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Depois de perder sua imunidade em uma polêmica decisão do Congresso, o prefeito da capital mexicana, Andrés Manuel López Obrador, e o presidente Vicente Fox entraram em um acordo para começar "um diálogo sem imposições". López Obrador é o candidato favorito nas eleições presidenciais de 2006.

O prefeito da capital mexicana, Andrés Manuel López Obrador, e o presidente Vicente Fox entraram em um acordo para começar "um diálogo sem imposições", para colocar fim aos conflitos que mantêm e que têm gerado tensão política e no mercado financeiro do México.

López Obrador solicitou formalmente uma audiência com o presidente Vicente Fox, aceitando a proposta de diálogo formulada terça (26) pelo governo. O porta-voz presidencial, Rubén Aguilar, afirmou acreditar que do encontro entre Fox e Obrador "surgirão bons resultados". Em uma carta enviada à presidência e divulgada nesta quarta (27), López Obrador indicou que a reunião deveria ser "sem pré-estipulações" quanto ao horário e à data, mas, com relação ao tema, deveria centrar-se em "falar da perda de imunidade e do direito dos mexicanos de elegerem livremente seus governantes".

Por outro lado, Aguilar apontou que o diálogo deve ser "aberto" para que ambas as partes "possam discutir e, a partir daí, construir". O porta-voz disse que em breve haverá uma resposta mais formal à carta e apontou que "o diálogo verdadeiro entre os políticos sempre oferece a possibilidade de bons resultados, engrandece a todos e permite a construção de acordos e consensos".

López Obrador, favorito para as eleições presidenciais de 2006, foi privado de sua imunidade por decisão do Congresso mexicano no dia 7 de abril, o que não o impediu de reassumir seu cargo na segunda-feira passada. Obrador afirmou em sua carta que "nós que viemos dos movimentos democráticos de oposição precisamos, mais que qualquer pessoa, fazer valer as liberdades dos cidadãos".

O prefeito, acusado de desacatar a ordem de um juiz para suspender a construção de uma rua que passava por um prédio sujeito a litígio, considera que a perda de sua imunidade é motivada pela intenção de impedi-lo de participar das eleições presidenciais de 2006. Uma vez sem sua imunidade, espera-se que López Obrador seja sujeito a um processo penal, o que poderia levá-lo à prisão e inabilitá-lo de concorrer a qualquer cargo superior. Atualmente o processo contra López Obrador está em "impasse jurídico", enquanto espera que a Procuradoria Geral solicite uma ordem de prisão, depois que o juiz negou uma solicitação de "comparecimento".

Além disso, ainda falta que a Suprema Corte se pronuncie a respeito de uma solicitação de inconstitucionalidade feita pela Assembléia Legislativa da capital, que questiona os poderes da Câmara dos Deputados do Congresso Federal para destituir López Obrador, o que deixaria implícita sua perda de imunidade.

Nem López Obrador nem a presidência quiseram comentar as declarações do presidente cubano Fidel Castro, que aconselhou Fox a "se aposentar ou renunciar" e disse que nada poderá impedir que o prefeito esquerdista conquiste a presidência do México.

Agéncia Carta Maior