Thierry Meyssan
Intelectual francês, presidente fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. Publica análises de política estrangeira na imprensa árabe, latino-americana e russa. Último livro publicado: L’Effroyable imposture : Tome 2, Manipulations et désinformations (éd. JP Bertand, 2007).
1135 artigos
Damasco (Siria) | 28 de Abril de 2013Duas semanas após os atentados de Boston, as autoridades norteamericanas fornecem um a um os indícios que teriam descoberto. A questão gira à volta da origem chechena dos «culpados» e das conclusões que se deveriam daí retirar. Pelo seu lado os Internautas e a imprensa russa surgem com uma outra história, na qual o principal «culpado» é um agente da CIA.
Damasco (Siria) | 21 de Abril de 2013O que é que tem a ver a Síria com o atentado de Boston? Nada à primeira vista, no entanto este atentado — e o barulho que ele espalha — responde à questão principal da suspensão do plano Kerry-Lavrov. Se nada se passa na Síria, é porque Washington e Moscovo encontram dificuldades imprevistas, entre as quais a questão chechena.
«Sob os nossos olhos»
O Tratado sobre o comércio de armas, lei suprema do capitalismopor
Thierry Meyssan
Damasco (Siria) | 7 de Abril de 2013Na sequência de sete anos de negociações, a Assembleia geral das Nações Unidas adoptou, a 2 de abril de 2013, um projeto de Tratado sobre o Comércio de armas, por 154 votos a “Favor”, 23 abstenções, e 3 votos "Contra". Com entusiasmo, os embaixadores ocidentais felicitaram-se uns aos outros por esta «votação histórica» de um texto «ambicioso», que «porá definitivamente fim ao comércio ilícito de armas», já que é «equilibrado», «eficaz» e «robusto», etc.
Com estas sonantes declarações, eles esperavam convencer (...)
Moscovo (Rússia) | 31 de Março de 2013Segundo a retórica ocidental, a Síria seria uma ditadura que afoga em sangue uma revolução. E seria apoiada pela Rússia porque está a aplicar a mesma lógica na base da qual Moscovo esmagou anteriormente a rebelião na Chechénia. Pelo contrário, visto de Moscovo, o imperialismo ocidental aliou-se, desde há 35 anos, com as ditaduras religiosas dos países do Golfo para desviar o jihadismo da libertação da Palestina e virá-lo primeiro contra a URSS, no Afeganistão, e depois contra a Rússia e seus aliados. Por conseguinte, a Rússia não se acha a apoiar a Síria, mas sim que está a ser atacada através da Síria.
Moscovo (Rússia) | 25 de Março de 2013Washington foi rápido a utilizar a crise financeira cipriota para iniciar a estratégia de captação de capitais que eu descrevi três semanas atrás nestas colunas . Com a ajuda da directora do Fundo monetário internacional, a pró-americana Christine Lagarde, eles puseram em causa a inviolabilidade da propriedade privada na União europeia e tentaram confiscar um décimo dos depósitos bancários, pretensamente para capitalizar a banca nacional cipriota afectada pela crise grega.
É escusado (...)
Damasco (Siria) | 10 de Março de 2013John Kerry e o seu homólogo saudita, o ultra-reacionário príncipe Al-Faiçal.
A implementação do plano de paz para a Síria, negociado entre Russos e Norte- americanos, patina. Primeiro foi o atraso na confirmação da nova equipa de defesa dos EU pelo Senado. Depois, as declarações contraditórias, para não dizer incoerentes, do novo secretário de Estado, John Kerry.
Seja como for, dois elementos novos podem ser estabelecidos.
• O activismo da Arábia Saudita e do Catar reforçou-se com o acordo aparente (...)
Damasco (Siria) | 3 de Março de 2013Aquando do seu discurso anual sobre o estado da União, o presidente Barack Obama anunciou unilateralmente a abertura de negociações sobre uma Parceria global transatlântica de comércio e de investimento com a União europeia (12 Fevereiro). Algumas horas mais tarde, este “scoop” era confirmado por uma declaração conjunta do presidente dos EU e dos presidentes do Conselho europeu, Herman van Rompuy, e da Comissão europeia, José Manuel Barroso.
O projecto de Zona de livre-troca transatlântico (...)
