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Boa noite. Esta noite posso informar ao povo americano e ao mundo que os Estados Unidos realizaram uma operação que matou Osama bin Laden, líder da Al Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.

Há quase 10 anos, um lindo dia de setembro foi obscurecido pelo pior ataque ao povo americano na nossa história. As imagens do 11 de Setembro estão entranhadas na nossa memória nacional. Aviões sequestrados cruzando o céu limpo de setembro, as Torres Gêmeas desabando, fumaça negra subindo em ondas do Pentágono, a queda do voo 39 em Shanksville, Pensilvânia, em que as ações de heróicos cidadãos impediram mais desgosto e destruição.

E, ainda assim, sabemos que as piores imagens são aquelas invisíveis aos olhos do mundo, o lugar vazio na mesa de jantar, crianças que tiveram de crescer sem sua mãe ou seu pai, pais que nunca viriam a sentir o abraço de seu filho. Quase 3 mil cidadãos tirados de nós, deixando um vazio em nosso coração.

No 11 de Setembro de 2001, em nosso momento de aflição, o povo americano se uniu. Oferecemos a mão a nossos vizinhos e oferecemos nosso sangue aos feridos. Reafirmamos nossos laços uns com os outros e nosso amor à comunidade e ao país.

Naquele dia, não importa de onde viéramos, para qual Deus orávamos, de que raça ou etnia éramos, nos unimos como uma única família americana.

Também nos unimos em nossa decisão de proteger nossa nação e levar à justiça aqueles que cometeram esse cruel atentado. Soubemos imediatamente que os atentados de 11 de Setembro haviam sido realizados pela Al Qaeda, organização chefiada por Osama bin Laden, que havia declarado guerra aberta contra os Estados Unidos e estava empenhado em matar inocentes em nosso país e no mundo todo.

Assim fomos à guerra contra a Al Qaeda para proteger nossos cidadãos, nossos amigos e aliados.

Durante os últimos 10 anos, graças ao incansável e heróico trabalho de nossos militares e de nossos profissionais em contraterrorismo, fizemos grandes avanços nesse sentido. Impedimos atentados terroristas e reforçamos nossa defesa interna.

No Afeganistão, derrubamos o governo Taleban que havia dado a Osama e à Al Qaeda abrigo seguro e apoio.

E, no mundo todo, trabalhamos com nossos amigos e aliados para capturar ou matar inúmeros terroristas da Al Qaeda, inclusive vários que participaram da trama do 11de Setembro.

Ainda assim, Osama bin Laden evitou sua captura e escapou pela fronteira do Afeganistão para o Paquistão. Enquanto isso, a Al Qaeda continuou a operar ao longo da fronteira e por meio de seus partidários no mundo todo. Por isso, logo após tomar posse, ordenei a Leon Panetta, diretor da CIA, a tornar o assassinato ou a captura de Osama bin Laden a máxima prioridade de nossa guerra contra a Al Qaeda, embora continuássemos com nossos esforços mais amplos de desbaratar, desmantelar e derrotar sua rede.

Então, em agosto do ano passado, após anos de trabalho meticuloso de nossa comunidade de inteligência, fui informado sobre uma possível pista de Osama bin Laden. Não era garantido, e levou muitos meses para seguir essa pista até o fim.

Tive reuniões seguidas com minha equipe de segurança nacional, à medida que tínhamos mais informações sobre a possibilidade de ter localizado Osama em um complexo nas profundezas do Paquistão.

E, finalmente, na semana passada, decidi que tínhamos informações suficientes para entrar em ação e autorizei uma operação para capturar Osama bin Laden e levá-lo a julgamento.

Hoje, por minha ordem, os Estados Unidos lançaram um operação direcionada contra esse complexo em Abbottabad, no Paquistão. Uma equipe pequena de americanos realizou a operação com extraordinária coragem e capacidade. Nenhum americano ficou ferido. Eles tomaram cuidado para evitar mortes de civis.

Após um tiroteio, mataram Osama bin Laden e se apoderaram de seu corpo.

Durante mais de duas décadas, Osama foi o líder e o símbolo da Al Qaeda e continuou a tramar atentados contra nosso país e nossos amigos e aliados. A morte de Osama bin Laden marca a realização mais importante até hoje do esforço de nosso país para derrotar a Al Qaeda.

