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Evo: terra, água e petróleo
por Roberto Malvezzi, Gogó *

Na Conferência Mundial da água, no México, a Bolívia já foi o "divisor de águas". Na esteira de suas atitudes diante da Suez em Cochabamba e La Paz, defendeu a água como direito humano, rachou o Fórum e teve o apoio da Venezuela, Cuba e Uruguai. O Brasil, na contramão de toda sua história, vergonhosamente, se recusou e se recusa em reconhecer a água como direito humano.



17 de Maio de 2006

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La Forteresse (Brésil)

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 Venezuela

Essa atitude boliviana não é nova. O bloco de resistência à privatização da água na Bolívia ajudou levar Evo ao poder. Ele não traiu seu povo e criou o Ministério da Água. Agora, quer criar uma empresa de abastecimento de água em toda a Bolívia, mas o Banco Mundial está condicionando o financiamento: "só se pagar a dívida de vinte milhões de dólares com a Suez". Os bolivianos estão com a corda no pescoço e não decidiram até agora se aceitam ou não o condicionamento do Banco Mundial.

Depois veio o Petróleo. Já sabíamos da ação da Petrobrás em terras indígenas no Equador e outras questões ambientais em países da América Latina. Evo botou um ponto final. Nacionalizou o gás e retomou a soberania em seus hidrocarburetos. A decisão é justa e o que é justo não tem fronteiras.

Agora é a vez das terras. Assim ficamos sabendo que muitos grileiros brasileiros também atravessaram a fronteira e foram se apossar ilegalmente de terras bolivianas. Já não basta a tragédia que causam no Brasil. A reforma agrária vai acontecer, pelo menos na Bolívia.

O que acontece na América Latina é mais profundo que aparenta ser. Os povos nativos, que tiveram sua história podada pela chegada dos brancos, querem retomar o que lhes pertence. Não apenas bens, mas história, cultura e dignidade. Esse "fenômeno indígena" já tem observatório na Europa. Numa reunião do CELAM em Bogotá, que preparava o V Encontro Episcopal a se realizar em Aparecida, alguns especialistas do Vaticano nos diziam que o novo na América Latina é a emergência da questão indígena. Estimavam que em dez anos algo novo apareceria nesse cenário. Não foi preciso. Nas contradições da história o chão da América treme e não tem mídia e nem transnacional que sufoque.

 Roberto Malvezzi, Gogó
Coordenador Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Os artigos deste autor


Source Adital (Brasil)
Agência de notícias de inspiração cristã, especializada na América Latina/Agencia de noticias de inspiración cristiana, especializada en América Latina.
Os artigos deste autor




 

 



 

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