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INFORMAÇÃO DE INFORMANTE

Banho de sangue em Odessa dirigido por governantes interinos da Ucrânia

A mídia atlantista teimosamente apresenta os crimes cometidos em Odessa em 2 de maio como resultado de um incêndio acidental, enquanto as fotos e vídeos disponíveis não deixam dúvidas de que as vítimas foram torturadas e assassinadas antes de serem queimadas. Nós lhe trazemos informações de primeira mão sobre como a operação foi organizada e executada sob a autoridade direta e pessoal do Presidente em exercício Alexander Turchinov, nomeado pelo golpe.

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O presidente golpista Alexander Turchinov presidiu a reunião que planejou a operação em Odessa.

As informações fornecidas abaixo foram obtidas de um informante ["insider"] de uma das agências de aplicação da lei da Ucrânia, que deseja manter no anonimato por razões óbvias. É claro que existem pessoas mesmo dentro da administração interina em Kiev que são contra o que aconteceu em Odessa em 2 de maio e em todo o país [1].

Após a perda da Crimeia e a revolta popular em Mariupol, Odessa é agora porta de entrada única da Ucrânia para o mar, tornando-se a cidade mais importante do país depois de Kiev.

Dez dias antes da tragédia, uma reunião secreta foi realizada em Kiev, presidida pelo Presidente incumbente Olexander Turchinov, para preparar uma operação especial em Odessa. Estavam presentes o Ministro dos Assuntos Internos, Arsen Avakov, o chefe do Serviço Ucraniano de Segurança Valentin Nalivaychenko, e o Secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Andriy Parubiy. O oligarca ucraniano Ihor Kolomoiskiy [2], nomeado, por Kiev, Chefe da Administração Regional da Região de Dnepropetrovsk, foi consultado em relação à operação.

Durante essa reunião, Arsen Avakov alegadamente surgiu com a idéia de usar hooligans [desordeiros] do futebol, conhecidos como "ultras", na operação. Desde que assumiu o cargo de Chefe da Administração Regional de Kharkov, ele tem trabalhado estreitamente com os líderes dos fãs, aos quais continuou a patrocinar até mesmo de sua nova casa na Itália [3].

Kolomoisky temporariamente entregou seu batalhão privado "Dnieper-1" para o comando de oficiais da justiça em Odessa, e também autorizou um pagamento em dinheiro de US $5.000 para "cada separatista pró-Rússia " morto durante a operação especial.

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Mykola Volvov era procurado pela polícia ucraniana desde 2012 por fraude.

Alguns dias antes da operação em Odessa, Andriy Parubiy trouxera dezenas de coletes à prova de bala para ultra-nacionalistas locais [4]. Este vídeo mostra um episódio de entrega dos coletes para os ativistas locais de Maidan em Odessa. Tome nota da pessoa que recebe a carga. Ele é Mykola Volkov, um criminoso barra-pesada local que seria exibido repetidamente durante o assalto à Casa dos Sindicatos a disparar contra as pessoas [5] e a relatar sobre o "incidente" por telefone a um funcionário em Kiev [6].

Preparações

Militantes ultranacionalistas da extremista Assembleia Nacional Ucraniana (UNA-UNSO), que poderiam ser reconhecidos por suas braçadeiras vermelhas, também foram utilizados durante a operação. A eles foi atribuído um papel-chave na encenação das provocações: eles se disfarçaram de defensores da cidade de tendas no Campo Kulikovo, e então atraíram seus ocupantes para a Casa dos Sindicatos para serem abatidos.

Quinze bloqueios foram criados fora de Odessa, garantido por militantes sob o comando pessoal do batalhão de "Dnieper-1" de Kolomoisky, bem como bandidos do Right Sector de Dnepropetrovsk e das regiões ocidentais da Ucrânia. Além disso, duas unidades militares de auto-defesa de Maidan chegaram em Odessa, sob o comando do Chefe Interino da administração do Presidente, Sergey Pashinsky – o mesmo homem que foi pego com um rifle com mira telescópica no porta-malas de seu carro no dia 18 de fevereiro, na Praça da Independência (Maidan) em Kiev [7]. Pashinsky mais tarde afirmou que ele não tinha sido plenamente informado sobre os planos para a operação e tinha despachado seus homens só para "proteger o povo de Odessa". Assim, havia um total de cerca de 1.400 combatentes de outras regiões da Ucrânia nas proximidades no momento – portanto, contrariando a idéia de que havia apenas "moradores de Odessa", os quais incendiaram a Casa dos Sindicatos.

