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Representam dois paradigmas de política externa: um voltado para o passado, regendo-se pela relação amigo-inimigo e pelo confronto e outro orientado para o futuro, guiando-se pela relação do aliado e da convivência. Essas posturas apareceram nítidas dos debates internos e estão presentes na política mundial dentro do processo de globalização.Antes de mais nada, precisamos nos conscientizar da singularidade do momento histórico que estamos vivendo. Mudou nossa percepção de fundo: descobrimo-nos como espécie humana, reunida num espaço limitado que é o planeta Terra. Somos todos interdependentes. O destino comum foi globalizado: ou cuidamos da humanidade e do planeta Terra como um todo ou não teremos mais futuro algum.

Os riscos reais podem significar uma chance única para a sociedade mundial, chance de re-invenção de um novo paradigma de civilização, assentado sobre a hospitalidade geral, sobre a convivência, o respeito, a tolerância, a responsabilidade universal e a comensalidade. Aprendemos muito do passado mas não nos é mais permitido repeti-lo. Entretanto, há uma classe de políticos que, face aos problemas globais ou regionais, apostam em soluções do passado, que usam a força e o confronto. O pressuposto teórico, formulado por Carl Schmitt)+1985) e repetido por Samuel P. Huntington em O choque de civilizações, diz:"a essência da existência política de um povo reside em sua capacidade de definir quem é amigo e quem é inimigo".

Definido o inimigo, entra a funcionar a política no big stick e a satanização do outro. Isso ocorreu no Brasil com referência à Bolívia por causa da nacionalização do gás feita pelo Presidente Evo Morales. A classe política conservadora e míope não vislumbrou uma política de médio e de longo alcance, adequada à nova fase da história, de blocos regionais e da constituição da globalização da política que exige diálogo, negociação e conciliação de interesses em vista da convivência pacífica.

Outro grupo de políticos bem representados pelo Presidente Lula e pelo Ministério das Relações Exteriores se move dentro de um paradigma de futuro e de longo alcance, exigido pela nova situação da humanidade. Ao inimigo e ao confronto contrapõe-se o aliado e a convivência. Reconhecem-se as diferenças mas se buscam pontos em comum, capazes de criar o bloco latino-americano, com força para dialogar em pé de igualdade com outros blocos e com outros interesses.

Somente esta atitude sábia responde à pergunta: Como construir um futuro comum? Como habitar poética e prosaicamente o mesmo mundo? Qual a base comum que nos permitirá o entendimento recíproco e a construção de convergências na diversidade, regionais e globais? Estamos convencidos de que surgirá uma Terra multicultural, colorida por todo tipo de valores étnicos, éticos e espirituais com uma economia multidimensional e uma política do bem geral. O propósito maior é um novo modelo de coexistência, formando uma civilização planetária interconectada.