência de Thomas Hobbes, achava que a agressividade fundamental da natureza humana só pode ser contida por um estado forte e com base no nacionalismo. A humanidade é intrinsecamente má, por isso tem de ser governada. Para o governo funcionar, os homens têm de se unir - e eles só se unem contra outro povo. Uma ordem política estável é conseguida graças à ameaça externa - que deve ser criada, caso não exista. E é preciso lutar o tempo todo para sobreviver, pois a paz leva à decadência.

Também a mentira tem um papel nesse contexto. Strauss defendeu o direito de um governante mentir ao povo (pois sabe o que convém ao país). Também o assessor pode mentir ao governante (para “proteger a nação”). Irving Kristol, nessa linha, foi favorável à mentira em The Fettered Presidency, livro publicado pelo AEI há 17 anos. Citou o exemplo de Ronald Reagan, em 1983, ao justificar a invasão de Granada. "Basta um presidente apresentar-se enrolado na bandeira. O povo americano nunca tinha ouvido falar de Granada. (...) A razão dada para a intervenção militar - o risco para alunos americanos de um curso de medicina naquela ilha - era falsa. E a reação do povo dos EUA foi absolutamente, esmagadoramente, favorável”. Outro adepto de Strauss, Joseph Cropsey, considerou certa dose de embuste essencial ao governo. "É bem óbvio que as pessoas no governo têm de ser discretas no que dizem publicamente. Ao dizer a verdade posso ajudar o inimigo", alegou. Apoiados nesse elitismo, os neocons chegaram ao governo com seu projeto de dominação mundial - a estratégia para substituir a da guerra fria.

A guerra do Iraque era a obsessão do grupo oito meses antes do 11/9. A fé ardente deles, quase todos judeus e intelectuais como Strauss, atravessara uma década e esbarrara em obstáculos como a controvérsia da DPG. Fora do poder, reativaram e aprofundaram o projeto em 1997, com o PNAC (Projeto do Novo Século Americano), e em 2000 (RAD: Reconstruindo as Defesas da América - Estratégia, Forças e Recursos para um Novo Século). A NSS de 2002 oficializou o que estava na DPG, no PNAC e no RAD. (Seis dos autores do último teriam postos nas áreas de defesa e política externa com Bush II). Os três estudos neocons anteriores à NSS foram feitos quando era impensável uma ação terrorista como a de 11/9. O RAD admitia a certa altura: "O processo de transformação (para a nova estratégia), mesmo trazendo mudança revolucionária, provavelmente será lento, a menos que haja um evento catastrófico e catalizador - algo como um novo Pearl Harbor". Quatro meses depois, a fraude da Flórida deu a Casa Branca a Bush e os neocons voltaram ao poder. E oito meses mais tarde veio o "evento catastrófico" sonhado por eles para apressar o processo.

VI

Os neocons continuam largamente empoleirados no poder e cada vez mais atuantes na mídia, em think tanks da direita (Jeane Kirkpatrick, Richard Perle e a mulher do vice-presidente, Lynne Cheney, têm gabinetes no AEI) e publicações identificadas com o pensamento deles, entre elas a Weekly Standard, financiada por Murdoch; a histórica The Public Interest, onde o papel de Irving Kristol e outro histórico, Nathan Glazer (herdados do CCF macarthista), tornou-se simbólico; a Commentary dos judeus; e outras. The Public Interest continua a sair a cada trimestre, agora dirigida pelo editor Adam Wolfson, que em 2004 tentou distinguir os neocons de outros conservadores - "tradicionalistas", "paleoconservadores" ou "libertários".

A semanal Weekly Standard - a revista de opinião mais influente na Casa Branca, na avaliação do New York Times usada por ela para vender assinaturas - é a mais ativista, sob a direção de Bill Kristol, filho de Irving, e Fred Barnes - também comentaristas da Fox News de Murdoch. Nove dias depois do 11/9, Kristol e 41 neocons (entre eles, Perle e Kirkpatrick, ocupantes de altos cargos do governo) usaram a capa para exigir a invasão do Iraque.

Na New Republic, onde neocons marcam presença sem ter o controle, Stanley Hoffman identificou quatro tendências que impulsionam os neocons: 1- a dos xerifes Cheney e Rumsfeld, que não perdoam o abraço de Reagan em Gorbachev; 2- os novos imperialistas, na linha de Bill Kristol e Krauthammer, que vêm o mundo em preto-e-branco, acham que os fins justificam os meios e vêem os EUA como força para o bem; 3- os fundamentalistas da Direita cristã (Robertson, Falwell e outros); 4- a fauna vaga e variada de amigos de Israel (Wolfowitz, Perle, Feith e outros) convencidos de que se é bom para Israel, é bom para os EUA.

Essa quarta tendência impressiona não apenas Hoffman, judeu sério e sensato, hostil ao extremismo do Likud e sua influência sobre os americanos. Às vezes é encarada com irritação por conservadores tradicionais. Pat Buchanan, da velha escola isolacionista, vai bem mais longe no repúdio à "influência do Likud de Ariel Sharon na política externa americana". Ao lançar sua revista, The American Conservative, atribuiu à "camarilha neoconservadora" a tentativa de "arrastar nosso país a uma série de guerras que não são do interesse da América".

Acusado por Max Boot no Wall Street Journal de soar como anti-semita nas críticas a nomes como Wolfowitz e (Eliot) Cohen, de associar a NSS de Bush ao conteúdo da Commentary, de dar o significado "judeu" à expressão "neoconservador" e de considerar o presidente americano "cliente (...) de Ariel Sharon e do partido neoconservador da guerra", Buchanan respondeu: "Acusam-nos de anti-semitismo (...). É falso. Na verdade, os que lançam tais acusações têm um ’vínculo apaixonado’ com uma nação que não é a nossa, o que os leva a subordinar os interesses de seu próprio país e de agir na suposição de que, de alguma forma, o que é bom para Israel é bom para a América".

Outro crítico conservador, Arnaud de Borchgrave, rotula os neocons de "Likudniks de Washington" e define a NSS como "Doutrina Bush-Sharon". Diferentes neocons, em diferentes momentos, já citaram nos últimos quatro anos como alvos desejáveis de ataques americanos a Arábia Saudita, Argélia, Líbia, Egito, Sudão, Líbano, Síria, Iraque, Irã, a Autoridade Palestina, o Hizbollah, o Hamas e o "Islamismo militante". Buchanan pergunta: "Quem se beneficia com as guerras sem fim numa região que nada tem de vital para a América além do petróleo, que os árabes nos vendem porque têm de sobreviver? Quem seria o beneficiário de uma guerra de civilizações entre o Ocidente e o Islã? Resposta: uma nação, um líder, um partido. Israel, Sharon, Likud".

Em 1996, quando estavam fora do governo e o presidente Clinton tentava conduzir o acordo Israel-palestinos, neocons conspícuos - Perle, Wolfowitz, Feith e David Wurmser - redigiram um roteiro para o premiê israelense Bibi Netanyahu sabotar os Acordos de Oslo, de Yitzak Rabin. A agressiva estratégia era apresentada como "rompimento limpo", conforme o título: A Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm.

O colunista Thomas Friedman, que escolheu um israelense para ouvir o que acha do poder de 25 neocons sobre o rumo dos EUA no mundo, nada tem de contestador. Ao contrário, prefere evitar controvérsias – foge até de conclusões óbvias. Como a de que o grupinho se prevalece da fraqueza intelectual de um presidente ocupado apenas, desde 11 de setembro de 2001, em tirar proveito do medo dos americanos.