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Vice-Chefe da Polícia de Odessa e principal coordenador da operação, Dmitry Fucheji, misteriosamente desaparecido logo após o tragédia em Odessa.

O papel das forças policiais na Operação Odessa foi dirigido pessoalmente pelo chefe da polícia regional Petr Lutsyuk e seu adjunto Dmitry Fucheji. A Lutsyuk foi atribuída a tarefa de neutralizar o Governador Regional de Odessa, Vladimir Nemirovsky, para impedi-lo de montar uma estratégia independente que poderia interromper a operação. Fucheji levou os militantes direto à Praça Grega onde foi alegadamente "ferido" (a fim de evitar responsabilidade por eventos subseqüentes).

A operação estava originalmente marcada para 2 de maio – o dia de uma partida de futebol, o que justificaria a presença de um grande número de fãs do esporte ("ultras") no centro e também significaria que haveria um número mínimo de moradores de Odessa nas ruas, os quais não foram envolvidos na operação, uma vez que a maioria da população estaria fora da cidade, desfrutando de suas férias do Dia do Trabalho.

Operação

O trem vindo de Kharkov chegou em Odessa em 2 de maio às 8:00 am carregando fãs do clube de futebol Metallist, incluindo alguns "ultras" que estavam a tomar parte na operação. Além disso, os militantes do batalhão "Dnieper-1" e do Right Sector, simultaneamente, entraram na cidade em pequenos grupos. Alguns dos militantes da Auto-Defesa de Maidan também chegaram de Kiev, a maioria de carro. Naquele dia, a polícia de Odessa estava sob ordens estritas para não parar os carros com placas de Kiev, Dnipropetrovsk e Lvov.

À tarde, alguns dos combatentes dirigiram-se para a Praça Sobornaya, onde aqueles que participavam da "Marcha para uma Ucrânia Unida" estavam programando reunir-se. Sua tarefa era organizar a multidão e levá-la para as barricadas na Praça Grega. Os participantes das "operações especiais" adornados com fitas de São Jorge vestiram seus capuzes e marcharam pela Avenida Alexandrovsky. Estes eram os "ativistas pró-Rússia" vistos em inúmeras fotos e vídeos. Os provocadores usavam braçadeiras vermelhas sobre as mangas a fim de se distinguir dos ativistas reais, baseados em Odessa. Da mesma forma, a polícia que tinha informações privilegiadas sobre os detalhes da operação ostentou braçadeiras vermelhas também. Infelizmente, alguns dos ativistas reais, que não tiveram acesso a essa informação, cederam aos apelos dos provocadores e correram para "parar os fascistas".

Muitas testemunhas oculares gravaram o que aconteceu a seguir [8]. Com o apoio da polícia, os provocadores supostamente "pró-russos" alinharam-se perto do shopping center "Afina", no cruzamento da Rua Grega e da linha do Vice-Almirante Zhukov, onde os provocadores dentre os fãs de futebol, incluindo os que representam o Right Sector e o UNA-UNSO, os atacaram (o que foi confirmado até mesmo pelos observadores pro-Maidan [9]). Armas de fogo foram usadas por ambos os lados, e ambos os lados sofreram fatalidades.

A tarefa de distrair do jogo os "honestos" fãs de futebol e dirigir a multidão em direção ao Campo Kulikovo tinha sido plenamente cumprida. Os provocadores que tinham incitado a multidão então retiraram-se para o centro comercial "Afina", de onde eles foram mais tarde retirados pela polícia. Sofreram ferimentos, mas sem vítimas fatais.

Enquanto os confrontos estavam em curso na Praça Grega, um grupo de bandidos do Right Sector estava preparando a parte principal da operação, denominada "Ha’ola" – da frase "Mizbeach Ha’ola", que em Hebraico significa "o altar dos sacrifícios pelo fogo". Eles rumaram para a Casa dos Sindicatos através da entrada dos fundos e fortificaram suas posições no porão e no sótão. Este grupo continha apenas comprovados combatentes os quais eram assassinos experientes.

