JPEG - 22 kb
Eduardo Aldunate

No foco, principalmente, o subcomandante da missão internacional, o general chileno Eduardo Aldunate, e seus assessores, suspeitos de terem participado de grupos repressivos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Nesse regime, de acordo com estimativas oficiais, 3 mil pessoas foram assassinadas e 27 mil, presas e torturadas.

Em nota à imprensa, divulgada no dia 9, a Federação Internacional das Ligas de Direitos Humanos (FIDH), o Comitê de Defesa dos Direitos do Povo (Codepu) do Chile e a Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (RNDDH) do Haiti exigem a realização de investigações do governo chileno e da ONU sobre Aldunate, além de sua suspensão imediata. Ao receber a denúncia, o ministro da Defesa Nacional do Chile, Jaime Ravinet, defendeu o general, mas, no dia 13, confirmou que Aldunate participou por dez meses - entre janeiro e novembro de 1978 - do Centro Nacional de Informações (CNI), órgão repressor na ditadura de Pinochet. No dia 10, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) veiculou um comunicado defendendo Aldunate.

Missão contestada

As entidades de direitos humanos acusam o general chileno, além de ter participado do CNI, de haver integrado a Brigada Mulchén, grupo de militares, apoiadores de Pinochet, que teriam perpetrado dezenas de crimes a pedido do ditador. A filha do diplomata espanhol Carmelo Soria, vítima dos integrantes da Brigada em 1976, reconheceu a participação de Aldunate no assassinato de seu pai. As denúncias contra o subcomandante da Minustah ocorrem em um momento em que entidades haitianas intensificam as críticas em relação à missão da ONU. No dia 8, a FIDH divulgou o relatório "Que devir para uma transição falha?", em que analisa a atuação dos 7.500 soldados estrangeiros que ocupam o Haiti. Afirma que a mudança do comando militar - do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira para o general Urano Teixeira Da Matta Bacellar, ambos do Brasil - deslegitimou o propósito da Minustah. Isso porque, de acordo com a entidade, Bacellar não teria o mesmo compromisso com a democratização do Haiti do que seu antecessor.

Brasil de Fato