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A Assembléia dos Povos Credores do Sul foi uma iniciativa que a Rede Continental Jubileu Sul Américas impulsionou junto a outras organizaçoes e movimentos do continente como a Aliança dos Povos do Sul Credores da Dívida Ecológica, a Rede Latinoamericana Mulheres Transformando a Economia (REMTE), Marcha Mundial das Mulheres, Aliança Internacional de Habitantes, Organização Continental Latinoamericana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), Confederação Latinoamericana de Organizações do Campo (CLOC-Via Campesina) entre outras, com o objetivo de gerar um espaço aberto e participativo onde as pessoas podem expressar, testemunhar e denunciar como o pagamento da dívida externa afeta suas vidas cotidianas e como se pode deter este problema e conseguir justiça e reparação.

Mais que um problema econômico, a dívida externa é um problema político e ideológico, foram as palavras com as quais Sandra Quintela, representante da organização Jubileu Sul abriu a atividade. “No ano 2003 começamos a trabalhar com a idéia de credores, a dívida de nossos países já foi paga muitas vezes, além de ser totalmente injusta, somente provoca sofrimento para o povo. É evidente que não somos devedores mas ao contrário, eles nos devem”.

Afirmou também que é fundamental na luta contra o pagamento da dívida externa que os movimentos sociais impulsionem estratégias que ajudem a reafirmarmos esta visao. Por outra parte, foi afirmada a importância de impulsionar campanhas de conscientização para que todos homens e mulheres reconheçam quais são seus direitos fundamentais que estão sendo violados e qual relação tem isto com a dívida externa. A partir da apresentação de testemunhos, os participantes foram respondendo a três perguntas: qual é a dívida cujo pagamento querem reclamar?, quem deve pagar essa dívida?, como devem reparar ou pagar essa dívida?

María Rosa Anchundia, do Equador, representando REMTE, manifestou que “há uma dívida invisível, que é a dívida com as mulheres. O trabalho que realizamos as mulheres contribui para sustentar nao somente as economias familiares mas também é a real sustentação do funcionamento do sistema econômico. A dívida está afetando consideravelmente as mulheres. A redução do orçamento em saúde e educação significará sobrecarga para o trabalho das mulheres. O Estado deve pagar essa dívida com as mulheres através da seguridade social e chamamos todas e todos a lutar contra o capital financeiro, contra o imperialismo e exigir o pagamento da dívida com as mulheres”.

Os representantes das organizaçoes presentes assinalaram que as Corporações e as empresas trasnacionais dos países do Norte, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Fundo Monetário Internacional, os governos e a dirigência política cúmplices de seus países como aos responsáveis pela imposição da dívida já que saqueam os bens naturais e destroem o meio ambiente, promovem políticas de liberalização financeira e privatização da água,do ar, da terra, não fomentam o desenvolvimento industrial, aplicam políticas de ajuste fiscal e reduzem os investimentos sociais a fim de destinar mais recursos ao pagamento da dívida.

Os participantes manifestaram também várias propostas e iniciativas para fortalecer a luta contra o pagamento da dívida. Entre outras, foi mencionada a realização de auditorias da dívida externa para determinar realmente quem deve a quem; realizar ações para deter a implementação do livre comércio e exigir que os governos impulsionem políticas de integração a favor dos direitos dos povos.