Há 6 anos, o envenenamento do presidente palestiniano
As circunstâncias políticas da morte de Yasser Arafatpor
Thierry Meyssan
Beirute (Líbano) | 26 de Fevereiro de 2013A 11 novembro de 2004, o presidente Yasser Arafat falecia num hospital militar francês. Desencadeou-se então uma polémica sobre a origem do seu envenenamento. Só muito mais tarde, aquando da captura pelo Hamas de documentos nos arquivos pessoais do ministro Mohamed Dahlan, foi que as provas do complô foram reunidas. O assassinato foi orquestrado por Israel e pelos Estados-Unidos, mas realizado por Palestinianos. Thierry Meyssan reexamina as circunstâncias políticas que conduziram à planificação desta eliminação.
Damasco (Siria) | 24 de Fevereiro de 2013Após dois anos de combates, está claro que Exército árabe sírio, concebido para defender o território em caso de guerra convencional, não está em condições de estabilizar o país ao mesmo tempo que prossegue a sua missão principal. Ele venceu sem dificuldade os jihadistas de cada vez que eles se reagruparam, mas ele não tem a capacidade para combater uma guerrilha móvel, que compensa o seu fraco suporte popular com uma poderosa ajuda logística estrangeira.
Finalmente, a Síria resolveu-se (...)
Damasco (Siria) | 22 de Fevereiro de 2013Num artigo publicado na Rússia a 26de Janeiro de ,2013Thierry Meyssan expõe o novo plano de divisão do Médio Oriente em que trabalham actualmente a Casa Branca e o Kremlin. O autor revela os principais parâmetros da negociação em marcha, sem emitir juízos sobre a possibilidade de um acordo definitivo nem sobre a sua aplicação. O interesse deste artigo reside em permitir a compreensão das ambíguas posições de Washington, que está empurrando os seus aliados para um beco sem saída, no sentido de lhes impôr, proximamente, uma nova distribuição de cartas que simplesmente os deixa fora de jogo.
Teerão (Irão) | 21 de Fevereiro de 2013A democracia iraniana está em plena ebulição. As clivagens de 2009 desapareceram agora, ao ponto do presidente Barack Obama vir admitir publicamente que Mahmud Ahmadinejad foi efectivamente reeleito, de forma limpa na altura, por uma maioria dos seus concidadãos. O movimento verde que na altura uniu a burguesia urbana e uma parte da juventude foi-se. Washington não aposta agora no derrube do regime, mas sim na sua divisão. Os Estados Unidos tentariam explorar a crise entre a corrente religiosa, representada pelo clã Larijani, e a corrente nacionalista da família Ahmadinejad.
11 de Fevereiro de 2013Na hora da sua retirada, a secretária de Estado Hillary Clinton defendeu o seu trabalho numa entrevista dada ao New York Times. . Circunstancialmente, ela acrescentou em «off» algumas confidencias aos jornalistas que as introduziram num artigo em separado. .
Preocupada em conservar as suas “chances” para a eleição presidencial de 2016, ela esforçou-se em atirar a responsabilidade do seu falhanço na Síria sobre o presidente Barack Obama. Na esteira de dois anos de guerra secreta, os (...)
Damasco (Siria) | 4 de Fevereiro de 2013A saída de Hillary Clinton foi cuidadosamente encenada para garantir as suas chances de poder tornar-se candidata democrata à eleição presidencial. A antiga primeira dama encara sempre como possível o seu retorno à Casa-Branca e os corretores de apostas abriram as apostas sobre um duelo em grande entre as duas dinastias, em 2016, face a Jeb Bush (o irmão mais velho de Júnior).
Seja como for, a Sra Clinton dirigiu-se primeiro ao Council on Foreign Relations – (Comité de Relações Externas-NdT) - (...)
Damasco (Siria) | 28 de Janeiro de 2013Temendo que militares atentem contra o presidente da República, o serviço de segurança do Eliseu tratou de neutralizar as armas, aquando da cerimónia dos votos anuais (base de Olivet, 9 de Janeiro de 2013). © Presidência da República Francesa
As aventuras militares de Nicolas Sarkozy e François Hollande no Afeganistão, na Costa do Marfim, na Líbia, na Síria e agora no Mali são vivamente discutidas no seio do exército francês. E a oposição que levantam chegou a um ponto crítico. Eis alguns (...)
