JPEG - 9.7 kb

Um dia após a jornada eleitoral, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Centro Carter, confirmaram os resultados apresentados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

"A votação superou os 10 milhões de eleitores e há uma clara diferença a favor do governo do presidente Chávez", disse o ex-presidente americano Jimmy Carter, do Centro Carter, em coletiva de imprensa, ao lado do secretário-geral da OEA, César Gavíria.

"Todos os venezuelanos devem aceitar os resultados divulgados pelo CNE. Até aqui não existem evidências de irregularidades. E nós não percebemos nenhuma delas", disse Carter.

Gavíria, ex-presidente colombiano seguiu a mesma linha e disse que os resultados coincidem com as projeções realizadas tanto pela OEA como pelo Centro Carter. "O sistema não permite manipulação nos resultados finais", reiterou.

As declarações da OEA e Centro Carter contribuíram para acalmar os ânimos das pessoas que atenderam ao chamado da opositora Coordenadora Democrática para protestarem contra a suposta fraude. Com exceção do conflito na Praça Altamira (leia texto abaixo) as manifestações localizadas não foram além dos "panelaços".

Isolamento

Carter disse que as críticas da oposição não se justificavam, já que inclusive os números da empresa de oposição, Súmate, que realizou um controle paralelo, registraram a vitória do governo. Um comunicado entregue aos observadores mostrava que 55% votaram pelo "Não" e 45% pelo "sim", fato que desmente os anúncios da CD de que a oposição conseguiu 60% dos votos.

O aval dos observadores internacionais, vistos pela oposição como seus grandes aliados, praticamente aniquilou a estratégia da CD de que a opinião pública internacional -leia-se, Estados Unidos- utilizem os resultados do referendo para reiniciar a campanha contra Chávez.

Para "aceitar" os resultados, o governo dos EUA -que apóia a oposição venezuelana- por meio de seu secretário de Estado, Tommy Wolf, afirmaram que seguiriam o que os "observadores internacionais disserem", disse Wolf horas antes do anúncio da OEA e do Centro Carter.

A explicação para a mudança do tom pode estar na reação dos mercados, os "neo-aliados" do presidente venezuelano, quarto maior exportador mundial de petróleo.

Há uma semana analistas financeiros estadunidenses admitiram que sem Chávez a Venezuela poderia seguir uma rota de desestabilização o que provocaria um aumento ainda maior dos preços do petróleo, configurando um cenário desfavorável para o presidente George W. Bush, em campanha para sua reeleição.