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Michell Bachelet

Um representante do pacto Juntos Podemos Mais, que prefere o anonimato, disse que os humanistas e os seguidores do grupo comunista Ação Proletária defendem o voto nulo. E que o Partido Comunista e a Esquerda Cristã argumentam que se deve orientar os eleitores para a votação.

Em meados de janeiro próximo, a candidata oficial, a médica Michelle Bachelet disputará a Presidência com o representante da Renovação Nacional, Sebastián Piñera. No primeiro turno, Michelle – militante do mesmo Partido Socialista do presidente Ricardo Lagos – teve 45,87% dos votos, contra 25% de Piñera.

Michelle ganhará?

O ultra-direitista Joaquín Lavín, aspirante pela União Democrática Independente, relutou em admitir a força do rico empresário Piñera até a contagem do último voto, quando foi obrigado a admitir sua derrota. O patrimônio de Piñera, estimado em cerca de 1,2 milhão de dólares, é tido como uma espécie de espada de Dâmocles, que seus adversários denunciam o tempo todo, para assinalar como é pouco ético ter ações de empresas e, ao mesmo tempo, governar um país.

Porém, agora, as projeções discutem como Michelle conseguirá se eleger. Segundo analistas, nem todos os seguidores de Lavín vão favorecer o empresário. Caso isto se confirme, a ex-ministra da Defesa se transformará na primeira chilena a chegar ao poder, e a sexta na América Latina, nos últimos 30 anos.

Em discurso público, Michelle afirmou ser a continuidade e a mudança, e que trabalharia para realizar a maior revolução educacional do Chile, mudanças na saúde e maior geração de empregos. “Sejamos claros: neste país há uma única coalizão cuja governabilidade é indiscutível. A direita treme quando a Concertación se mobiliza”, declarou.

Humanistas apóiam

A candidata socialista também disse que a soma dos votos de Piñera e Lavín não conta. Caso contrário, se poderia pensar que o povo chileno estaria disposto a aceitar novamente os direitistas. Ela assinalou que são duas candidaturas muito diferentes.

Os adeptos da Juntos Podemos Mais definem, nos próximos dias, se apóiam a candidata da situação, que também obteve a maioria parlamentar pela primeira vez, desde a ditadura do ex-general Augusto Pinochet (1973-1990).

O militante Tomás Hirsch, do grupo Humanista, deixou aberta a possibilidade de tentar redirecionar para Michelle os 5,27% dos votos que obteve. Antes, tinha assegurado que os sufrágios do seu grupo não eram negociáveis. Hirsch disse que a quantidade de votos que conseguiu mostra o constante ascenso da esquerda como forço política e social.

Na sua opinião, este resultado “deveria representar a eleição de, pelo meno s, oito deputados, mas temos um sistema absolutamente discriminatório”, criticou. A campanha de Hirsch foi uma das melhores – ele propôs um programa alternativo em benefício dos setores desprotegidos da sociedade chilena.

Brasil de Fato