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Uma das novidades das manifestações foi a realização de protestos nos Estados Unidos, na Espanha e também na Holanda, que recordaram a data do Grito dos Excluídos. O tema da legalização dos imigrantes foi a principal bandeira desses atos. Veja, abaixo, um breve relato das mobilizações do dia 12 pela América Latina.

Na República Dominicana, as pessoas saíram às ruas para gritar, principalmente, por duas exigências: o direito à moradia e contra o Tratado de Livre Comércio da América Central (Cafta, na sigla em inglês), que está sendo negociado com os Estados Unidos e outros países da região. Uma série de projetos de maquiladoras está sendo implantada na ilha e muitos moradores perdem suas moradias nos desalojamentos feitos pelo governo.

Boa parte dos cidadãos não tem documentos comprovando a posse do imóvel. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas estejam ameaçadas de despejo nos próximos meses em função de obras de infra-estrutura. Os protestos exigiram o fi m dos despejos forçados contra comunidades já estabelecidas e requerem também a aprovação imediata de uma Lei de Titulação de terra.

No Haiti, o Grito foi pela autodeterminação e contra o pagamento da dívida externa. Os movimentos locais protestaram contra a ocupação militar do país, mantida por uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU), capitaneada pelo Exército brasileiro. Os haitianos também cobraram a reversão das políticas de governo que hoje dão incentivos para os produtos agrícolas estadunidenses entrarem na ilha.

A população de Porto Rico reivindicou o fi m do controle sobre seu território exercido pelos Estados Unidos. O país foi cedido pela Espanha aos estadunidenses em 1898. As atividades do Grito do Excluídos também se concentraram em apoiar e protestar contra a destruição do bairro San Mateo de Cangrejos, na capital do país, San Juan, feita a partir de um suposto plano de revitalização da área, à revelia da população local.

Na Colômbia, o tema central das manifestações de 12 de outubro foi o repúdio à impunidade. Entre 1988 e 2003, o processo de aniquilação significou 14.472 crimes de lesa humanidade. Esses números são apenas um sinal que revela uma política de Estado com o objetivo de realizar o extermínio da diferença, e não são resultado de ações de paramilitares apenas.

As organizações do Panamá aproveitaram o Grito dos Excluídos para protestar contra o projeto de ampliação do Canal do Panamá, pleiteado pelos Estados Unidos. Mais de 100 mil camponeses terão de ser retirados de suas terras se o projeto for levado a cabo.

No Equador, movimentos populares e indígenas fizeram uma manifestação em Quito para rechaçar a política neoliberal do governo de transição de Alfredo Palácio e a assinatura do Tratado de Livre Comércio Andino (TLC Andino), proposto pelos Estados Unidos também para Bolívia, Colômbia e Peru. Os movimentos querem também a suspensão do contrato com a petroleira Occidental que, sem autorização do governo equatoriano, estava explorando reservas de hidrocarburetos no subsolo do país.

Já, no Chile, as manifestações do Grito dos Excluídos reuniram mais de 4 mil pessoas em Santiago, capital do país, na Marcha da Dignidade. Os protestos propuseram a unidade do povo Mapuche para enfrentar as políticas nacionais do Chile e da Argentina que desrespeitam seus direitos, e exigir também a libertação dos presos políticos.

Brasil de Fato