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Grupos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colombia (AUC), com o auxílio de integrantes da Guarda Nacional venezuelana, com um avião F16, pretendiam assassinar ao presidente com um bombardeio durante a realização do seu programa dominical Alô Presidente. "Disseram que qualquer operação que fizessem em Miraflores seria um fracasso se não matassem o presidente", disse Miguel Rodriguez Torres, um dos diretores da Disip (polícia política) ao anunciar em coletiva de imprensa, dia 31, junto com Lucas Rincón Romero (Ministério do Interior) e de Marcos Chávez (polícia científica) como seria realizada a operação. O resultado da interceptação feita pela Disip foi a prisão de mais de 120 paramilitares em 9 de maio deste ano.

De acordo com Miguel Rodriguez Torres, a estratégia dos paramilitares era bombardear o Palácio Miraflores, de onde Chávez apresentaria o programa. "Um dos coronéis disse não estar de acordo porque morreriam inocentes, mas outro respondeu que este era o preço a pagar para tirar a Chávez", afirmou Torres ao comentar a interceptação de uma das conversas telefônicas. No dia em que sofreria o atentado, Chávez não apresentou o programa, alegando problemas de saúde.

O magnicídio foi planejado durante uma reunião, dia 23 de abril, no bairro Country Club de Caracas, organizada por Gustavo Zingg Machado, um latifundiário do Estado Zulia, que faz fronteira com a Colômbia. Além de assassinar o presidente, os paramilitares planejavam atentados contra os líderes mais influentes das Forças Armadas, entre eles, os coronéis de destacamento da Guarda Nacional, Jonathan Farías e Arcón Matos, sendo o último um dos oficiais que tem contato direto com o presidente. Os grupos também pretendiam tomar a Base Aérea La Carlota, Caracas.

Farías, Arcón e seu efetivo seriam bloqueados por "policiais" vestidos com uniforme do exército nos bairros populares de Cátia e 23 de janeiro para evitar que os oficiais pudessem chegar ao Palácio Miraflores, onde atuariam os grupos paramilitares.

Colombianização

A presença de grupos das AUC na Venezuela não é fato novo. Na região de fronteira entre os dois países, o combate entre as Forças Aramadas venezuelanas e grupos paramilitares da Colômbia é frequente. Esses conflitos, de acordo com o economista e ativista político colombiano, Héctor Mondragón, fazem parte da estratégia de dominação da continente implementada por meio do Plano Colômbia, financiado pelos EUA sob o argumento de combater o tráfico de drogas no país.

A estratégia do Plano Colômbia é transferir o problema dos paramilitares para os países vizinhos, como Venezuela e Equador, para justificar uma intervenção estadunidense seguindo os mesmos moldes do que é praticado na Colômbia hoje: assassinatos de camponeses, de ativistas políticos e sequestros, sob a "tutela" do Estado.

Mondragón denuncia que estão sendo realizados treinamentos de grupos paramilitares venezuelanos na região de fronteira com a Colômbia para controlar uma possível insurreição popular caso a oposição não respeite um resultado eleitoral favorável a Chávez. "Se isso acontecer será a colombianização da Venezuela. Serão conformadas as Autodefesas Unidas Venezuelanas (AUV), que já estão sendo treinadas por paramilitares colombianos e vão dar início a uma série de atos de violência e práticas terroristas no país", avalia.

Opositor admite que "matar" a Chávez é única saída

Diante dos resultados das pesquisas de opinião que apontam a vitória do presidente Hugo Chávez no referendo de 15 de agosto, o ex-presidente da Venezuela, Carlos Andrés Pérez, residente em Miami, em entrevista ao jornal opositor El Nacional revela que a oposição não está disposta a respeitar as regras caso o presidente venezuelano vença o plebiscito. O referendo "não é a via. Estou trabalhando para derrubar Chávez (do poder). A via violenta permitirá sacá-lo, é a única (via) que temos (...) Eu sou parte desse batalhão", afirmou o ex-presidente que esteve sob o comando do país entre os anos de 1974-1979 e 1989-1993, quando ocorreu o Caracazo. [1]

O ex-presidente disse que "Chávez deve morrer como um cachorro, com desculpas a esses nobres animais", e admitiu que sem Chávez a democracia no país deverá ser suspensa e o país passará por uma etapa de "transição de dois ou três anos (...) sem Parlamento e sem Tribunal Supremo de Justiça".

"Isso é o que quer a oposição, uma ditadura", respondeu o presidente venezuelano no Alô Presidente deste domingo, dia 1, onde convocou à "oposição mais racional, para não se deixar levar pelos chamados de violência dos setores mais radicais da oligarquia".

Efeito Madrid

As declarações de Pérez caíram como uma bomba para a Coordenadora Democrática que às vesperas do referendo ainda não conseguiu arrancar uma campanha pelo "Sim". Para tentar reparar as declarações de Pérez, que podem atingir diretamente o eleitorado que é contrário ao governo, mas também à violência, Enrique Mendonza, um dos líderes da CD disse que irão derrocar a Chávez com o "poder das pessoas, atravéz dos votos".

A oposição necessita somar mais de 3.800 milhões de votos para revocar o mandato presidencial.

Diante de um cenário nada animador para a oposição, com as ruas do país tomadas por cartazes de "Não" estão sendo criados dois possíveis "fatos" para tentar impedir a vitória de Chávez. Com a ajuda dos meios de comunicação, os apoiadores do "sim" têm declarado que o governo pretende cometer uma fraude, intervindo na empresa de telecomunicações (Cantv), ligada à oposição, que fará a transmissão dos dados no dia do pleito.

Outra possibilidade que ventila nos corredores de Miraflores é que a oposição poderia recorrer ao "efeito Madrid", em alusão ao atentado de 11 de março deste ano que deixou 191 mortos na capital espanhola, três dias antes das eleições. O atentado mudou os resultados das eleições que indicavam a vitória do partido do então presidente José Maria Aznar.

Diante disso, Chávez que reiteradamente tem dito que "seja qual for o resultado", vai respeitá-lo, fez um chamado "a todos os venezuelanos, civis e militares" para que estejam atentos porque "à luz de todos, setores da oposição impulsionados pelo império (EUA) vão tratar de alterar a boa marcha que antecipam 15 de agosto ou durante" o dia do plebiscito, alertou.

[1] No último mandato de Pérez, após aprofundar as políticas neoliberais e provocar o aumento de bens de consumo básicos, ocorreu o levante popular chamado Caracazo, no qual mais de 3.500 pessoas foram assassinadas pelas Forças Armadas sob o comando de Pérez. O TSJ em janeiro de 2002 pediu sua extradição para julgá-lo em processo que é acusado de corrupção.