Damasco (Siria) | 23 de Janeiro de 2013Por Thierry Meyssan Preparada desde há muito tempo e anunciada com 6 meses de antecipação pelo presidente francês François Hollande, a intervenção francesa no Mali foi apresentada como uma decisão urgente tomada em resposta a incidentes dramáticos e inesperados. Essa encenação não só tem como objetivo apoderar-se do ouro e do urânio maliano como abre além disso o caminho à desestabilização da Argélia.
8 de Janeiro de 2013A França e as monarquias do Golfo encarniçam-se a apresentar Bachar el-Assad como um tirano sanguinário e a imputar-lhe a responsabilidade das 60 000 vítimas contadas pelo Alto-Commissariado dos Direitos do homem. Derrubando esta retórica, o presidente el-Assad dirigiu um discurso à nação, a 6 de Janeiro de 2012. Ele afirmou-se como o líder de um país atacado do exterior e fez o elogio fúnebre dos 60 000 mártires. Simbolizando esta afirmação, uma bandeira síria composta pelos rostos das vítimas foi (...)
Teerão (Irão) | 26 de Dezembro de 2012A contagem decrescente começou. Logo que a nova administração Obama seja confirmada pelo Senado, ela apresentará um plano de paz para a Síria no Conselho de Segurança. Muito embora o presidente Obama suceda a si próprio, juridícamente a sua anterior administração apenas está autorizada a dar andamento aos assuntos correntes e não pode tomar iniciativas maiores. Políticamente, Barack Obama não reagiu quando, em plena campanha eleitoral, alguns dos seus colaboradores fizeram soçobrar o (...)
Damasco (Siria) | 13 de Dezembro de 2012A celebração do 25º aniversário do Hamas correspondia à celebração da vitória após o recente ataque israelita. Ora, esta breve guerra modificou profundamente a situação estratégica do Estado hebreu e reaproximou uma parte dos combatentes palestinianos.
Assim, o Hamas autorizou os partidários da Fatah a manifestarem-se em Gaza aquando do reconhecimento da Palestina como Estado observador na ONU, e vice-versa : a Fatah autorizou os militantes do Hamas a manifestarem-se na Cisjordânia. Mais ainda, as (...)
Damasco (Siria) | 5 de Dezembro de 2012A Assembleia geral das Nações Unidas concedeu à Palestina « o estatuto de Estado observador não membro » tendo em vista contribuir « para a solução prevendo dois Estados, com um estado palestiniano independente, soberano, democrático, num território próprio e viável vivendo em paz e segurança lado a lado com Israel, na base das fronteiras anteriores a 1967 ».
A resolução foi adoptada por 138 votos a favor, 41 abstenções e 6 votos contra, entre os quais os dos Estados-Unidos e Israel.
Esta (...)
Damasco (Siria) | 27 de Novembro de 2012O Sr. e a Srª Kerry, o Sr. e a Srª Assad, aquando de um pequeno-almoço privado, num restaurante de Damasco, em 2009.
Dispondo de uma legitimidade reforçada pela sua reeleição, o presidente Barack Obama prepara-se para lançar uma nova política estrangeira: tirando as conclusões do relativo enfraquecimento económico dos Estados-Unidos, ele renuncia a dirigir o mundo sozinho. As suas forças prosseguem a sua saída da Europa e a sua retirada parcial do Médio-Oriente para se posicionarem à volta da China. (...)
Um lobista da Shell à cabeça da Coligação nacional síria
As múltiplas caras do xeque Ahmad Moaz Al-Khatibpor
Thierry Meyssan
Damasco (Siria) | 21 de Novembro de 2012Totalmente desconhecido do público internacional, ainda apenas há uma semana, o xeque Moaz al-Khatib foi propulsado a presidente da Coligação nacional síria, representando a oposição pró-ocidental ao governo de Damasco. Descrito através de uma intensa campanha de relações públicas como uma alta personalidade moral sem ligações partidárias ou económicas, ele é na realidade membro dos Irmãos muçulmanos e quadro da companhia petrolífera Shell.
