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Prioridades dos Estados Unidos na América Latina: assegurar a estabilidade política e promover a democracia em Cuba, na Bolívia, no Haiti e na Venezuela; manter a assistência à Colômbia e aos países andinos na luta contra o narcotráfico; impulsionar o livre comércio hemisférico iniciado na América Central. A informação foi fornecida, dia 3, por Roger Noriega, secretário-assistente do governo dos EUA para Assuntos do Hemisfério Ocidental em audiência com o Comitê de Relações Exteriores do Senado.

Noriega ressaltou a preocupação do governo estadunidense de que “a agenda demasiado pessoal do presidente Hugo Chávez poderia minar as instituições democráticas em seu país e entre seus vizinhos”. E acrescentou que “apesar de nossos esforços para estabelecer uma relação de trabalho normal com o seu governo, Chávez continua definindo-se como oposicionista aos EUA”.

Assim, assinalou Noriega ao Senado, “apoiaremos os elementos democráticos na Venezuela para que possa continuar mantendo o espaço político ao qual têm direito, e incrementaremos a consciência entre os vizinhos da Venezuela sobre os atos de desestabilização de Chávez, com a expectativa de que se unam a nós em defesa da estabilidade, da segurança e da prosperidade da região”.

Em relação a Cuba, o secretário informou que estão sendo aplicadas as recomendações da Comissão Presidencial de Assistência a uma Cuba Livre, para “agilizar uma transição democrática”. Segundo ele, os EUA vão continuar apoiando a transição política no Haiti e as eleições na Nicarágua, assim como vão fortalecer as instituições democráticas ameaçadas da Bolívia.

Noriega reiterou a agenda de “reformas” para abrir as economias e ampliar o livre comércio, enfatizando a aprovação do acordo com a República Dominicana. Reforçou o compromisso para promover o Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca), com destaque para a cooperação do Brasil. “A relação pessoal entre os presidentes Bush e Lula é a mais aberta e positiva na história recente do Brasil”, afirmou.

Intervenção na Venezuela

A imprensa colombiana denunciou, na semana passada, que os EUA querem dotar a Organização dos Estados Americanos (OEA) de um “instrumento” que permita à organização intervir na Venezuela. Para o argentino Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz em 1980, é possível que Washington promova um atentado contra Chávez, um governo “constitucional, eleito pelo povo e vitorioso no referendo”.

Segundo reportagem do jornal El Tiempo, de Bogotá, “Washington começou a mover os pauzinhos para dotar a OEA de um instrumento que permita à Organização intervir em regimes que, a seu juízo, estejam se distanciando da democracia”. Fontes não identificadas garantiram ao periódico que a idéia é mudar a carta democrática do órgão na próxima assembléia geral dos 34 países integrantes, em julho, na Flórida (EUA). Da forma como está redigida, a carta dispõe de mecanismos para intervenção em um país onde foi rompida a ordem constitucional por um golpe de Estado ou onde houve o ascenso de uma ditadura - o que não é o caso da Venezuela.

Caso a OEA se preste a ajudar os Estado Unidos a intervir na Venezuela, na opinião de Esquivel, o organismo deverá “desaparecer, pois sua função é democratizar e não prestar serviços a uma grande potência”.

Brasil de Fato