JPEG - 17.3 kb

Essa é a posição de diversos partidos políticos que defendem a instituição do segundo turno na legislação boliviana. A atual lei eleitoral na Bolívia define que, caso nenhum concorrente obtenha maioria dos votos, o Congresso é o responsável pela definição de quem ocupará o principal posto do Poder Executivo no país.

Mesmo assim, seguem as especulações de que estaria sendo articulada uma coalização de forças centro-direitistas para minar a candidatura do cocalero socialista Evo Morales – líder nas pesquisas eleitorais com mais de 30% dos votos, à frente do conservador Jorge Quiroga. Para impedir que o candidato do Movimiento Al Socialismo (MAS) seja empossado, se ganhar o pleito, os conservadores terão de garantir maioria parlamentar no Congresso. As pesquisas eleitorais mostram que, até o momento, nem o partido de Morales e tampouco o Podemos de Quiroga terão hegemonia absoluta entre os deputados e senadores.

Posição vacilante

O candidato cocaro tem lembrado, no entanto, que o MAS sempre respeitou a Constituição e a vontade popular. Morales está também rejeitando a negociar um pacto proposto por Quiroga de pressionar o Congresso a convocar um segundo turno eleitoral se ninguém conseguir 50% dos votos. Em vez disso, o político do MAS exige que Quiroga cumpra a promessa feita no início da sua campanha – quando as pesquisas o favoreciam – de desistir da participação em um segundo turno se fosse o primeiro nas urnas. O conservador, agora, rejeita essa posição, pois espera que uma coalização possa lhe favorecer, mesmo se for derrotado nas urnas.

O terceiro colocado nas pesquisas, o empresário Samuel Doria Medina, da Unidad Nacional (UN), manifestou dúvidas ao responder como se posicionaria a respeito de um impasse. O político centro- direitista disse que, se algum candidato vencer por 5 pontos percentuais de vantagem, o Congresso deverá reconhecê-lo como governante. Caso contrário, seu partido se manterá neutro, o que também pode favorecer Morales. Isso porque a Constituição diz que, se depois de três votações no Congresso, nenhum candidato conseguir 51% dos parlamentares, a vontade popular deverá ser mantida.

Não por acaso, uma das estratégias da campanha de Quiroga é a defesa do voto útil contra Morales, ou seja, dizer que quem votar no empresário Medina acabará elegendo o político do MAS. Quiroga chegou inclusive a sugerir publicamente ao candidato da UN que abandone as eleições para não dividir quem não deseja ver Morales como novo presidente da Bolívia.

Especialistas políticos locais avaliam que é praticamente inviável do ponto de vista social e político que um acordo parlamentar para reverter uma vitória de Morales nas urnas, considerando que o país já vive uma profunda crise de legitimidade do poder político – dois presidentes foram depostos em três anos. Uma pesquisa feita recentemente apontou que 90% dos bolivianos são favoráveis a que o Congresso confirme o vencedor das urnas como o novo presidente.

Brasil de Fato