JPEG - 22 kb

A Marcha Nacional pela Reforma Agrária, organizada pelo MST, entrou em território do Distrito Federal no início da manhã desta sexta-feira (13), se aproximando cada vez mais de Brasília. A atividade termina na próxima terça-feira (17), em Brasília. Em uma carta divulgada quinta (12), a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) demonstrou total apoio à marcha, que saiu dia 2 de maio de Goiânia e já reúne cerca de 12 mil manifestantes. Ao final, serão percorridos mais de 200 quilômetros.

"O conteúdo da carta diz que a marcha é pacífica, que a CNBB é totalmente solidária com essa mobilização, que a Igreja pede para o governo cumprir a sua promessa de Reforma Agrária e também ajude os pequenos proprietários a poder trabalhar na sua terra", disse Dom Eugênio Rixen, bispo de Goiás. Ele esteve em acampamento da marcha em um trecho conhecido como "Sete Curvas", no município Alexânia (GO), onde leu o documento aos sem terra.

Dom Rixen elogiou a organização do movimento e seriedade das reivindicações. "Vemos uma coisa muito bem organizada, um ambiente excelente. Fomos acolhidos de maneira maravilhosa e vemos que são pessoas sérias, que realmente procuram lutar pelos seus direitos, que é um pedaço de terra para produzir e poder alimentar sua família a fim de ter uma vida melhor".

Na próxima terça-feira (17), está programado um ato cultural que marca a chegada da mobilização a Brasília. Cantores como Pereira da Viola, Marcelo Yuka, Gog e a Família já confirmaram presença, assim como os artistas Letícia Sabatela, Marcos Winter e Osmar Prado. O ato é aberto ao público e começa às 15 horas, na Esplanada dos Ministérios.

Os dados numéricos, bem como as imagens da mobilização impressionam. Os 12 mil participantes da marcha vieram de 23 Estados brasileiros. A maioria são homens (70%). As crianças participam da marcha de uma forma diferente: logo cedo, são levadas ou para a Ciranda Infantil ou para a Escola Itinerante, onde brincam e estudam até as 14 horas. Três ônibus dão suporte à operação.

Todos os dias, o acampamento é desmontado por uma equipe de 350 pessoas. No ato de chegada ao acampamento, os manifestantes já encontram os barracos estão montados, as malas separadas por Estado e o almoço pronto. Além disso, também já estão montados 150 banheiros químicos e 10 caminhões pipa.

Na equipe da cozinha, 415 pessoas acordam diariamente às 3 horas para preparar as marmitas. A procedência dos alimentos varia: uma parte veio dos próprios assentamentos da Reforma Agrária, outras vieram de campanhas de doação, colaboração de igrejas e da solidariedade da sociedade de forma geral. Os 12 mil participantes ainda consomem um média diária de 250 mil litros de água, contam com o apoio de 6 ambulâncias, 2 médicos e 320 pessoas para atuar na brigada de saúde e a prestar socorro aos participantes que necessitarem.

Brasil de Fato