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Palavras do Barack Obama sobre o anúncio da morte de Kadafi

| Washington, D. C. (Estados Unidos)
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Boa tarde a todos. Hoje o governo da Líbia anunciou a morte de Muamar Kadafi. Isso marca o fim de um capítulo longo e doloroso para o povo da Líbia, que agora tem a oportunidade de determinar seu próprio destino em uma Líbia nova e democrática.

Durante quatro décadas, o regime Kadafi governou o povo líbio com punho de ferro. Direitos humanos básicos foram negados, civis inocentes foram detidos, espancados e mortos. E a riqueza da Líbia foi desperdiçada. O enorme potencial do povo líbio foi retido e o terror foi usado como uma arma política.

Hoje podemos definitivamente dizer que o regime de Kadafi chegou ao fim. Caíram os últimos grandes redutos do regime. O novo governo fortaleceu seu controle sobre o país, e um dos mais antigos ditadores do mundo não existe mais.

Um ano atrás, a noção de uma Líbia livre parecia impossível. Depois o povo líbio se levantou e exigiu seus direitos. E quando Kadafi e suas forças começaram a ir de cidade em cidade, de vila em vila para para brutalizar homens, mulheres e crianças, o mundo se recusou a ficar de braços cruzados.

Diante do potencial de atrocidades em massa e de um pedido de ajuda do povo líbio, os Estados Unidos e nossos amigos e aliados frearam as forças de Kadafi. Uma coalizão que incluía os Estados Unidos, a Otan e os países árabes perseverou durante o verão para proteger os civis líbios. E enquanto isso, o valente povo líbio lutou por seu próprio futuro e acabou com o regime.

Portanto, este é um dia importante na história da Líbia. A sombra escura da tirania foi levantada, e com esta enorme promessa, o povo líbio tem agora uma grande responsabilidade: construir uma Líbia inclusiva, tolerante e democrática, que represente a repreensão final à ditadura de Kadafi. Estamos ansiosos para o anúncio da libertação do país, da rápida formação de um governo interino e de uma transição estável para a primeira eleição livre e justa na Líbia. E pedimos aos nossos amigos da Líbia que continuem a trabalhar com a comunidade internacional para assegurar materiais perigosos e a respeitar os direitos humanos de todos os líbios, incluindo aqueles que foram detidos.

Agora estamos sem ilusões — a Líbia terá uma jornada longa e sinuosa para a democracia plena. Haverá dias difíceis pela frente. Mas os Estados Unidos, juntamente com a comunidade internacional, estão comprometidos com o povo líbio. Vocês ganharam sua revolução, e agora seremos um parceiro enquanto forjam um futuro que oferece liberdade, dignidade e oportunidade.

Para a região, os acontecimentos de hoje provam mais uma vez que a regra do punho de ferro inevitavelmente chega ao fim. Em todo o mundo árabe os cidadãos permaneceram-se firmes para reivindicar seus direitos. Os jovens rejeitam vigorosamente a ditadura. E os líderes que tentarem negar sua dignidade humana não conseguirão.

Para nós aqui nos Estados Unidos, somos lembrados hoje de todos os americanos que perdemos nas mãos do terror de Kadafi. Suas famílias e amigos estão em nossos pensamentos e orações. Recordamos seus sorrisos bonitos, suas vidas extraordinárias e suas mortes trágicas. Sabemos que nada pode fechar a ferida de sua perda, mas estamos juntos como uma nação ao seu lado.

Por quase oito meses, muitos americanos prestaram serviços extraordinários em prol dos nossos esforços para proteger o povo líbio e proporcionar-lhes a chance de determinar seu próprio destino. Nossos diplomatas qualificados têm ajudado a liderar uma resposta global sem precedentes, nossos bravos pilotos voaram nos céus da Líbia, nossos marinheiros deram suporte ao largo da costa da Líbia, e nossa liderança na Otan ajudou a orientar a nossa coligação. Sem colocar um único membro das forças armadas dos Estados Unidos em terra, alcançamos nossos objetivos, e nossa missão da Otan em breve chegará ao fim.

Isso ocorre em um momento em que vemos a força da liderança americana em todo o mundo. Desmobilizamos líderes da Al Qaeda, e os colocamos no caminho para a derrota. Estamos terminando a guerra no Iraque e começamos uma transição no Afeganistão. E agora, trabalhando na Líbia com amigos e aliados, demonstramos o que a ação coletiva pode realizar no século 21.

É claro, acima de tudo, o dia de hoje pertence ao povo da Líbia. Este é um momento para que eles se lembrem de todos aqueles que sofreram e pereceram sob [o regime de] Kadafi, e estamos ansiosos pela promessa de um novo dia. E sei que o povo americano deseja ao povo da Líbia o melhor nos dias, semanas, meses e anos vindouros, que serão desafiantes, mas cheios de esperança.

Muito obrigado.

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