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Os mentirosos em pânico na Ucrânia

Segundo Giulietto Chiesa a crise ucraniana vira catástrofe para Kiev e seus aliados. Para mascarar o desastre nada mais resta fazer que espalhar o medo, com uma suposta invasão russa de... 1000 homens.

| Roma (Itália)
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Desde fevereiro, o ministro da Administração Interna Arsen Avakov anunciou em várias ocasiões que desta vez, com certeza, as tropas russas invadiram o país.

Há qualquer coisa de inquietante nesta repetição frenética de mentiras tão infantis como as que a «América» e a Europa derramam, histericamente, sobre as opiniões públicas ocidentais aparvalhadas.

Pode-se facilmente desmenti-las uma a uma, mas como podemos ignorar o terrível poder da desinformação – preparatória para a guerra — assim produzida? É como estar na frente de um personagem perturbado, angustiado, em estado de choque: tem de se perceber o porquê. Eu creio que todas estas cortinas de fumo anunciam algo muito grave.

Repararam que já não se fala mais do Boeing da Air Malaysia? Quase um mês e meio passado e o que temos é o grande silêncio. Se eles tivessem as provas de culpabilidade dos russos —como alegaram desde o início todos os grandes média ocidentais—, eles tê-las-iam mostrado, e teriam reclamado sanções. Mas não o fizeram. Mas, claro, vão ter que acabar dizendo alguma coisa. Por exemplo, que foi a Ucrânia que derrubou o avião, talvez, com o tal famoso avião de caça que voava à volta do Boeing. Ou, melhor, irão dizer que os dados da caixa negra, e das gravações entre os controladores ucranianos em terra e a tripulação, foram perdidos acidentalmente.

E, então, todos compreenderão o que isso significa (excepto, talvez, dos mentirosos, inveterados, envolvidos no caso).

O outro elemento igualmente perturbador, e agora evidente, é que Kiev está em vias de perder a guerra. Pior ainda é uma derrota clara, com a agravante à cabeça da morte de soldados e oficiais sobre os quais Poroshenko deverá prestar contas perante os seus concidadãos. Mas, um fracasso tão brutal da aventura Euro-Maidan deve, obviamente, ficar escondido da opinião pública mundial: é um fracasso para Obama, para Merkel, para a Polónia e para os Estados Bálticos. Um desastre político, militar, diplomático.

Então, o que que se faz? Multiplica-se as mentiras! Rússia invade a Ucrânia. Ainda? Mas ela já não o havia feito?

Estas mentiras são frágeis, e se não houvesse tantos directores inescrupulosos como Maura no La Repubblica ou De Bortoli no Corriere (della Sera-ndT)-(para citar apenas dois exemplos entre muitos outros), toda a gente se teria apercebido disto. A truncagem de fotos é mal feita, as declarações de Poroshenko são mal traduzidas. A maior parte das afirmações são infundadas. E o tudo o que eles contam é de uma ingenuidade total.

A Rússia «invade» a Ucrânia com 1.000 homens?

Ora bem, é uma piada? Como é que uma pessoa inteligente como F. Rampini pode acreditar nisto? Eles não conseguiram aperceber-se que estes mesmos rebeldes, pela voz do primeiro-ministro do Donbass, disseram que entre eles estão 4.000 voluntários russos? Precisam desta história de 1.000 fantasmas enviados por Putin, que inclusive nem mesmo os observadores da OSCE viram passar?

É óbvio, porém, que Putin vem buscando, há vários meses, uma solução diplomática para um problema que ele não criou. É evidente que Putin não tem nenhuma intenção de «tomar Kiev». Muito menos sequer que o Donbass. Em Minsk, Putin deixou claro que ele não faria de mediador («é um problema interno da Ucrânia»). Se os líderes europeus não fossem estes estúpidos vassalos que se fazem saltar estalando os dedos, eles guardariam distância desta «América» que procura a guerra. Eles diriam a Obama que a batata quente era dele, já que foi ele quem a criou. Não era preciso chamá-lo mentiroso, bastava apenas deixá-lo sozinho. Mas eles continuam a comportar-se como lacaios.

É chegada a hora do povo italiano dizer basta. E, os únicos que o podem fazer são os do Movimento 5 estrelas, ou seja, Beppe Grillo. Que ele organize uma manifestação nacional para exigir uma mudança de rumo no nosso país. Que ele apele, assim, para todos, e não apenas para os seus, que ele ponha em prática um pacto de «salvação nacional», que ele dê a palavra a todos. É vital, trata-se de salvar a nossa pele, a de todos. Se esperarmos pelos «pacifistas», e pela esquerda, está tudo tramado.

A crise ucraniana acelera, não há tempo a perder. Muito poucos entendem que o perigo se aproxima a passos rápidos.

Tradução
Alva

Fonte
Megachip-Globalist (Itália)

Giulietto Chiesa

Giulietto Chiesa Giulietto Chiesa é jornalista. Ele foi correspondente de El Manifesto e de Avvenimenti, colaborador de inúmeras estações de rádio e televisão na Itália, na Suíça, no Reino Unido, na Rússia e no Vaticano. Autor de diversos obras, ele escreveu, nomeadamente, sobre a dissolução da URSS e sobre o imperialismo norte-americano. Antigo deputado ao parlamento Europeu (Aliança dos Democratas e Liberais, 2004-2008), é membro do Bureau executivo do World Political Forum (Fórum Político Mundial).

 
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