JPEG - 21.7 kb

A situação se agravou quando o líder venezuelano acusou o mexicano de ser um "cachorro do império" e "entreguista aos EUA".

Chávez divulgou vídeos do confronto privado dos presidentes sobre a ALCA, na quarta cúpula, realizada em Mar del Plata, Argentina, neste mês, e estimou que demonstram que os Estados Unidos perderam esse debate.

"Cavalheiro, não foi incluída no documento a sua proposta; foi derrotado, cavalheiro; nocaute, gentleman, nocaute, sir", disse Chávez, referindo-se ao presidente estadunidense, George W. Bush, após transmitir um discurso deste em seu programa dominical rádio-televisionado, Alô Presidente.

Chávez não apresentou discursos de outros mandatários que queriam reiniciar as negociações sobre a ALCA, com exceção do que pronunciaram o representante do Panamá e o presidente do México, Vicente Fox, ainda que tenha prometido fazer isso nas próximas entregas de seu programa televisionado.

O mandatário venezuelano também enviou um recado ao presidente mexicano: "Não se meta comigo, cavalheiro, porque se dará mal", e assinalou que as críticas de Fox à Argentina e Venezuela mostram que está sangrando pela ferida. Durante quase quatro horas, Chávez divulgou extratos de discursos, que mostraram confrontos entre o Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela de um lado, e Estados Unidos, Canadá, Panamá e Trindade e Tobago, do outro. Os primeiros insistiam em que o tema da ALCA não estava na agenda e criticavam a pressão para incluí-lo, e os segundos pressionavam pela inclusão.

O governo venezuelano rejeitou o ultimato do México para um pedido de desculpas formal, considerado como uma agressão sem sentido do governo mexicano. Segundo a imprensa latina, o chanceler venezuelano, Alí Rodríguez, disse que não tem justificativa nenhuma a atitude assumida pelo presidente mexicano contra a Venezuela desde a Cúpula das Américas. O ministro divulgou um comunicado que deposita no mandatário asteca toda a responsabilidade pela atual situação.

A nota anuncia a retirada do embaixador da Venezuela no México, Vladimir Villegas, e assinala que a representação diplomática fica no nível de encarregado de negócios. O texto lembra que, desde sua chegada a Mar del Plata, Fox fez públicos ataques à postura da Venezuela durante os debates prévios à conferência, relativos à pretensão dos Estados Unidos de reativar a ALCA.

Rodríguez afirma que, em suas críticas a Chávez, Fox cegou a utilizar os termos de inconsistência e falta de tolerância.

Por outro lado, o embaixador do México na Venezuela, Enrique Manuel Loaeza, já abandonou seu posto por causa da crise diplomática que enfrentam as duas nações. Para especialistas, o ultimato lançado pelo governo mexicano à Venezuela, que resultou na retirada dos embaixadores de ambas as nações, contribuirá para acrescentar a polarização no plano internacional, não somente entre Bush-Chávez, mas entre aqueles que promovem o capitalismo e quem defende o chamado "socialismo do século XXI".

Adital