Enquanto as massas estavam se movendo através do centro da cidade, da Praça Grega para o Campo Kulikovo, parte do provocadores foi em carros e acelerou-se à frente da maioria da multidão, precipitando-se no acampamento e incitando pânico ao gritar "O Right Sector está a caminho!" e "Eles estão vindo para matar vocês!" e assim por diante. Liderados pelos provocadores, muitos ativistas entraram na Casa dos Sindicatos em vez de dispersarem-se por toda a cidade. Alguns deles foram para o porão, do qual ninguém saiu vivo – lá eles foram torturados, mortos e esquartejados com facões. Outros foram para os andares superiores. Gasolina foi misturada com napalm para formar mortífero, corrosivo monóxido de carbono. A receita para esses coquetéis mortais foi criada pelos químicos da Praça da Independência, mas eles não foram usados lá. Essa mistura foi empregada pela primeira vez em Odessa, e não foi um acidente: um massacre com um grande número de vítimas fatais era necessário a fim de aterrorizar o país inteiro.

A "batalha" pela Casa dos Sindicatos durou várias horas – durante as quais alguns dos combatentes fingiram montar resistência lançando coquetéis Molotov do telhado, enquanto outros metodicamente massacravam, estrangulavam e incineravam suas vítimas. Para assegurar que o fogo não fosse extinto, a água para o edifício foi completamente cortada.

Depois que "Ha’ola" foi concluída, os assassinos do Right Sector fugiram do prédio através das saídas lateral e traseiras e deixaram a cidade. A polícia entrou, então, no edifício. O número que tornou-se o número oficial de mortos – 46 – incluiu apenas os mortos nos pisos superiores do edifício. A maioria das vítimas, que estava no porão, não foi contada. É improvável que o número exato de mortos venha a ser conhecido, mas a maioria das fontes afirma que entre 120 e 130 foram mortos.

A verdade não pode ser ocultada

A junta privatizou a polícia e o serviço de segurança, mas se esqueceu do gabinete do procurador. E agora o procurador-geral interino, Oleh Makhnitsky, afirmou:

"Essa ação [em Odessa] não foi preparada em nenhum nível interno; foi uma ação bem planejada e coordenada, da qual participaram representantes de algumas das autoridades." [10]

É improvável que ele seja autorizado a citar aqueles que são verdadeiramente responsáveis pela tragédia. Mas a junta em Kiev não será capaz de esconder completamente a verdade sobre o que aconteceu em Odessa. Essa tragédia deve ser cuidadosamente investigada e os culpados devem ser processados pelo Tribunal Internacional por cometer crimes contra a humanidade. Nuremberga-2 está à espera de Turchinov & Co.

Tradução
Marisa Choguill

Fonte
антифашист

[1] «Crimen en Odesa», por Thierry Meyssan, Red Voltaire , 7 de mayo de 2014. «Las masacres en Odesa dan el tiro de gracia a la unidad de Ucrania», Red Voltaire, 13 de mayo de 2014.

[2] «En Ucrania, el hijo de Joe Biden conjuga utilidad e intereses personales », Red Voltaire , 14 de mayo de 2014.

[3] “Interpol office in Italy confirms Avakov’s arrest for extradition”, Interfax-Ukraine, 30 March 2012.

[4] “Андрей Парубий подарил добровольцам одесской самообороны современные бронежилеты”, Djdansky, YouTube, 24 April 2014.

[5] “Стрельба по протестующим в здании профсоюзов Одесса 2 мая 2014 года”, Андрей Бонд, YouTube, 3 May 2014.

[6] “Мыкола сотник правого сектора докладывает про ситуацию в Одессе 2 мая 2014 года”, Андрей Бонд, YouTube, 3 May 2014.

[7] “Задержана машина с огнестрельным оружием активистами Майдана - сюжет телеканала "112 Украина"”, 112 Украина, YouTube, 18 February 2014.

[8] “Odessa Inferno 18+ May 2, 2014”, André Fomine, YouTube, 6 May 2014.

[9] “Что в действительности произошло в Одессе вчера...”, Прямо сейчас!, 3 May 2014.

[10] “Odessa Tragedy Planned by Authorities’ Representatives – Kiev Official”, Ria-Novosti, 7 May 2014.

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