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PORTO ALEGRE - A Venezuela comunicou nesta quinta-feira (20) à União Européia a decisão de abandonar a Comunidade Andina de Nações (CAN). O anúncio foi feito pelo vice-ministro do Exterior da Venezuela, Pavel Rondon, durante uma reunião de dirigentes de ambos os blocos em Bruxelas, que analisou a possibilidade de negociar um Tratado de Livre Comércio entre os dois blocos.

Na quarta-feira, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já havia comunicado a intenção de deixar a Comunidade Andina, alegando que ela “só serve às elites e às transnacionais”. A Venezuela prefere apostar no Mercosul, anunciou Chávez. Em um pronunciamento em Assuncion, o presidente venezuelano afirmou ainda: “A Comunidade Andina de Nações está ferida de morte e hoje posso dizer que está morta. Mataram-na. Não existe. A Venezuela está deixando a Comunidade Andina. Não faz sentido. Precisa fazer outra coisa". Nesta quinta-feira, em Curitiba, Chávez voltou a falar do tema. Segundo ele, a decisão do governo colombiano de assinar um tratado de livre comércio com os EUA decretou a morte da Comunidade Andina.

Ao falar para uma platéia com mais de mil representantes de movimentos sociais, Chávez defendeu a necessidade de apoiar a reeleição de Lula. Durante sua estada no Paraná, o líder venezuelano ouviu críticas ao governo brasileiro, de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em especial no tema da Reforma Agrária. Mas Chávez reafirmou seu apoio ao presidente brasileiro:

“Lula é o homem para este momento no Brasil. O movimento popular político, contestador, alternativo do Brasil não pode permitir que uma conjuntura eleitoral divida o país”, disse. O líder venezuelano também defendeu a importância da vitória de Ollanta Humala no Peru e elogiou os governos de Evo Morales, na Bolívia, Nestor Kirchner, na Argentina, e Tabaré Vázquez, no Uruguai. E a reafirmou suas críticas aos Estados Unidos e ao sistema capitalista internacional: “O capitalismo é perverso e desajusta a sociedade. Enquanto os Estados Unidos infiltram governos e forças armadas, nós precisamos montar uma estratégia política contra o imperialismo. Hoje é o Iraque, amanhã é o Irã e depois pode ser a Venezuela e o Brasil”.

ACORDOS COM O PARANÁ

Chávez esteve no Paraná para assinar uma série de acordos com o governo do Estado. Os 15 acordos assinados por Chávez e pelo governador Roberto Requião (PMDB) prevêem investimentos de US$ 320 milhões em áreas estratégicas da produção: agricultura, meio ambiente, saneamento básico, educação, ciência e tecnologia e habitação. O governo do Paraná assinou convênios com os governos dos Estados de Anzoátegui, Lara, Mérida, Monagas, as prefeituras de Caracas e de Libertador, ministérios e órgãos do governo venezuelano. Também foram firmadas parcerias entre o governo venezuelano e empresas paranaenses, que envolverão assistência técnica e transferência de tecnologia.

Também foram assinados acordos na área das comunicações, que ampliarão por três anos a transmissão e a produção de programas bilíngües (português e espanhol) entre a Paraná Educativa (Rádio e TV Paraná Educativa) e Telesur (Nueva Televisión del Sur). Esses acordos pretendem consolidar espaços de expressão da diversidade cultural dos países de América Latina e do Caribe, além de promover a produção de programas de intercâmbio e integração entre paranaenses e venezuelanos. A Telesur prometeu converter o sinal de áudio e vídeo de sua transmissão em dois canais diferentes, em espanhol e português, para que o segundo possa ser recebido no Brasil de maneira independente.

DEFESA DA NATUREZA E DA DIVERSIDADE

Representantes da Via Campesina e da Coordenação dos Movimentos Sociais aproveitaram a presença de Chávez em Curitiba para lançar o documento “Carta das Américas em Defesa da Natureza e da Diversidade Biológica e Cultural”. Assinado inicialmente por 32 movimentos sociais, o documento agora será divulgado em todo o mundo em busca de novas adesões. Chávez foi o primeiro a assinar a carta, que também tem as assinaturas do governador do Paraná, Roberto Requião, do prêmio Nobel da Paz, Perez Ezquivel, de Leonardo Boff e Dom Pedro Casaldáliga, entre outros.

O documento propõe a conservação da diversidade biológica e cultural dos ecossistemas das Américas e manifesta repúdio à introdução, nas Américas, de espécies exóticas, de organismos transgênicos e das sementes “terminators” (estéreis). "Nos opomos à tentativa do governo imperial dos Estados Unidos e de suas empresas transnacionais", diz ainda o texto que critica o projeto da Área de Livre Comércio das Américas e os tratados bilaterais que Washington vem buscando firmar com países do continente.