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Bancos dos EUA acusados de cumplicidade

| Quito (Équateur)
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Augusto Pinochet

O sistema bancário dos Estados Unidos deve responder pelo desvio de dinheiro público, comandado pelo ex-ditador chileno Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990. Esta é a exigência que faz a Associação Latino-Americana para os Direitos Humanos (ALDHU), que expressa sua indignação pela "evidente" cumplicidade de alguns bancos estadunidenses na triangulação e ocultação de 125 contas relacionadas ao ditador, acusado de violar, sistematicamente, os direitos humanos.

Nessas contas bancárias, Pinochet encobriu o roubo sistemático de fundos públicos chilenos, totalizando dezenas de milhões de dólares, afirma a ALDHU. "É inaceitável que a operação sistemática de lavagem do dinheiro corrupto de Pinochet tenha passado inadvertida por mais de um quarto de século para os mecanismos de controle do sistema bancário estadunidense", observa a entidade.

Da operação de encobrimento participaram o Banco do Chile (filial dos Estados Unidos), Espíritu Santo Bank (Miami), Banco Atlântico (parte do Banco Sabadell), Bank of América, Coutts & Co. (parte do Banco Santander), Ocean Bank (Miami), PineBank (Miami), Riggs Bank (Miami) Citibank (Nova York - Miami.). Estes são apenas os revelados até agora.

"É imprescindível que os Estados Unidos expliquem ao mundo e, em especial, ao povo e ao governo do Chile, até onde chegaram os tentáculos dessa conspiração; que níveis de participação tiveram nela os órgãos oficiais do Estado, e, sobretudo, quem dispôs, desde as esferas do poder nos EUA, que fossem outorgadas as facilidades e que “falhassem” os controles, para tornar possível esta lavagem de dinheiro a favor de Pinochet e seus cúmplices", declara a entidade num comunicado.

A ALDHU quer que as autoridades estadunidenses sejam mais transparentes e adverte sobre as implicações em outras operações de encobrimento de outros delitos cometidos por Pinochet. Em particular, de ocultação de benefícios ilegítimos provenientes do tráfico de armas e apropriação de bens de detidos desaparecidos.

As tensões no Chile pela suspensão do foro privilegiado do general retirado só crescem. Amplos setores da sociedade chilena desejam o processamento do general que encabeçou o golpe de Estado de setembro de 1973. Segundo a imprensa chilena, o governo tem favorecido, parcialmente, a intenção de castigar alguns dos crimes políticos mais contundentes cometidos pelo regime pinochetista, mas os analistas denunciam que existe o objetivo de que ninguém seja punido, incluindo o general Pinochet.

No último dia 16, por exemplo, a Corte Suprema rejeito a suspensão do foro privilegiado de Pinochet pelo assassinato do ex-comandante-chefe do exército Carlos Prats e de sua esposa, Sofía Cuthbert, ocorrido em Buenos Aires, em 1974. Por outro lado, recentemente, o Serviço de Impostos Internos (SII) voltou a pedir a suspensão do foro para que possa ser processado por "evasão de impostos".

Adital

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