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Essa é a denúncia que tem sido feita pelo Serviço de Paz e Justiça (Serpaj), sediado em Assunção, contra os militares estadunidenses que atuam no país desde junho, por meio de um acordo entre o presidente paraguaio, Nicanor Duarte, com George W. Bush.

Os soldados estrangeiros ainda contam com imunidade diplomática, concedida pelo Congresso. Desde 2002, 88 camponeses foram mortos em manifestações, bloqueios de estradas ou despejos violentos. Nas zonas de maior presença militar estadunidense, como San Pedro, Caaguaçú ou Concepción, foram registrados 18, 15 e 11 mortos, respectivamente. Já em lugares com menos visitas de soldados, como Neembucú e Cordillera, foi registrado apenas um caso por região.

A análise feita pelo Serpaj é reveladora sobre a distribuição de soldados estadunidenses no Paraguai e seus movimentos em regiões camponesas onde organizam as chamadas tarefas de “ação cívica” - que compõem a doutrina militar de contra-insurgência.

Invasão Militar

Entre 500 e 700 soldados e tropas especiais estadunidenses participam das “ações cívicas” e manobras. Foram programadas 18 operações deste tipo para este ano e para 2006. Está sendo criada também uma infra-estrutura especial para apoiar o esquema militar estunidense e assegurar operações nas zonas rurais paraguaias, no caso de uma intervenção militar massiva na América do Sul.

A base militar paraguaia de Mariscal Estigarribia é um ponto-chave. Com uma pista de 3,8 mil quilômetros, permitiria a aterrissagem de aviões Galaxy e os B-52 e poderia receber milhares de soldados. Mariscal Estigarribia - localizada em uma região estratégica, próxima da população de Filadélfi a e da fronteira da Bolívia (200 quilômetros) - tem também condições para possibilitar um deslocamento rápido das tropas.

Os investigadores do Serpaj, no entanto, não acreditam nas informações divulgadas em alguns endereços eletrônicos estadunidenses de que milhares de soldados seriam enviados ao Paraguai. “Dificilmente, levanta-se uma base com milhares de soldados em um país sem saída para o mar e, por outro lado, as ações dos Estados Unidos no Paraguai se encaixam perfeitamente na renovada guerra de baixa intensidade”, sustenta Orlando Castillo, advogado e coordenador do Serpaj.

Camponeses

Segundo ele, a militarização da região está avançando. “Nos três últimos anos, as forças armadas dos Estados Unidos, a partir do Comando Sul, incrementaram sua presença militar no território paraguaio com exercícios e visitas de reconhecimento em áreas onde existem organizações camponesas”, denunciou.

O Serpaj levantou que, desde 2002, os soldados estadunidenses já realizaram 46 exercícios no país e tiveram à disposição um amplo espaço de mobilização em áreas chaves, como as fronteiras com o Brasil, a Argentina e a Bolívia. Para Castillo, os objetivos dos militares estrangeiros são repressores e visam intimidar os movimentos camponeses que lutam pelo direito à terra. O investigador também analisa que a presença militar ocorre justamente em um momento em que a política externa de Bush encontra resistência.

“De um lado, estão os planos econômicos, como a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e os tratados bilaterais. E, de outro, está a militarização, que é a ocupação adiantada, com instalação de bases e assentamentos militares em toda a América. Busca-se com essa presença desestabilizar o processo de integração e, assim, converter Paraguai em ameaça para seus vizinhos”, afirma Castillo.

La Jornada