Damasco (Siria) | 20 de Novembro de 2012© Présidence de la République - Laurent Bienvennec
Na tribuna da Assembleia geral das Nações Unidas, a 25 de setembro, o presidente francês François Hollande tinha afirmado a sua convicção que a mudança de regime na Síria era « certa » e por consequência que Paris reconheceria « o governo provisório, representativo da nova Síria, assim que ele fosse formado ». Ele pensava poder designá-lo ele próprio apoiando-se para isso no Conselho nacional, organização fantoche criada pela DGSE e financiada pelo Catar. (...)
Damasco (Siria) | 12 de Novembro de 2012A imprensa ocidental e do Golfo classificou as eleições nos Estados-Unidos como uma prova de vitalidade da « mais poderosa democracia no mundo». Pelo contrário, ela descrevia, no princípio do ano, o referendo e as eleições legislativas na Síria como «farsas» e apelava ao derrube da «ditadura». Mas o que é que se passa aqui exactamente? Comparemos os dois regimes aplicando-lhes os mesmos critérios embora um seja de tal maneira mais poderoso que o outro que nos abstemos habitualmente de o julgar.
A (...)
Damasco (Siria) | 7 de Novembro de 2012Yang Jiechi ©Xinhua
A trégua que devia marcar as celebrações da festa muçulmana de l’Aid foi amplamente violada na Síria. O governo teve o cuidado de cortar os principais eixos viários para se assegurar que eventuais incidentes permanecessem isolados e não pudessem servir de lança-chamas. Tempo perdido : grande número de brigadas do Exército sírio livre (ESL) receberam ordens dos seus “sponsors” para lançar novos ataques, aos quais o Exército árabe sírio não deixou de responder. Em resumo, se certas (...)
Beirute (Líbano) | 28 de Outubro de 2012Aquando de uma mesa redonda em Ancara, o almirante James Winnefeld, chefe de estado-maior adjunto dos E.U., confirmou que Washington revelaria as suas intenções em relação à Síria, logo após terminar a eleição presidencial de 6 novembro. Ele deu claramente a entender aos seus interlocutores turcos que um plano de paz tinha já sido negociado com Moscovo, que Bachar el-Assad ficará no poder e que o Conselho de segurança não autorizaria a criação de zonas tampões. Pelo seu lado, o secretário-geral adjunto (...)
23 de Outubro de 2012A cada quatro anos, a eleição do presidente dos Estados-Unidos dá lugar a um show planetário. A imprensa dominante consegue convencer a opinião pública internacional que o povo norte-americano designa democraticamente o homem que dirigirá os assuntos mundiais.
Em certos países, nomeadamente na Europa, a cobertura mediática deste acontecimento é tão, senão mais, importante que o da eleição do chefe de Estado local. Implicitamente, a imprensa insinua que se estes Estados são democracias, os seus cidadãos (...)
Damasco (Siria) | 19 de Outubro de 2012A Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC) iniciou no Cazaquistão, a 8 de outubro, manobras intituladas « Fraternidade inviolável » (« НЕРУШИМОЕ БРАТСТВО »). O cenário é o de implementação de uma força de paz num país imaginário onde operam jihadistas internacionais e organizações terroristas sobre um fundo de divisões étnico-confessionais. O corpo diplomático acreditado, que foi convidado a assistir ao exercício, escutou com atenção o discurso de abertura do secretário-geral adjunto da Organização. Ele indicou (...)
Damasco (Siria) | 8 de Outubro de 2012Nikolai Bordyuzha, secretário-geral da Organização do Tratado de Segurança Coletiva
A situação militar na Síria virou em desfavor daqueles que esperavam em Washington e Bruxelas conseguir mudar o regime pela força. As duas tentativas sucessivas de tomada de Damasco falharam e é agora claro que este objectivo não poderá ser atingido.
A 18 de julho, uma explosão decapitava o Conselho de segurança nacional e dava o sinal para uma vasta ofensiva de dezenas de milhares de mercenários convergindo da (...)
4 de Outubro de 2012Todos os anos, durante uma semana, os chefes de Estado e/ou de governo se encontram em Nova Iorque para participar na abertura da Assembleia Geral da ONU. Mas este encontro foi perdendo progressivamente o seu aspecto construtivo para converter-se num espetáculo televisivo cujos momentos de clímax só são ultrapassados em audiência pelos Jogos Olímpicos e pelo Campeonato Mundial de Futebol.
O discurso mais esperado era o do presidente dos Estados Unidos, convidado a exprimir-se depois da (...)
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