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São Paulo - O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, se reuniu nesta quarta (23) com o Ministro da Defesa e vice-presidente do Brasil, José Alencar, e com o Presidente Lula, para tratar de assuntos relacionados à situação das tropas brasileiras no Haiti, à segurança na Amazônia, e o terrorismo e o narcotráfico. Primeiro alto funcionário dos EUA a visitar o país, Rumsfeld chegou no final da tarde desta terça (22), depois de uma passagem pela Argentina onde acabou não se encontrando com o presidente Nestor Kirchner, que se encontrava em sua casa na Patagônia em “missão de trabalho e descanso”.

Em coletiva concedida na manhã desta quarta-feira, após encontro com o José Alencar, o secretário norte-americano elogiou a atuação do Brasil à frente das tropas de paz no Haiti, mas não falou dos outros pontos de pauta, acordados anteriormente com o governo brasileiro. Sobre o Haiti, o Brasil estaria cobrando o cumprimento de compromissos financeiros assumidos pelos EUA, como o envio de 1.330 milhões de dólares à força de paz. Deste total, o país só liberou 250 milhões.

Entre os assunto que Rumsfeld afirmou querer tratar com o Brasil, estaria a difícil relação entre os EUA e a Venezuela, com quem o governo brasileiro está negociando 36 aviões militares. Caracas também estaria comprando fuzis e helicópteros russos, o que levou a Casa Branca a se declarar preocupada com uma possível corrida armamentista da América do Sul impulsionada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

Luta antiterrorista

O velho argumento dos EUA de que a Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai seria um “refugio de terroristas” também estaria na pauta de Rumsfeld. Neste sentido, o americano se disse interessado na “lei do abate”, aprovada no ano passado, pelo qual as forças aéreas teriam permissão para derrubar aeronaves em espaço aéreo nacional que não se identificassem.

Na tarde desta quarta, Rumsfeld seguiu de Brasília para Manaus, onde pretende conhecer o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e onde se informará sobre a Lei do Tiro de Destruição (Lei do Abate). O objetivo seria colher informações sobre os mecanismos de combate ao “narcoterrosrismo” colombiano, boliviano e peruano. De Manaus, ele segue para a Guatemala.