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As tropas da OTSC estão prontas a serem distribuídas na Síria, se o Conselho de segurança fizer o pedido.

Uma vez passado o espanto face à reviravolta dos E.U. na Síria, uma nova situação política surgiu correspondendo, ponto por ponto, aos planos elaborados conjuntamente pela Rússia e pela Síria em Junho de 2012, quer dizer antes da conferência de Genebra 1. Na altura, o Kremlin encarava negociar um acordo com Washington que permitisse, ao mesmo tempo, resolver a crise síria e ao presidente Obama sair do seu impasse asfixiante com Israel. Ora este plano, que iria tornar-se num projeto de partilha da governança do Próximo-Oriente, supunha a presença de tropas russas na Síria. O general Hassan Tourekmani tinha, na altura, proposto que as tropas de interposição, mandatadas pelas Nações Unidas, fossem colocadas pela Organização do Tratado de segurança colectiva (« a Otan russa »), tal como já existe sobre o solo sírio uma Força das Nações Unidas encarregada de manter o cessar-fogo nos altos do monte Golã.

A ideia desta colocação de forças foi tomando corpo. A OTSC assinou um Protocolo com o departamento das Operações de manutenção de paz da Onu, em Setembro de 2012, que lhe permite, como à Otan, concretizar as decisões do Conselho de Segurança. Durante um ano, a OTSC foi preparando 50. 000 homens que podem ser enviados em menos de duas semanas. Mas, Moscovo temia cair numa armadilha : fora para destruir o Exército vermelho que a CIA tinha criado em 1979, junto com a Arábia Saudita, o movimento jihadista internacional hoje chamado Al-Qaida. Seria a Síria o novo Afeganistão do exército russo ?

Tendo em conta as hesitações dos E.U, o projeto foi interrompido, mas não abandonado. Ora, a solução da crise das armas químicas abre novas possibilidades.

Em primeiro lugar, a resolução 2118 não se limita apenas a apoiar o plano russo de destruição dos restos do programa químico sírio dos anos 80, ela implica implicitamente a manutenção do presidente Bachar el-Assad no poder, pelo menos um ano afim de que ele controle esta destruição. De súbito, não somente as grandes potências ocidentais não reclamam mais a sua saída, mas até seriam a favor de um prolongamento do seu mandato, e a um adiamento da próxima eleição presidencial.

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A reunião dos chefes de Estado da OTSC foi precedida de uma reunião dos ministros dos Negócios estrangeiros. O Russo Serguei Lavrov explicou, aí, a situação internacional em relação à Síria. Ele sublinhou que se os jihadistas presentes lá não fossem neutralizados, no local, seriam proximamente transferidos para outros países, nomeadamente da Ásia central.

Em segundo lugar, a transmissão pela Síria da lista de seus stocks(estoques-Br) de armas químicas à Organização para a interdição das armas químicas (OIAC) torna-as vulneráveis, já que esta lista não deixará de chegar à « oposição armada ». Apesar dos seus esforços, o Exército árabe sírio não poderá, ao mesmo tempo, combater os jihadistas internacionais no conjunto do território e defender, especialmente, os seus arsenais. Prevendo esta situação, os chefes de Estado da OTSC, reunidos à volta de Vladimir Putin, a 23 de Setembro em Sochi, (quer dizer quatro dias antes da votação da resolução 2118 do Conselho de Segurança), deram ordem de prontidão às forças encarregues de assegurar a destruição das armas químicas, se o Conselho de Segurança assim o requerer. As tropas arménias, bielorrussas, cazaques, kirguizes, russas e tajiques não seriam mais distribuídas para serem interpostas entre os dois campos, como era encarado há um ano e meio, mas sim para defender os arsenais do Estado. A sua missão seria, pois, muito mais simples e eficaz.

Nesta perspectiva, os 2. 500 homens da OTSC que deverão participar nas manobras no Cazaquistão, de 7 a 11 de Outubro, procederão a adequados treinos de simulação.

Tradução
Alva