No entanto, sua morte não significa o fim de nossos esforços. Não há dúvida que a Al Qaeda continuará tentando desfechar ataques contra nós. Devemos e continuaremos vigilantes em casa e no exterior. Ao mesmo tempo, devemos também reafirmar que os Estados Unidos não estão e nunca estarão em guerra com o Islã.

Como deixei claro, assim como o presidente Bush o fez logo após o 11/9, nossa guerra não é contra o islamismo, porque Osama bin Laden não era um líder muçulmano. Ele era um assassino em massa dos muçulmanos. De fato, a Al Qaeda matou inúmeros muçulmanos em muitos países, inclusive no nosso país.

Assim, sua morte deve ser comemorada por todos que acreditam na paz e na dignidade humana.

Nos últimos anos, deixei claro muitas vezes que deveríamos agir no Paquistão, se viéssemos a saber onde estava Osama. Foi o que fizemos. Mas é importante ressaltar que a cooperação de nossas forças contraterroristas com o Paquistão ajudou a nos levar até Osama bin Laden e ao complexo onde ele estava escondido. De fato, Osama tinha declarado guerra contra o Paquistão também e havia ordenado ataques contra o povo paquistanês.

Esta noite liguei para o presidente Zardari, e minha equipe também falou com seus pares paquistaneses. Eles concordam que este é um dia histórico para as duas nações. E, para o futuro, é essencial que o Paquistão continue conosco na luta contra a Al Qaeda e seus membros.

Esta luta não foi uma escolha do povo americano. Ela chegou às nossas terras e começou com a chacina sem sentido de nossos cidadãos. Após quase 10 anos de serviços, lutas e sacrifícios, conhecemos bem os custos da guerra. Esses esforços pesam sobre mim a cada vez que eu, como comandante em chefe, tenho de assinar uma carta para uma família que perdeu um ente querido ou olho nos olhos de um soldado que foi gravemente ferido.

Portanto, os americanos conhecem os custos da guerra. Contudo, como país, jamais toleraremos que nossa segurança seja ameaçada, tampouco ficaremos de braços cruzados quando matam nosso povo. Seremos incansáveis na defesa de nossos cidadãos, amigos e aliados. Honraremos os valores que fazem de nós quem somos.

E em noites como esta, poderemos dizer às famílias que perderam entes queridos para o terrorismo da Al Qaeda: A justiça foi feita.

Nesta noite agradecemos os inúmeros profissionais de inteligência e contraterrorismo que trabalharam incessantemente para chegar a esse resultado. O povo americano não vê o trabalho que eles fazem nem sabe o nome deles, mas esta noite se sentem felizes com o trabalho e a busca desses profissionais por justiça.

Somos gratos aos homens que executaram essa operação porque eles exemplificam o profissionalismo, o patriotismo e a coragem sem paralelo daqueles que prestam serviço ao nosso país. E eles fazem parte da geração que arcou com o maior ônus desde aquele dia de setembro.

Por fim, quero dizer às famílias que perderam entes queridos no 11 de Setembro que jamais esquecemos suas perdas, nem abandonamos nosso compromisso de fazer tudo que for preciso para evitar outro ataque às nossas terras.

E nesta noite, vamos retomar o espírito de unidade que prevaleceu em 11 de Setembro. Sei que por vezes esse sentimento se deteriorou. Mas a conquista de hoje é um testemunho da grandeza do nosso país e da determinação do povo americano. A questão de manter nosso país em segurança não chegou ao fim, mas esta noite somos mais uma vez lembrados de que os Estados Unidos podem fazer tudo a que se proponham. Esta é a nossa história, seja a busca de prosperidade para o nosso povo ou a luta por igualdade entre todos os cidadãos, seja nosso compromisso de honrar nossos valores no exterior e nossos sacrifícios para fazer do mundo um lugar mais seguro.

Vamos nos lembrar de que podemos fazer essas coisas, não apenas por causa de riqueza ou poder, mas por sermos quem somos: Uma nação, sob a proteção de Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos.

Obrigado. Deus os abençoe e abençoe os Estados Unidos da América.