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Os grupos armados de Alepo pronunciam-se por um Estado islâmico

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Os grupos armados que operam em Alepo reuniram-se para denunciar a criação da Coligação Nacional implementada em Doha e reclamar alem disso a instauração de um califado.

No vídeo que acompanha esta informação o porta-voz menciona um a um os principais grupos que participam na reunião: Gabhat al Nusra (Frente al Nousra), Kataeb Ahrar al Sham (Falange Livre do País de Cham), Liwaa al tawhiid (Falange da Unificação), Ahrar suria (Homens Livres da Síria), Halab al shahba al islami (Falange Islâmica de Alepo), Haraket al fagr al islamiya (Aurora do Movimento Islâmico), Dra al Umma (Armadura da Nação), Al Islam phalanx, Liwa’a gaish mouhammad (O Batalhão de Mouhammaf), Liwa’a al nasr (A Falange vitoriosa), Al baz phalanx, Al sultan Muhammad phalanx, Liwa’a dra al islam (A Falange da Armadura do Islão), etc.

O porta-voz anuncia depois que os grupos armados ali reunidos rechaçam a chamada «Coligação Nacional», e que se puseram de acordo, por unanimidade sobre a formação de um Estado islâmico justo e que repudiam qualquer projeto externo (coligação, conselho ou outro) que se lhes queira impôr, venha de onde vier.

Esta declaração implica tão só os «revolucionários» da «zona libertada de Alepo» (de faco apenas três quarteirões da cidade). Mas é ilustrativa da maneira de pensar dos grupos armados na Síria.

Por outras palavras, enquanto a oposição exterior de salão se apresenta como democrática em Paris diante da imprensa internacional e em companhia do presidente francês François Hollande, nenhum dos grupos armados que operam na Síria se pronuncia pela democracia. Pelo contrário, todos sem excepção se pronunciam pelo islamismo sunita.

Três semanas atrás, cerca de 80% dos grupos armados trataram de criar um comando central perto de Idlib. Todos os participantes reconheceram então como seu líder espiritual o xeque Adnan al- Arour, que inclusivamente pronunciou um discurso durante o encontro. Desde então para cá, os comandantes que se opunham à linha islamita foram liquidados. Só subsistem grupos salafistas, wahabitas ou takfiristas.

São estes os grupos que a França tem estado a armar em segredo desde há vários meses e que agora se propõe continuar armando oficialmente.

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